Raupp e a Profecia de Desmonte da ETE (INPE) e do IAE

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo postado hoje (11/05) no jornal informativo “Rapidinha” do Sindicato dos Servidores Públicos Federais na Área de C&T (SindCT) fazendo uma análise crítica e negativa quanto a intenção do governo em atrair um main-contractor para o “Programa Espacial Brasileiro (PEB)”.

Duda Falcão

Denúncia

Raupp e a Profecia de Desmonte da
ETE (INPE) e do IAE (DCTA)

Informativo Rapidinha
11/05/2011

Na última sexta-feira, 6 de maio, Marco Antônio Raupp, Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), realizou reunião no Parque Tecnológico de São José dos Campos com empresários do setor aeroespacial, inclusa em especial a Embraer. Contou também com as presenças do diretor do INPE, do deputado Federal Carlinhos de Almeida e do secretário executivo do Ministério da C&T Luiz Antônio Elias, braço direito de Mercadante e o segundo homem na hierarquia do Ministério da C&T.

Na ocasião, o presidente da AEB defendeu proposta de a Embraer ser o Main-contractor do programa espacial brasileiro, ou seja, a empresa assumiria que a AEB tem a sua disposição e onde a Embraer assumiria as funções hoje desempenhadas pelo INPE e IAE nos futuros (e porque não?) nos atuais projetos de satélites. Tudo nos leva a crer e convergir, foguetes de lançamento também.

Main-contractor é o
elemento, empresa ou indivíduo
responsável pelo comando de
um projeto; contratará a seu
critério empresas e pessoas
numa linha de terceirização,
quarteirização e por aí vai, a
seu gosto e vontade. Ditará as
regras e cronogramas e para
isso evidentemente cobrará seu
preço para este serviço.

Fonte do SindCT informa que a Embraer demonstra que se tiver boa motivação financeira aceita participar. Sendo verdadeira esta afirmação, nos deixa em total alerta, já que tem gente por este Brasil afora que para entregar o dinheiro público para empresários ou outros, não tem nenhuma cerimônia. Como diz a expressão popular “pagando bem, que mal tem”. Fará seu trabalho.

Conforme nós do SindCT estamos denunciando nestes últimos anos, tudo indica que foi dada “ordem” de desmontar o INPE e o DCTA, não abrindo concursos, não dando aumentos salariais, não liberando recursos, restringindo as áreas de atuação, travando os projetos e desqualificando o único coletivo humano competente para a missão espacial. Quando o Raupp disse em aula magna na academia de ciências que “primeiro deve ser acertado com as indústrias a participação delas, para depois pensar em concursos públicos (para o setor espacial)” demonstrou, de modo direto e a nosso ver, que INPE e IAE são segundo plano, substituíveis. Raupp não conhece o que está em andamento nos institutos, sua falta de pessoal e outras mazelas, ou então finge quando, em outros auditórios e públicos, fala da falta de pessoal. E agora?

O que fica claro é : Faça-se o leilão, e só aí, se sobrar algo, se pense em INPE e DCTA. Convém observar que a missão espacial está atrasada não por culpa dos servidores que restam nas instituições, nem por culpa da vocação institucional, mas por culpa da falta de vontade política dos governos nos últimos 20 anos em se fazer ciência e tecnologia espacial.

Falta coragem para haver e fazer um programa espacial. Durante os governos de Lula e FHC, as poucas contratações que ocorreram foram minúsculas, insuficientes ínfimas, se comparadas as nossas necessidades de pessoal. Os salários congelados até ao final do governo Lula, quando pudemos respirar financeiramente, quando nos posicionamos abaixo do regular para as atividades e responsabilidades. A culpa pelo atraso passa pelos diversos governos nos quais o programa espacial foi mal conduzido.

A questão deste atraso tecnológico e deste desmanche passa também pelas direções, tanto do DCTA quanto do INPE.

