NASA e Boeing Mantêm Compromisso Com o Lançamento da Starliner-1 Apesar de Cronograma Ainda Incerto
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No dia 23 de junho, o portal Spaceflight Now noticiou que a NASA e a Boeing continuam comprometidas com o lançamento da Espaçonave Starliner-1, embora o cronograma da missão permaneça indefinido.
Imagem: NASA
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| A espaçonave Starliner, da Boeing, que lançou os astronautas da missão Crew Flight Test (CFT) da NASA, Butch Wilmore e Suni Williams, vista de uma janela da espaçonave Dragon Endeavour, da SpaceX. |
Atualização em 24 de junho, às 10h55 (EDT) / 14h55 (UTC): Foi adicionado um comentário da NASA.
De acordo com a nota do portal, mais de quatro meses após a NASA divulgar um relatório classificando o Crew Flight Test de 2024 da espaçonave CST-100 Starliner, da Boeing, como um incidente de Categoria A (Type A mishap), o cronograma da missão de retorno aos voos permanece indefinido e poderá estar distante até um ano.
Durante uma reunião pública do Painel Consultivo de Segurança Aeroespacial (Aerospace Safety Advisory Panel – ASAP), realizada na segunda-feira, o membro Kent Rominger afirmou que a NASA ainda está avaliando oportunidades para lançar a missão não tripulada Starliner-1. Segundo ele, a agência e a Boeing continuam trabalhando nas atividades pós-voo da missão CFT e na resolução das questões levantadas pelo relatório da Equipe de Investigação do Programa (Program Investigation Team – PIT).
"A NASA e a Boeing continuam trabalhando para alcançar o objetivo da certificação da Starliner para voos tripulados, o que inclui definir o que é necessário e aceitável para a próxima missão não tripulada, a fim de reduzir riscos e confirmar a prontidão para missões com tripulação", afirmou o ex-astronauta da NASA. "A data-alvo para o lançamento da missão não tripulada Starliner-1 está em revisão, pois ainda resta concluir o trabalho relacionado às questões finais do sistema de propulsão."
O portal Spaceflight Now entrou em contato com a NASA para perguntar qual era sua avaliação sobre quando a missão Starliner-1 poderia ocorrer. Um porta-voz da agência respondeu que não havia atualizações além da publicação feita em seu blog em 1º de maio.
A missão Crew Flight Test da Starliner foi marcada por diversas anomalias, incluindo a falha de cinco propulsores no módulo de serviço da espaçonave durante a aproximação para acoplagem, o que obrigou o ex-astronauta da NASA Butch Wilmore a assumir o controle manual da nave.
A cápsula também apresentou problemas com vazamentos em sete dos oito coletores de hélio do módulo de serviço, além da falha de um jato do sistema de controle de reação (RCS). A combinação desses problemas levou a NASA a retirar Wilmore e sua companheira de missão, a ex-astronauta da NASA Suni Williams, da Starliner para o retorno à Terra, incorporando ambos à missão SpaceX Crew-9.
Imagem: Nick Hague/NASA
Em seu resumo sobre a situação do Programa de Tripulação Comercial (Commercial Crew Program) durante a reunião do ASAP, Rominger afirmou que as recomendações do relatório do PIT estão sendo implementadas e que "mudanças de gestão e operacionais foram realizadas".
O relatório do PIT apontou "desafios culturais e de liderança que comprometeram o rigor técnico e agravaram os riscos técnicos". O documento identificou as seguintes causas principais:
* A abordagem contratual da NASA, com pouca intervenção, limitou sua visibilidade sobre o desenvolvimento da Starliner;
* A engenharia de sistemas inadequada da Boeing e a dependência de subcontratadas sem supervisão suficiente criaram lacunas na qualificação dos componentes;
* A cultura do Programa de Tripulação Comercial da NASA priorizou o sucesso do fornecedor em detrimento do rigor técnico.
"O modelo de governança do Programa de Tripulação Comercial foi atualizado para proporcionar maior clareza quanto às funções e responsabilidades durante as missões", disse Rominger. "Foi criada a Equipe de Revisão da Qualificação Delta do Sistema de Propulsão para garantir que exista um plano abrangente de qualificação antes do voo, e as equipes integradas da Boeing e da NASA fizeram bons progressos no encerramento das 72 observações de voo e de 22 das 28 anomalias implícitas identificadas durante o CFT."
