Blog Entrevista Novo Gerente do Projeto SARA
Olá leitor!
O Blog “BRAZILIAN SPACE” vem apresentando
dentro do possível uma série de entrevistas com personalidades públicas e
privadas que trabalham ou já trabalharam nas atividades de ciência e tecnologias
espaciais no Brasil.
Diante disto,
no dia de hoje trazemos para você leitor uma pequena e interessante entrevista com
o Mj. Élcio Jerônimo de Oliveira, pesquisador militar ligado ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), onde exerce atualmente a
gerencia do Projeto SARA.
Com a estimável
ajuda da “Seção de Comunicação Social –
SCS” do IAE na pessoa da Sra. Ana Cristina Camargo Santanna,
trago para você agora leitor esta interessante entrevista com o Mj. Élcio de Oliveira, onde o mesmo confirma
que as equipes do IAE e das empresas parceiras envolvidas no
projeto estão trabalhando em um esforço concentrado para o lançarem o tão esperado
“SARA Suborbital I” na segunda metade de setembro desse ano, o
que é uma excelente notícia (caso realmente venha a se concretizar), além de
esclarecer diversas outras dúvidas desse projeto, e de acrescentar outras informações
muito interessantes sobre as possibilidades futuras do mesmo. Vale a pena dar
uma conferida.
Aproveito para agradecer ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), a Sra. Ana Cristina Camargo Santanna e ao Mj. Élcio Jerônimo de Oliveira por mais uma vez ter atendido ao Blog BRAZILIAN SACE com atenção.
BRAZILIAN SPACE: MJ. Élcio de Oliveira, para
aqueles leitores que ainda não o conhecem nos fale sobre o senhor, sua idade,
formação, onde nasceu e desde quando atua no Instituto de Aeronáutica e Espaço
(IAE)?
MJ. ÉLCIO JERONIMO DE OLIVEIRA: Sou natural do Rio de Janeiro e
tenho 46 anos. Sou graduado em Física pela UFRJ e Tecnólogo em Comunicações
Aeronáuticas pelo CIAAR; possuo MBA em Gestão Pública pela UNIFA, Mestrado em
Engenharia Submarina pela COPPE/UFRJ, Doutorado em Engenharia e Tecnologia
Espacial pelo INPE e Pós-doutorado em Engenharia Aeroespacial pela Universidade
de Roma – La Sapienza. Atuo no Instituto de Aeronáutica e Espaço desde 2007 na
Divisão de Sistemas Espaciais.
BRAZILIAN SPACE: Mj. Élcio, temos recebido
e-mails de leitores nos questionando quando será realizado o voo do “SARA
Suborbital I”? Já existe uma previsão para este lançamento?
MJ. ÉLCIO DE OLIVEIRA: Sim, já existe uma previsão para o
lançamento. Nesta fase final do projeto, que não envolve somente o SARA, mas
também o veículo VS-40M e toda a logística para a campanha, todas as equipes do
IAE e empresas parceiras envolvidas estão trabalhando em um esforço concentrado
para que esse lançamento ocorra na segunda metade de setembro de 2015.
BRAZILIAN
SPACE: Mj. Élcio, a missão do “SARA Suborbital I” levará ao espaço algum
experimento que não esteja diretamente ligado as atividades do Projeto SARA? E
Caso sim qual seria este experimento?
MJ. ÉLCIO DE OLIVEIRA: Em linhas gerais, o projeto SARA foi
concebido e desenvolvido para dotar o país de uma plataforma para a realização
de experimentos em ambiente de microgravidade. No entanto, neste primeiro voo,
o módulo SARA, além de ser avaliado em termos de sua funcionalidade, levará a
bordo, também para testes, um protótipo de uma unidade inercial desenvolvida
pelo IAE.
BRAZILIAN
SPACE: Mj. Élcio, segundo o planejamento anterior a este novo PNAE o Projeto
SARA estava dividido em quatro fases, sendo duas suborbitais que seriam
atendidas por foguetes VS-40 e duas orbitais que seriam inicialmente atendidas
pelo VLS-1. Continua sendo esta a
intenção do IAE, ou haverá mudanças neste planejamento?
MJ. ELCIO DE OLIVEIRA: Realmente o projeto SARA está dividido
nestas quatro fases. Neste ano de 2015 encerraremos a primeira delas, ou seja,
o SARA suborbital 1. O desenvolvimento da fase 2 (suborbital 2) dependerá, em
muito, dos resultados obtidos durante a execução do voo suborbital 1. Isto
porque todos os sistemas serão testados e avaliados e, se for o caso,
identificado eventuais necessidades de correção para o voo suborbital 2.
Permanece, ainda, o VS-40 como vetor para o voo suborbital 2. Para as fases 3 e
4 (orbitais), dependendo das análises futuras, poderá ser alterado o vetor para
o SARA passando do VLS-1 para o VLM. De qualquer modo, as fases 2, 3 e 4
dependem da alocação dos recursos previstos para as respectivas execuções.