Nos últimos 5 anos a direção do INPE só vê a instituição como um centro do tipo NOAA americano (sempre querendo imitar), desmontando e descaracterizando setores como a Engenharia e os laboratórios; criando chefes para que sejam seus subordinados submissos; com o diretor a massagear ego de ministros, melhorando às custas de nossa tragédia a sua imagem de administrador de política espacial. Quer sair bem nas fotos, sempre. Porquê nunca se fez, ou se pensou em fazer uma auditoria nos contratos da plataforma multimissão e nos contratos do CBERS, nos cronogramas e fornecimentos.

No DCTA a situação trágica que a comunidade e os programas vivem, além do desmanche que os governos impuseram e já citamos no parágrafo anterior, passa por outra questão: muitos têm medo de criticar o gerenciamento do programa de lançadores.

O diretor geral no DCTA fica um, dois anos (em alguns casos só meses) e vai seguir sua carreira em outra unidade com outra missão; o mesmo ocorre com outros militares chefes de institutos e de divisões. Cumprem o tempo regimental, recebem a promoção e são transferidos para outro local e missão que não a de C&T; (A carreira militar é assim, a pessoa que optou por ela, segue o que a carreira e hierarquia determinam). A C&T fica em segundo plano. Tem-se ou não esta visão?

Não temos gerentes civis no DCTA, não temos elementos em posições chave e de “palavra final” que não seja militar; quase sempre de perfil temporário nos Institutos. (a casa é militar mas o gerenciamento poderia ser feito por servidores que têm experiência e mais competência institucional, ou seja, por aqueles que estejam efetivamente dentro dos projetos ao longo dos duros anos de DCTA).

Com Raupp na direção da AEB, controlando os recursos do INPE e IAE no programa espacial, consolida-se o GRAN FINALE do setor espacial do governo do BRASIL.

Será mais fácil, menos trabalhoso e mais barato comprarmos um satélite e um lançamento quando desejarmos e nos permitirem, de um de nossos quase falidos feitores internacionais. A soberania e a defesa estratégica? Ora, isso se resolve com a nossa total submissão, nativos tupiniquins que somos.

O leilão só está começando. Façam seus lances.


Fonte: Jornal Informativo “Rapidinha” do SindCT - pág. 01 - 11/05/2011

Comentário: O objetivo da existência do blog BRAZILIAN SPACE é divulgar a notícia sobre o PEB e suas ciências correlatas mesmo que não concordemos com o seu teor. Apesar do autor desse texto do SindCT apresentar algumas verdades, não concordamos de que a participação da EMBRAER como main-contractor seja algo ruim, muito pelo contrário e muito menos que signifique o desmonte do INPE e do DCTA, como o mesmo parece sugerir. Esse modelo é adotado pela NASA em diversos de seus projetos onde instituições (laboratórios e institutos) da mesma trabalham em conjunto com o main-contractor. Porém, em nossa opinião nos EUA a coisa funciona bem devido à seriedade das pessoas envolvidas e no Brasil esse fato é muito discutível. A idéia do Rauppjet será muito bem vinda, desde que seja conduzida de forma que o único beneficiado no final das contas seja o "Programa Espacial Brasileiro".

Comentários

  1. Acho que o que esta faltando no Brasil é justamente isso um main-contractor, creio que uma empresa do porte da EMBRAER tem muito mais agilidade na hora pesquisar ,construir ,comprar ,burocraticamete falando ,a burocracia do setor publico que acaba atrasando os projetos ,lembrado que a Odebrecht pode se tornar um main-contractor também depois que a Mectron foi adquirida , isso pode influenciar ,além dela já estar envolvida no projeto da construção do submarino nuclear ,que não tem muita coisa haver com tecnologia espacial , mas o conhecimento adquirido com o projeto do submarino ,do estaleiro e da base naval pode ser util na area espacial , a Odebrecht formou um joint venture com a EADS Defence & Security , acho que isso pode mudar completamente o PEB .

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  2. Também acho André,

    Porém o modelo adotado tem de ser o usado pelos americanos, ou seja, institutos governamentais trabalhando em conjunto com o main-contractor, entende? Entretanto isso só funciona de verdade se feito com seriedade e é ai que está o problema.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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