Ele acrescentou que um dos principais obstáculos para o voo da Starliner-1 é o superaquecimento observado nas estruturas conhecidas como doghouses, que abrigam os propulsores do sistema de controle de reação (RCS) no módulo de serviço.
Rominger afirmou que o ASAP também acompanha de perto a evolução das mudanças culturais entre as equipes da Boeing e da NASA. Ele destacou mudanças na liderança de ambas as organizações e observou que os gerentes de missão da Boeing "agora trabalham diretamente com os gerentes de missão do Programa de Tripulação Comercial da NASA, havendo um foco renovado em melhorar a confiança e a comunicação entre a NASA e a Boeing".
"Durante uma revisão trimestral no Centro Espacial Kennedy da NASA, o chefe de Segurança Aeroespacial da Boeing, Don Newman, fez questão de conversar com o painel e enfatizar o compromisso da Boeing com a NASA e com a Starliner", disse Rominger. "O Escritório dos Astronautas também comentou que apreciou o fato de Don ter entrado em contato para reafirmar seu compromisso com uma operação segura da Starliner."
Imagem: Boeing
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| A espaçonave Starliner, da Boeing, repousa no deserto do White Sands Space Harbor após retornar da Estação Espacial Internacional para a Terra. |
O Tempo Está Se Esgotando
A missão de retorno aos voos da Starliner levanta dúvidas sobre quanto a NASA conseguirá utilizar o veículo antes da aposentadoria da Estação Espacial Internacional (ISS).
Durante a reunião do ASAP na segunda-feira, a Tenente-General Susan Helms (aposentada da Força Aérea dos Estados Unidos), presidente do painel e ex-comandante da 45ª Ala Espacial, afirmou que, embora a ISS esteja prevista para permanecer em operação pelo menos até 2030, os vazamentos contínuos no segmento russo representam "um dos riscos de segurança mais significativos para o programa".
Ela também destacou que os equipamentos dos trajes espaciais, com mais de 40 anos de uso, tornam cada vez mais desafiadora a realização das próximas atividades extraveiculares (caminhadas espaciais). Helms observou, entretanto, que existe "um sólido plano de extensão da vida útil" desses equipamentos.
"Paralelamente às demandas operacionais e aos desafios de gerenciamento desses riscos, existe a tentação de reduzir o orçamento da ISS, mas o painel alerta que tais tentações devem ser ignoradas à medida que os orçamentos diminuem", afirmou Helms.
"Está cada vez mais difícil para a NASA garantir que os riscos da ISS permaneçam administráveis para as operações diárias, com margem suficiente para contingências. A equipe do programa da ISS continua realizando um trabalho excepcional na gestão desses riscos, mas essa margem foi reduzida a um nível preocupante."
Em novembro de 2025, a NASA reduziu de seis para quatro o número definitivo de missões previstas para a Boeing transportar seus astronautas de e para a estação espacial com segurança. Posteriormente, em um documento de contratação publicado em maio de 2026, a agência informou que acrescentaria mais seis Missões Pós-Certificação (Post-Certification Missions – PCMs) à SpaceX, destacando a deficiência causada pelo atraso na certificação da Starliner para voos tripulados.
"É necessário conceder missões adicionais de Pós-Certificação à SpaceX devido à recente redução da duração das missões da ISS; aos problemas técnicos e atrasos no cronograma enfrentados pela Boeing; à distribuição das missões entre Boeing e SpaceX; às projeções da NASA sobre quando um sistema alternativo de transporte de tripulação (Crew Transportation System – CTS) poderá estar disponível; e aos desafios técnicos contínuos para manter uma capacidade confiável de transporte tripulado para a ISS", escreveu a NASA.
"A concessão de missões adicionais à SpaceX é essencial para que a NASA cumpra sua responsabilidade de manter acesso ininterrupto por meio de voos para a operação segura da ISS e para proteger o programa contra possíveis anomalias, incidentes e fatores externos imprevistos."
Atualmente, a missão SpaceX Crew-13 está programada para ser lançada em setembro, antecipando a janela originalmente prevista para novembro, "a fim de aumentar a frequência das missões norte-americanas de rotação de tripulação para a estação espacial".
Brazilian Space
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