quinta-feira, 14 de julho de 2016

Amazônia-1 Pode Ser Lançado em 2018, Mas Ainda Falta Contrato Com Lançador

Olá leitor!

Trago agora mais uma notícia postado na edição de junho/julho do “Jornal do SindCT”, destacando que o Satélite Amazônia-1 poderá ser lançado em 2018, mas ainda depende do contrato com o lançador.

Duda Falcão

CIÊNCIA & TECNOLOGIA

É PRECISO ENCOMENDAR ATÉ DEZEMBRO DE 2016

Amazônia-1 Pode Ser Lançado em 2018,
Mas Ainda Falta Contrato Com Lançador

O projeto avançou neste ano, porque foi superado o impasse com a
Mectron (do grupo Odebrecht). Após a saída da empresa por vias
judiciais, a AEB definiu que a Potência e a TT&C, que dependiam
dela, seriam compradas prontas da indústria.

Shirley Marciano
Jornal do SindCT
Edição nº 48
Junho/ Julho de 2016

Foto: Shirley Marciano
Adenílson da Silva

O satélite Amazônia-1, baseado sob uma Plataforma Multimissão (PMM), é o primeiro satélite inteiramente brasileiro estabilizado em três eixos. Isso significa maior autonomia para movimentar o satélite em órbita, através de comandos em solo. A previsão é de que seja lançado em 2018, conforme um cronograma bastante otimista, elaborado por seus responsáveis. A equipe que trabalha neste satélite enfrentará grandes desafios, entre os quais a contratação do lançador, que tem que ser encomendado até dezembro de 2016, porque é necessária uma antecedência mínima de dois anos. Ainda não há recurso disponibilizado para essa finalidade.

O lado positivo é que o projeto avançou no último ano, porque foi superado o impasse com a empresa Mectron-Odebrecht, integrante do consórcio contratado, do qual também faziam parte outras duas empresas: Fibraforte e Cenic. Ambas já entregaram os subsistemas que lhes cabia produzir. Após a saída da Mectron, que se deu por vias judiciais, a Agência Espacial Brasileira (AEB) definiu que as partes que dependiam desta empresa — Potência e Telemetria e Telecomando (TT&C) — seriam compradas prontas da indústria, e não mais desenvolvidas, para evitar mais atraso. Em 2014, o Tribunal de Contas da União (TCU) orientou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a AEB a realizarem a compra por intermédio da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (FUNCATE). Ela já finalizou o pregão e contratou, utilizando uma empresa intermediária. Os primeiros modelos da Potência e da TT&C serão entregues daqui a dez meses.

A PMM começou a ser desenvolvida em 2001, mas não havia uma missão definida para ela, explica Adenílson Roberto da Silva, gerente do Amazônia-1. “Somente em 2008 decidiu--se por desenvolver um satélite, utilizando a PMM. É muito comum a confusão de acharem que o Amazônia-1 está sendo feito desde 2001. Isso não é verdade. Mas é correto afirmar que quando se trata de desenvolvimento, como é o caso do Amazônia-1 e da PMM, utilize-se um tempo maior. Mas, depois de dominada a tecnologia, fica extremamente mais rápido para fazer um novo modelo”, esclarece.

Salto Tecnológico

O Amazônia-1, se concluído com sucesso, trará ao Brasil um salto tecnológico importante, garante Adenílson. A PMM, por exemplo, poderá ser usada em outros projetos, o que otimiza tempo e verbas para qualificação. O ACDH, que é o sistema de controle do satélite, também é um avanço significativo. Adquirido em 2011 da INVAP, empresa estatal argentina, no acordo de compra constou transferência de tecnologia. “Posso afirmar que esse conhecimento foi absorvido em quase 100%. Nós temos o projeto e podemos mandar fazer outros, se quisermos”, diz.

No Programa Sino-Brasileiro para Recursos Terrestres, o CBERS, o ACDH ficou a cargo da China. Nos Satélites de Coleta de Dados, SCD 1 e 2, ambos lançados nos anos 1990, não havia essa tecnologia porque sua estabilização se dá por um sistema bem mais simples, o chamado Spin (rotação contínua no próprio eixo). Outro avanço é com a parte de cablagem espacial, que nunca foi realizada pelo Brasil neste nível de complexidade.

“Além dos subsistemas, um outro ganho importante será na parte de Tomada de Decisão, que é o estabelecimento prévio de uma lógica para solução de problemas, que são acionados, via controle em solo, para consertar algo no satélite em órbita. Outra oportunidade diz respeito a integração e teste, que serão inteiramente realizados aqui mesmo no INPE”, ressalta Adenílson. “Estamos bastante otimistas e vamos fazer de tudo para que possamos conseguir finalmente lançar o Amazônia- 1. O pessoal está empenhado e trabalhando bastante”, acrescenta Amauri Montes, coordenador-geral da Engenharia do INPE.

Cronograma do Amazônia-1, Incluída a PMM

SADA - Controla o posicionamento do Painel Solar. Poderá ser necessário recondicioná-lo. Previsão: entrega do relatório da empresa até o final de junho de 2016.

ACDH. Foram adquiridos da Argentina dois modelos de voo completos. O contrato com a INVAP encerra-se em julho de 2016.

Lançador. Tem que ser contratado com dois anos de antecedência, isto é: até dezembro de 2016.

Cablagem. Término da fabricação da cablagem espacial. Esse processo ficou parado porque dependia da Potência. Previsão: dezembro/2016.

AWDT. É o transmissor de dados da carga útil. Previsão: término do contrato em abril de 2017.

Potência. Previsão: primeiros modelos serão recebidos em abril de 2017.

DC/DC. Haverá um retrabalho para adaptação das Potências.

TT&C. Previsão: primeiros modelos serão recebidos em abril de 2017.

Teste do modelo elétrico. Depende da cablagem. Previsão: até agosto de 2017.

CDR. Revisão Crítica do Projeto. Previsão: outubro de 2017.

Testes Ambientais. Simulações de vibração no momento do lançamento e das condições espaciais. Previsão: junho de 2018.

WFI. Pretendia-se produzir uma versão mais avançada da câmera WFI, mas resolveu-se usar o mesmo modelo do CBERS. Precisará ser adquirida uma interface da WFI com o satélite, que é o chamado RTU. Sem previsão.

Baterias. As baterias deverão ser substituídas, mas serão adquiridas por último.

Integração. Previsão: começa em novembro de 2017 e deve durar de 8 a 9 meses.

FRR. Revisão final. Previsão: agosto de 2018.

Lançamento. Previsão: Dezembro de 2018


Fonte: Jornal do SindCT - Edição 48ª – Junho/Julho de 2016

Comentário: Bem leitor o senhor Adenilson da Silva não contou a história toda. Na realidade com o fim do Projeto do VLS-1, o Satélite Amazônia-1 na atualidade é a maior novela do Programa Espacial Brasileiro (existem outras, SABIA-Mar, MIRAX, EQUARS, enfim...). Na concepção atual do projeto ele pode ter sido iniciado em 2001 e modificado para ser usado com a PMM em 2008, como disse o pesquisador do INPE. Entretanto, o projeto do Satélite Amazônia-1 remota aos anos inicias da antiga MECB (Missão Espacial Completa Brasileira) quando na época era conhecido pelo nome de SSR-1 (Satélite de Sensoriamento Remoto-1). O Blog BRAZILIAN SPACE ficará na torcida para que essa novela seja encerrada mesmo em 2018, mas sinceramente na atual conjuntura não acreditamos nisto, apesar do otimismo demonstrado pelo pesquisador do INPE.

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