Falta de Domínio Tecnológico Atrasa Satélites Brasileiros

Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada hoje (12/06) no site da “Agência Brasil” destacando que a falta de domínio tecnológico atrasa lançamento de novos satélites brasileiros.

Duda Falcão

Pesquisa e Inovação

Falta de Domínio Tecnológico Atrasa
Lançamento de Novos Satélites Brasileiros

Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil
Edição: Graça Adjunto
12/06/2011 - 13:47

Brasília – O Brasil ainda não lançou o satélite de observação Amazônia 1, previsto inicialmente para abril de 2010, por falta de domínio tecnológico. De acordo com Marco Antônio Chamon, coordenador de Gestão Tecnológica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), “a adaptação da indústria nacional aos padrões espaciais foi mais demorada do que se imaginava inicialmente. As indústrias penaram para aprender como fazer”. O satélite, de 550 quilos, é totalmente brasileiro, feito sem parceria, e está em construção utilizando principalmente componentes criados por 15 empresas nacionais.

“Tem uma curva de aprendizagem que não se consegue acelerar mais do que a um certo ritmo, independente da quantidade de pessoas ou do dinheiro que se coloque. Aprender a fazer tecnologia é mais complicado”, explica Chamon ao ressaltar que o projeto do satélite também tem como objetivo desenvolver tecnologia local.

Segundo ele, a dificuldade principal está nos componentes eletrônicos. “Em toda a parte de mecânica já temos maior segurança”. Algumas peças produzidas não resistem às câmaras que simulam a variação de temperatura, vácuo e de impacto. “Às vezes, quebra. Volta para a bancada, daí se refaz e estuda. É um problema de aprendizado”.

Para a consultora legislativa da área de ciência e tecnologia da Câmara dos Deputados, Elizabeth Veloso, a indústria espacial nacional tem dificuldade de se desenvolver por “falta de continuidade” do Programa Espacial Brasileiro. “Não há fluxo de compra", afirma, acrescentando que não “há prioridade”, “faltam recursos” e “não há compromisso com o atendimento de metas”.

Em sua opinião, o mau desempenho do programa deixa o país “à mercê das grandes potências” e “totalmente dependente” para monitorar por satélite a ocupação de terras e o desmatamento florestal, vigiar fronteiras, prestar serviços de previsão do tempo e prevenção de catástrofes (como enxurradas e grandes estiagens), descobrir riquezas mineiras e atender às demandas de telecomunicações, como a ampliação da banda larga.

Para o empresário Célio Costa Vaz, diretor da Orbital Engenharia Ltda, o programa espacial “encontra-se em espiral descendente”, conforme escreveu em artigo publicado na última semana na internet, na página da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) (http://www.sae.gov.br/site/wp-content/uploads/espacial_site.pdf). “As empresas brasileiras dificilmente conseguem sobreviver apenas como fornecedoras do programa espacial e encontram dificuldades para se qualificar e competir no mercado internacional”, acrescenta.

A Orbital acabou de entregar para o INPE o modelo de vôo do gerador solar para o satélite CBERS 3, que o Brasil desenvolve com a China e pretende lançar em setembro de 2012 - interrompendo um apagão de satélites próprios desde abril do ano passado, quando terminou a vida útil do CBERS 2b. Conforme o empresário, a indústria espacial brasileira sofre com a falta de “encomendas tecnológicas” e “maior volume e regularidade nas contratações realizadas para os projetos operacionais”.

Além do Amazônia 1, há atrasos também e indefinições no cronograma do satélite do Programa Internacional de Medidas de Precipitação (em parceria com os Estados Unidos), do Satélite de Sensoriamento Remoto com o Imageador Radar (MAPSAR, parceria com a Alemanha), e do Satélite Lattes (para experiências científicas).


Fonte: Site da Agência Brasil

Comentário: Para quem conhece a história do “Programa Espacial Brasileiro” sabe que este atraso tecnológico é fruto da falta de apoio político de governos subseqüentes, alguns dos quais que chegaram as raias da irresponsabilidade (como no caso do governo Fernando Henrique) e também como foi sabiamente colocado pela consultora legislativa da área de ciência e tecnologia da Câmara, Elizabeth Veloso, a indústria espacial nacional tem dificuldade de se desenvolver por “falta de continuidade”. Nunca nesse país em nenhum momento de nossa história o programa espacial foi visto pela classe política como estratégico, tendo seu melhor momento durante os governos militares e um pequeno momento de desenvolvimento durante o governo de José Sarney. A ignorância, a incompetência, a má vontade, a falta de atitude, decisões políticas desastrosas e tantos outros problemas levaram o desenvolvimento tecnológico espacial do país a esta situação 50 anos após a criação do programa. Uma vergonha, um resultado bem abaixo de qualquer expectativa que os pioneiros do PEB pudessem prever 50 anos atrás (mesmo o objetivo da época sendo inicialmente militar). Leitor, são 50 anos, não são 5 dias. O satélite Amazônia-1 é motivo de chacota pelo recorde mundial de desenvolvimento, são 30 anos de adiamentos, mudança de nome (era SSR-1), de concepção (fora os embargos tecnológicos), por culpa desses d...loides que militam em Brasília. Tenho 47 anos de idade, acompanho o PEB desde os meus 7 anos, e desde então só tenho ouvido promessas, e promessas e promessas, onde a única coisa que muda é a cara de quem se compromete, mas a atitude é a mesma, ou melhor nenhuma.

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