Etanol no Espaço

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada hoje (13/06) no site “www.canalbioenergia.com.br” do Jornal Bioenergia destacando que o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) está desenvolvendo motor-foguete movido a etanol.

Duda Falcão

Foguete

Etanol no Espaço

Luisa Dias
13/06/2011

Depois de conquistar carros, motos e até ônibus, o etanol também será utilizado no abastecimento de foguetes. Este é o projeto inédito do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), que busca desenvolver foguetes abastecidos com o biocombustível nacional em substituição ao uso dos propulsores sólidos, alguns acrescidos de hidrazina, que é um componente importado e considerado corrosivo e tóxico.

Para impulsionar a produção do artefato no País, o IAE começou há cerca de 15 anos um programa de pesquisa baseado no etanol como combustível para os veículos espaciais. O projeto surgiu da necessidade de capacitar o instituto para operação, manuseio e lançamento de foguetes a propelente líquido, uma vez que, até o momento, todos os foguetes brasileiros utilizam exclusivamente propulsores sólidos.

“A idéia é a seqüência natural no desenvolvimento de motores para foguetes e visa verificar o desempenho do motor em condições de vôo e treinar equipes para operação e lançamento de veículos com propulsores líquidos”, afirma o coordenador da pesquisa, Coronel Santana Júnior. A concepção do foguete e o desenvolvimento são do IAE. Entretanto, partes desse novo foguete (sistema de alimentação e motor) estão sendo produzidos pela empresa Orbital, localizada em São José dos Campos, com recursos de subvenção FINEP (Financiadora Nacional de Estudos e Projetos).

Atualmente, estão sendo realizados ensaios em solo (ensaios hidráulicos, ensaios de resistência e ensaios de funcionalidade) com os componentes produzidos pela Orbital.

Tecnologia

O projeto do IAE prevê o domínio da tecnologia de propulsão líquida em foguetes de sondagem, representando um passo fundamental para o emprego desses motores em veículos lançadores de satélites, o que servirá para aumentar significativamente a carga útil e a precisão de inserção de satélites. O próximo passo da pesquisa é a conclusão de ensaios em solo para confirmação dos parâmetros de massa e propulsivos. “Somente de posse desses indicadores, comparando com os requisitos de um foguete, é que poderá ser confirmada a viabilidade e configuração de vôo, bem como a data de lançamento do foguete, pois depende de recursos da Agência Espacial Brasileira”, explica Santana sobre o prazo final da pesquisa.

A principal dificuldade, no momento, é a montagem de dispositivos que possibilitem os ensaios em solo, responsabilidade do IAE. Posteriormente, serão os dispositivos para lançamento. Assim, o atual conceito é utilizar o máximo possível os recursos existentes para lançamento dos foguetes de sondagem.

Em relação aos propulsores sólidos, as principais vantagens do etanol são o maior desempenho do propelente e a maior facilidade de controle de acionamento do motor. Com isso, o foguete adquire uma maior carga útil e maior precisão de inserção em órbita, respectivamente. “Mas o maior diferencial do uso do etanol, principalmente em relação ao uso de hidrazina, é a baixa toxicidade e a grande disponibilidade no País”, explica Santana.

Hoje, poucos foguetes comerciais ainda utilizam a hidrazina em seus propulsores. A hidrazina como propelente foi primeiramente usada na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial, em aeronaves militares. Durante o período da Guerra Fria, foi muito utilizada em mísseis balísticos intercontinentais, pois possui duas características essenciais para aplicações militares: prontidão de uso e estocabilidade. Isso decorre de sua capacidade de se inflamar espontaneamente, quando em contato com um agente oxidante ou catalítico, bem como de manter suas propriedades físico-químicas inalteradas por dezenas de anos, facilitando a sua estocagem.

O uso da hidrazina em foguetes é uma preocupação em todo mundo, por causa da toxicidade do produto. Para abastecer os tanques dos veículos espaciais, os técnicos usam roupas especiais para evitar a intoxicação. Na Europa, a Agência Espacial Européia (ESA) está buscando um substituto para o combustível, que seja menos perigoso e também mais limpo. O projeto é conduzido junto ao Grupo de Corporações Espaciais da Suécia e envolve também o desenvolvimento de propulsores que funcionem com um novo tipo de propelente.


Fonte: Site “www.canalbioenergia.com.br” do Jornal Bioenergia

Comentário: Só esclarecendo leitor o que não foi esclarecido pela matéria, ou seja, o motor movido a etanol que está sendo desenvolvido em parceria com a Orbital é o L15 e o foguete de sondagem em questão é o VS-15. Note a preocupação da matéria em citar a alta toxicidade dessa substancia “Hidrazina”, que os pseudos especialistas do governo, capitaneados na época pelo o irresponsável e incompetente Roberto Amaral elegeram como a que deveria ser usada no CLA, quando assinaram o acordo com a Ucrânia. Realmente temo pelo que possa acontecer no estado do Maranhão, pois os motores do trambolho ucraniano estarão cheios desta substância, sem contar o grande deposito dessa coisa que será construído no próprio sítio de lançamento. Como disse a matéria, realmente a “Hidrazina” tem a vantagem de manter suas propriedades físico-químicas inalteradas por dezenas de anos, facilitando a sua estocagem. Entretanto leitor, além de ser atualmente ecologicamente incorreto o emprego dessa substância em motores-foguetes, se essa vantagem fosse tão segura, os governos de outros países não estariam buscando soluções e se afastando cada vez mais do uso dessa substância tóxica. Vale lembrar também leitor que o IAE não é a única instituição do país que esta envolvida com o desenvolvimento de motores a etanol para foguetes. Vale citar o grande trabalho que vem sendo realizado nesta área pelo grupo paulista “Edge Of Space” que com recursos provenientes do programa PIPE da FAPESP vem desenvolvendo também essa tecnologia.

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