BRAZILIAN SPACE: Mj. Élcio, com o lançamento do
“SARA Suborbital I” (esperamos bem sucedido) numa previsão otimista, quando o
passo seguinte, ou seja, o “SARA Suborbital II”, poderá ser lançado ao espaço?
MJ. ELCIO DE OLIVEIRA: Primeiro temos que ter em mente que todos
os avanços no campo científico-tecnológico dependem dos
resultados dos estudos e testes realizados, além de um fluxo de caixa que garanta
a execução de todas as etapas do projeto sem interrupções. Considerando, agora,
que a missão suborbital 1 será bem-sucedida, e que os resultados e as lições
aprendidas nos garantirão avançar para a próxima fase do projeto sem alterações
muito profundas e, ainda, que haverá um aporte financeiro dimensionado para
todas as etapas do projeto, acredito que no máximo em cinco anos poderemos
lançar o SARA suborbital 2.
BRAZILIAN SPACE: Mj. Elcio tem aparecido nos
últimos anos alguns projetos de outras instituições fora do IAE que tem como
tema o Projeto SARA. Como exemplo, o projeto da UnB de um propulsor híbrido
para o SARA Orbital, bem como uma interessantíssima proposta intitulada “SARA: Rendezvous and Docking - A Next
Step of Development & Application” que trata da continuação do Projeto SARA
após o lançamento do SARA Orbital II, tendo em vista o uso dessa pequena
cápsula orbital em missões de acoplagem com outros objetos no espaço. Como o
IAE vê essas iniciativas? Existe o real interesse do instituto em
aproveitá-las?
MJ. ELCIO DE OLIVEIRA: A visão do IAE com relação ao projeto SARA,
até o presente momento, é aquela que está descrita no PNAE, onde não há
referências a aplicações especiais do projeto SARA como o “Rendezvous and
Docking”. Entretanto, essa visão pode ser redefinida ao longo das próximas
fases. Digo isto após participar, juntamente com o Dr. Ijar do ITA, de uma
reunião no último IAF em Paris, onde os pesquisadores da área de robótica e
estruturas espaciais da Universidade de
Roma mostraram grande interesse em uma cooperação. Nesta parceria, o
objetivo final seria adaptar o conceito do SARA para realizar operações de
“Rendezvous and Docking” com a utilização de braços robóticos, seguindo uma
linha de pesquisa já em andamento na Universidade de Roma em parceria com a
ESA.
BRAZILIAN SPACE: Finalizando Mj. Elcio, o senhor
teria algo a mais a dizer aos nossos leitores?
MJ. ELCIO DE OLIVEIRA: Em primeiro lugar quero, em nome do IAE,
agradecer a este canal pela oportunidade de divulgar nosso trabalho e, também,
a todos os seus ávidos leitores, pelo apoio e interesse em nossas conquistas.
Aos prezados
leitores quero destacar o empenho e a dedicação das equipes do VS-40 e da
coordenação de missão, pois sem eles não haveria sequer a possibilidade de
lançamento do SARA. Não posso, também, deixar de ressaltar o valoroso trabalho
realizado pelos gerentes que me antecederam no Projeto SARA, principalmente
pelo seu idealizador Dr. Paulo Moraes in memoriam. Por fim, deixo a seguinte mensagem:
Continuem acreditando e incentivando o programa espacial brasileiro, pois nosso
país tem o potencial necessário para ocupar o lugar de destaque merecido nesse
campo.
" UMA PORÇÃO DE ESPERANÇA NO FIM DO TÚNEL"
ResponderExcluirNossa busca pelo aperfeiçoamento, evolução é uma escada sem fim, cujos primeiros degraus foram cimentadas pelo arrojo e determinação das muitas gerações que por aqui passaram. Em memória, toda a HONRA, toda á glória para o Dr. PAULO MORAES. Eu, diretor do Grupo CEFAB, tive essa honra, a quase 45 anos atrás, no IAE, ser mais um aluno, onde preparamos e lançamos o Foguete Experimental X-1. Cabe a todos pesquisadores remanscentes nesse projeto, conduzir esse legado em prol do PEB. Os cientistas do projeto SARA, deve elevar-se acima dos 100 km, no limiar do espaço, ao topo da atmosfera e além, para assim somente entender na totalidade o mundo em que vivemos.
Parabéns por mais essa grande entrevista, assim como todas as outras anteriores. Sempre muito elucidativas. E vamos rezar para que tudo dê certo e que possamos evoluir e nos tornarmos independentes na pesquisa em microgravidade. E quanto a utilizar o VLM(nas missões futuras do SARA) ao invés do VLS é uma sábia escolha uma vez que provavelmente o VLM será lançado nos provavelmente próximos 5 anos... Já o VLS.. só Deus sabe.
ResponderExcluirAbs,
Felipe Dias
Olá outra vez,
ResponderExcluirEu li uma notícia interessante sobre possíveis joint ventures entre o Brasil e a França ou outros países. Leia no link abaixo:
http://www.portugues.rfi.fr/brasil/20150512-brasil-estudara-proposta-de-parceria-com-airbus-para-lancamento-de-satelites