Pesquisa de Pesquisadores da Universidade Dartmouth (EUA) Aponta Que Buracos Negros Podem Fomentar a Vida Galáxia Afora

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[Imagem: NOIRLab/NSF/AURA/J. daSilva/M. Zamani]
Você não vai querer ficar perto de um buraco negro, mas se ele estiver longe o suficiente pode até ajudar no desenvolvimento da vida.

No dia de ontem (27/03), o portal Inovação Tecnológica informou que um novo estudo de pesquisadores da Universidade Dartmouth, nos EUA aponta que Buracos Negros podem fomentar a vida galáxia afora.
 
No centro da maioria das grandes galáxias, incluindo a nossa Via Láctea, há um buraco negro supermassivo. Eventualmente, gás interestelar fica ao alcance desses poços sem fundo, mudando o buraco negro para o modo núcleo galáctico ativo (AGN), que dispara radiação de alta energia em feixes que alcançam toda a galáxia.
 
Não é um ambiente bom para se ficar, por isso não deixa de ser surpreendente a conexão que Kendall Sippy e colegas da Universidade Dartmouth, nos EUA, estão fazendo.
 
A pesquisa teórica da equipe revela a possibilidade de que a radiação emitida por esses núcleos galácticos ativos pode ter como efeito "nutrir" a vida pela galáxia - bem longe do buraco negro, é certo, quando a radiação atinge planetas distantes.
 
É a primeira vez que alguém se propõe a medir - por meio de simulações de computador - como a radiação ultravioleta de um núcleo galáctico ativo pode transformar a atmosfera de um planeta para ajudar ou atrapalhar a vida.
 
Os resultados foram consistentes com estudos que analisam os efeitos da radiação solar, mostrando que os benefícios - ou danos - dependem de quão perto o planeta está da fonte da radiação e se a vida já ganhou um ponto de apoio. Perto demais, e a radiação elimina qualquer esperança de que a vida floresça. Mas, na distância certa, a vida pode se beneficiar da radiação do buraco negro.
 
"Uma vez que a vida existe e oxigenou a atmosfera, a radiação se torna menos devastadora e possivelmente até uma coisa boa," disse Sippy. "Uma vez que essa ponte é cruzada, o planeta se torna mais resiliente à radiação UV e protegido de potenciais eventos de extinção."
 
[Imagem: ESO/M. Kornmesser]
Recentemente astrônomos flagraram um buraco negro entrando no modo núcleo galáctico ativo.

Os pesquisadores simularam os efeitos da radiação do núcleo galáctico ativo não apenas na Terra, mas também em planetas semelhantes à Terra de composição atmosférica variada. Se o oxigênio já estiver presente, a radiação desencadeia reações químicas, fazendo com que a camada protetora de ozônio do planeta cresça - quanto mais oxigenada a atmosfera, maior é o efeito.
 
A luz de alta energia reage prontamente com o oxigênio (O2), dividindo a molécula em átomos individuais que se recombinam para formar ozônio (O3). À medida que o ozônio se acumula na atmosfera superior, ele desvia mais e mais radiação perigosa de volta para o espaço.
 
A Terra deve seu clima favorável a um processo semelhante, que aconteceu há cerca de 2 bilhões de anos, quando do surgimento dos primeiros micróbios produtores de oxigênio. A radiação do Sol ajudou a vida incipiente da Terra a oxigenar e adicionar ozônio à atmosfera. À medida que o manto protetor de ozônio do nosso planeta engrossava, isso permitiu que a vida florescesse, produzindo mais oxigênio e ainda mais ozônio. Sob a hipótese de Gaia, esses ciclos de retroalimentação benéficos permitiram que a vida complexa emergisse.
 
A Terra não está perto o suficiente do seu buraco negro galáctico, Sagitário A*, para sentir seus efeitos, mesmo no modo de núcleo galáctico ativo. Mas as simulações mostraram que o mesmo que aconteceu na Terra sob influência do Sol pode acontecer em um planeta que esteja muito mais perto de um núcleo galáctico ativo hipotético - especificamente, em um planeta exposto a uma radiação bilhões de vezes maior do que a Terra em relação ao Sagitário A*.
 
Mas, além da distância do planeta ao buraco negro, o efeito depende também do formato da galáxia. As estrelas e seus planetas em galáxias mais massivas com uma forma elíptica, como a Messier-87, ou nossa espiral Via Láctea, estão mais espalhadas e, portanto, mais longe da radiação do buraco negro, o que significa que é mais provável que alguma eventual forma de vida se beneficie dessa radiação, em vez de ser dizimada por ela.
 
Saibam Mais:
 
Autores: Kendall I. Sippy, Jake K. Eager-Nash, Ryan C. Hickox, Nathan J. Mayne, McKinley C. Brumback
Revista: The Astrophysical Journal
Vol.: 980, Number 2
DOI: 10.3847/1538-4357/adac5d
 
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