I Encontro Internacional de Ciência do Telescópio SOAR

Olá leitor!

Segue abaixo um artigo publicado no informativo “LNA em Dia” de (14/06), dando destaque ao “I Simpósio Internacional de Ciência do Telescópio SOAR (FISSS2011)” ocorrido em Maresias (SP) de 15 a 19/03/2011.

Duda Falcão

Primeiro Encontro Internacional de
Ciência com o Telescópio SOAR

Alberto Rodríguez Ardila

Aconteceu, durante o período de 15 a 19 de maio, o Primeiro Simpósio Internacional de Ciência do Telescópio SOAR (FISSS2011) em Maresias, SP. O evento reuniu, pela primeira vez, 67 participantes entre usuários, membros do Conselho Diretor, membros do Comitê de Assessoramento de Ciência, astrônomos residentes e instrumentistas, com o intuito de destacar os principais resultados obtidos com o Telescópio, discutir os problemas mais relevantes do Observatório e sua instrumentação, e delinear programas científicos promissores no futuro. O encontro foi, também, uma oportunidade ímpar para discutir o desempenho da atual instrumentação, as expectativas em relação a esta, e o estado de construção/comissionamento do SIFS, SAM, BTFI e STELES.

O Simpósio foi oficialmente aberto na segunda-feira, com os discursos de boas vindas de Steve Heathcote, Diretor Geral do Telescópio SOAR, e Albert Bruch, na época Diretor do LNA, que destacaram a enorme importância do encontro como painel de discussão e oportunidade para ouvir a Comunidade, tanto do ponto de vista de resultados obtidos como de necessidades atuais/futuras. Ao longo desse dia, e na terça-feira seguinte, os participantes tiveram a oportunidade de conferir, diretamente dos próprios protagonistas, os resultados científicos mais relevantes obtidos com o Telescópio e sua instrumentação atual. Os assuntos, apresentados por área de conhecimento, mostraram a capacidade do SOAR em produzir resultados de ponta em assuntos tão diversos como arcos gravitacionais, levantamentos de galáxias, estrelas massivas e simbióticas, anãs brancas, nebulosas planetárias e asteróides, entre outros. Ainda é importante destacar o espaço que foi dado aos 40 pôsteres expostos, em que cada participante foi convidado a apresentar, sucintamente perante a platéia, os resultados mais relevantes do seu trabalho.

O terceiro dia foi dedicado a instrumentação e redução de dados. Ao longo das sessões foi detalhado o estado do telescópio e a atual instrumentação (SOI, Goodman, OSIRIS e Spartan). Ed Loh, cientista responsável pela câmera infravermelha Spartan, atualmente fora de operação, discursou sobre os problemas no instrumento que afetam as observações e as formas de corrigir/minizar seus efeitos. Brad Barlow, da UNC, descreveu os principais problemas do espectrógrafo Goodman e as melhoras conseguidas após a engenharia realizada em começos desse ano. Os principais destaques são no aumento da eficiência da câmera (em média, de ~25% em relação ao desempenho anterior) e as oportunidades de ciência com a nova rede de 2100 l/mm. Mostrou, também, a presença de luz parasita que incide no detector e o método que deve ser adotado afim de eliminá-la das observações.

No que se refere aos instrumentos atualmente em comissionamento ou construção, Andrei Tokovinin, do SOAR e cientista responsável pelo SAM (SOAR Adaptive Optics Module), descreveu os avanços obtidos durante o comissionamento desse módulo, o estado atual, o quê esperar dele uma vez em funcionamento assim como exemplos de ciência que serão possíveis realizar com a combinação SOAR/SAM. Bruno Castilho, do LNA, apresentou o estado de construção do espectrógrafo de alta resolução STELES, cuja finalização está prevista para 2012, e o comissionamento do SIFS, que deve começar na segunda metade desse ano. Claudia Mendes, do IAG, descreveu o BTFI (Brazilian Tunable Filter Imager) e os nichos de ciência em que pode contribuir fortemente assim como os problemas recentes com esse instrumento e as perspectivas futuras. A previsão é que o módulo de baixa resolução do BTFI entre em funcionamento no final de 2011.

O último dia, dedicado ao futuro do SOAR, teve as apresentações de David Wittman, do LSST, que falou das oportunidades de follow-up com o SOAR assim que o LSST entrar em funcionamento; Chris Smith, do NOAO, que discursou sobre a importância do SOAR dentro do conjunto de telescópios da classe de 4 m nos Estados Unidos, e Albert Bruch, do LNA, em cuja intervenção destacou o SOAR dentro do contexto da astronomia Brasileira. Um painel de discussão, com participação da comunidade presente, e liderado por Steve Heathcote, Chris Smith, Albert Bruch e Francisco Jablonski, foi o evento de encerramento do Simpósio. Esta última atividade foi pautada pela discussão sobre instrumentação futura, falta de mão de obra no SOAR que permita acelerar o comissionamento e optimização do conjunto Telescópio/ instrumentos e a necessidade de aumentar a taxa de publicações baseadas em dados coletados no Observatório, atualmente considerada baixa, quando comparada com telescópios de porte similar.

Rodeados de uma paisagem deslumbrante e em uma atmosfera informal, o FISSS2011 cumpriu seus objetivos, tendo conseguido reunir em um único espaço os principais protagonistas de uma das empreitadas que tem permitido ao Brasil atingir uma posição de destaque na astronomia internacional. Ficou evidente o papel que o SOAR tem no país, não só no desenvolvimento de instrumentação de ponta, senão também como ferramenta de pesquisa e de formação de recursos humanos da mais alta qualidade. As oportunidades que se aproximam assim que os novos instrumentos entrarem em pleno funcionamento são enormes, permitindo explorar novos nichos de ciência, atualmente restritos ou contidos pela falta de instrumentação apropriada.

O FISSS2011 não teria sido possível sem o apoio dado pelo INCT-A, o LNA, e o CNPq. O Comitê organizador local agradece a todos os participantes pelo engajamento e entusiasmo demonstrados durante todo o evento.



Fonte: Informativo “LNA em Dia” do LNA - num. 19 - págs. 01 e 02 - 14/06/2011

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