A Universidade de Chile Lidera o Desenvolvimento do 'Nanossatélite SUCHAI-4' Que Será Lançado ao Espaço em Julho Próximo
Prezados entusiastas das atividades espaciais!
No dia de ontem (05/06), o portal da Universidade do Chile noticiou que a instituição está liderando o desenvolvimento do Nanossatélite SUCHAI-4, cujo o seu lançamento está previsto para ocorrer em julho desta ano.
Foto: Felipe Poga - Universidade do Chile
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| O decano Francisco Martínez, junto ao professor Marcos Díaz e à subsecretária de Telecomunicações, Romina Garrido |
De acordo com a nota do portal, desenvolvido na Faculdade de Ciências Físicas e Matemáticas, este nanossatélite condensará cerca de 60 experimentos científicos e tecnológicos em apenas cinco quilos. Será lançado e colocado à prova desde sistemas de propulsão de plasma até o cultivo de microrganismos, dando continuidade à pesquisa aeroespacial do Chile.
O Laboratório de Exploração Espacial e Planetária (SPEL) da Faculdade de Ciências Físicas e Matemáticas (FCFM) da Universidade do Chile se prepara para marcar um novo marco na história da ciência nacional. O SUCHAI-4, um nanossatélite tipo CubeSat de 3U (5 litros e 5 kg), será colocado em uma órbita polar síncrona com o Sol a 590 km de altitude. O lançamento está previsto para julho a partir dos Estados Unidos.
Esta missão representa a continuação metodológica dos aprendizados obtidos nas missões espaciais anteriores: SUCHAI, SUCHAI-2, SUCHAI-3 e PlantSat. Nesse sentido, o decano da FCFM, Francisco Martínez, destacou o impacto deste desenvolvimento para o país e para a formação de capital humano avançado, enfatizando que: “na Faculdade continuamos desenvolvendo esta tecnologia com grande sucesso e incorporando novos desafios. Neste caso, condensação significa que 60 experimentos estarão neste nanossatélite de 5 litros, que incorpora biologia espacial, instrumentação nova que permite relocalização e percepção de partículas, e comunicações. É um conhecimento e uma tecnologia muito refinada, de alta precisão, feita completamente no Chile, formando novos especialistas e novas gerações que se renovam ano após ano neste conhecimento espacial. A Faculdade continua apoiando com muita força esta inovação e convida os estudantes a virem conhecer e fazer parte disso.”
Foto: Felipe Poga - Universidade do Chile
Um Laboratório Autônomo e Colaborativo em Órbita
Uma das grandes diferenças do SUCHAI-4 em relação aos seus predecessores é que ele requer e conta com um sistema de controle de apontamento fino. Para isso, a equipe de engenharia desenvolveu um sistema de propulsão e geolocalização sincronizado composto por rodas de reação, eletroímãs, propulsores de gás frio e propulsores de plasma, acionados com base em diversos sensores de estimativa de orientação.
Essa precisão no movimento permitirá testar um pequeno telescópio UV e um novo sistema de comunicações ópticas (laser) direcionado à Terra. Além disso, testará sistemas de rádio com tecnologia LoRa, projetada para extrair dados de áreas terrestres remotas, e instrumentação para outros tipos de experimentos no ambiente espacial.
“Hoje celebramos um marco para o desenvolvimento científico e tecnológico do Chile: o próximo lançamento do SUCHAI-4. Esta missão demonstra que nosso país conta com talento e equipes especializadas para avançar em comunicações espaciais. A partir da Subtel apoiamos estas iniciativas, que permitem experimentar bandas de uso livre e de longo alcance que permitem obter dados em zonas remotas, possibilitando diversos usos de pesquisa científica, como o monitoramento ambiental, agrícola e de recursos hídricos”, destacou a Subsecretária de Telecomunicações, Romina Garrido.
Foto: Felipe Poga - Universidade do Chile
Para gerir toda essa complexidade, o veículo possui um software de voo reprogramável desenvolvido em colaboração com a Universidade de Santiago do Chile (USACH), conferindo grande flexibilidade operacional. O investigador principal do projeto e acadêmico da FCFM, Prof. Marcos Díaz, detalha a importância desses avanços:
“O grande salto do SUCHAI-4 é que testaremos as capacidades de autonomia do sistema, operando como um laboratório espacial flexível que processa e aprende. Conseguimos miniaturizar e integrar tecnologias que nos permitem apontar o satélite com precisão. Isso não só abre a porta para diversas aplicações em astronomia, geofísica e comunicações, mas também, graças ao nosso software reprogramável, podemos ajustar e melhorar os sistemas em pleno voo, fortalecendo sua autonomia e capacidade de processamento. É uma plataforma que multiplica as possibilidades de fazer ciência no espaço, abrindo portas para diversas colaborações no âmbito da exploração espacial. Além disso, esse tipo de desafio permite formar capital humano avançado, que não só possui alta especialização, mas também habilidades para trabalhar em equipe entre pessoas de diversas disciplinas”, destacou.
O satélite operará de forma remota transportando diversos experimentos para avaliar a tecnologia e como os sujeitos de teste reagem ao ambiente espacial. No âmbito da instrumentação física, incorpora um telescópio que cobre desde o espectro ultravioleta (UV) até o infravermelho próximo, junto com magnetômetros, detectores de partículas e um sistema para avaliar novos transistores de grafeno.
Foto: Felipe Poga - Universidade do Chile
A missão, financiada principalmente por projetos ANID (Anillo ATE220057 e Fondef ID23I10360), Fondecyt regular 1251703 e pelo Anillo ATE250061, é um esforço no qual participam instituições como a USACH, PUCV, Universidade de Antofagasta, CCHEN, Universidade Austral e Fundação Biociência, além de entidades internacionais como o College of Charleston (EUA), USC (EUA), TU Delft (Países Baixos), Universidade de Concordia (Canadá) e AURA (EUA-Chile).
Uma vez que o lançador deixe o SUCHAI-4 em sua órbita, a equipe em Terra entrará em uma fase de espera. Serão os radioamadores ao redor do mundo e estudantes de escolas como o San Nicolás de Ñuble que tentarão captar as primeiras frequências emitidas pelo satélite. Esse primeiro contato confirmará que o veículo está vivo, dando início oficial à coleta de dados deste novo laboratório a 590 quilômetros de altitude.
Foto: Felipe Poga - Universidade do Chile
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