Astronauta Marcos Pontes é Entrevistado pelo Site eBAND


Olá leitor!

Segue abaixo uma entrevista do astronauta brasileiro Marcos Pontes publicada dia 23/07 no site eBAND onde o mesmo é questionado sobre a missão da Apollo 11 em 1969.

Duda Falcão

Entraria no Apollo 11 Mesmo Se
Não Houvesse Retorno,
Diz Astronauta Brasileiro

Quinta-feira, 23 de julho de 2009 - 11h21
Graziela Sirtoli


Nascido em 11 de março de 1963, em Bauru, no interior de São Paulo, Marcos Pontes tinha apenas seis anos quando Neil Armstrong deu o primeiro passo na Lua. Apesar da pouca idade, o astronauta brasileiro não se esquece do dia 20 de julho de 1969.

“Meu irmão, na época com 13 anos, explicava o que estava acontecendo, mas eu não conseguia acreditar. Foi então que depois de muita insistência, eu disse: ‘Então tá bom, se ele conseguiu, eu também consigo. Vou ser astronauta’. Aí foi ele que não acreditou”, lembra Pontes.

Foto de 9 de Abril de 2006 Mostra o Retorno de Pontes à Terra

Para ele, Apollo 11 é sinônimo de poder, determinação e trabalho em equipe. Em entrevista ao eBand, Pontes diz que já teve um breve encontro com Armstrong. “É impressionante a força de suas palavras, principalmente quando fala em se conseguir alguma coisa”.

Com Buzz Aldrin, o segundo astronauta da missão a pisar na Lua, a conversa aconteceu em 1998, em Washington, durante uma palestra. “O mais importante é olhar para essas pessoas e ver que se eles conseguiram a gente também consegue”. Confira os principais trechos da entrevista concedida pelo astronauta na semana em que o mundo comemora os 40 anos do primeiro passo do homem na Lua:

Se fosse convidado para a uma missão na Lua, você iria? Por quê?

Sem dúvida. Eu sou um astronauta na ativa e se a Agência Espacial Brasileira (AEB) me escalasse dentro de um programa de cooperação com a Nasa ou com outras agências, eu iria com toda a satisfação porque esta é uma coisa que eu sempre sonhei. Acredito que todo astronauta sonha em ir à Lua. Essas missões devem ocorrer por volta de 2020 e acredito que a fila de astronautas querendo participar será enorme, apesar de todos os riscos que a viagem envolve.

Em 1969, o então presidente norte-americano Richard Nixon gravou uma mensagem de pêsames antes mesmo do Apollo 11 partir, caso algo desse errado. Até que ponto se arriscaria em uma missão?

Quando você representa uma nação e se preparar para uma missão, isso exige uma preocupação com o psicológico do astronauta e de sua família. Nós convivemos com riscos. Muitas pessoas da minha família não gostam de ouvir isso, mas eu entraria naquela nave mesmo se não houvesse retorno ou me dessem apenas uma passagem de ida. Em 1998, quando eu fui transferido das funções militares para as funções civis de astronauta, recebi da AEB a seguinte mensagem: “essa é a sua missão com seu país, você pode ter que se sacrificar, mas se aceitar terá muito trabalho à sua frente. Não espere muito apoio das pessoas”. Quando aceitei aquela missão, tinha duas alternativas: realizar a primeira missão tripulada brasileira, levando a bandeira do nosso país ao espaço ou morrer tentando. O espírito de um astronauta é o como o espírito de um combatente.

O que justifica os gastos com uma nova viagem à Lua?

Uma viagem à Lua é o que menos importa. A Lua já é conhecida, o homem já esteve lá, o que importa é a tecnologia desenvolvida para este tipo de missão ter segurança, o que envolve novos materiais, novos processos. A criação de uma nova tecnologia pode gerar um novo produto, que pode gerar novas empresas, que podem gerar empregos, melhorando a vida aqui na Terra. Então isso justifica muito qualquer gasto relacionado a uma missão. Aliás, a Nasa tem um cálculo muito simples. Cada US$ 1 dólar gasto com o programa espacial tem um retorno de US$ 5 dólares em bem estar social para a nação norte-americana. A Nasa usa essa conta para justificar seus gastos e tudo o que fazem traz resultados positivos. Não é à toa que a agência tem um orçamento de US$ 19 bilhões por ano.

Quais são as principais contribuições da Agência Espacial Brasileira?

Criada em 10 de fevereiro de 1994, ela é responsável por coordenar a política espacial brasileira. É uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) que tem como objetivo capacitar o país para desenvolver e utilizar tecnologias espaciais na solução de problemas nacionais, como monitoramento ambiental, observação do controle de tráfego território nacional, levantamento de recursos naturais e aéreo. Brasil e China assinaram, em julho de 1988, um acordo de cooperação para o desenvolvimento do projeto conhecido como Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers), cuja função é captar imagens para ajuda a monitorar, por exemplo, os desmatamentos e a expansão da agropecuária. Atualmente, mais três satélites estão sendo desenvolvidos pelo INPE: o Amazônia-1, que será usado para captar imagens da região amazônica, a Sabia-mar, desenvolvido em cooperação com a Argentina e o GPM-Brasil, para estudos meteorológicos.

Quais foram os resultados da missão da qual participou, em 2006, rumo à Estação Espacial Internacional (ISS)?

Essa viagem representou muito para mim, mas muito mais para o Brasil. Colocar a nossa bandeira no espaço mostrou para todos aqueles que não acreditam em nosso país que nós conseguimos. Levei oito experimentos brasileiros para execução em ambiente de microgravidade (cinco científicos, um tecnológico e dois educativos). A missão, que custou cerca de US$ 10 milhões, cumpriu todos os objetivos estabelecidos pela AEB e deu início a uma nova fase da ciência da microgravidade no país. Além disso, experimentos como o da Universidade Federal de Santa Catarina sobre controle térmico de satélites já pagaram o valor desta viagem.

Qual o próximo passo?

Atualmente trabalho entre Brasil e Houston, nos EUA, onde moro. Depois da viagem comecei a dar uma importância muito grande à educação e sempre venho ao Brasil para auxiliar na formação de recursos humanos para o programa espacial e incentivar os jovens a estudar e acreditar que é possível. Mas em Houston continuo à disposição do Programa Espacial Brasileiro como astronauta para futuras missões espaciais tripuladas brasileiras


Fonte: Site eBAND

Comentário: O astronauta Marcos Pontes é o cara e pena que não esta sendo utilizado pela AEB como deveria. O conhecimento dele que foi adquirido em muitos anos de NASA, com passagens pela JAXA e por alguns centros de pesquisas europeus, deveria esta sendo utilizado através da sua contribuição em programas de desenvolvimento de interesse do PEB. Sinceramente não sei o porquê isso não esta ocorrendo e lamento muito essa falta de visão. No entanto, venho acompanhando esse excelente trabalho que ele vem realizando (veja aqui no blog a nota Astronauta Marcos Pontes em Curitiba) como embaixador no Brasil da Fundação FIRST (em inglês, Para Inspiração e Reconhecimento da Ciência e Tecnologia). Essa fundação americana quer desenvolver um projeto no Brasil para incentivar e atrair crianças e adolescentes para as áreas de ciência e tecnologia.

Comentários

  1. Triste é ver, parte da imprensa nacional, que deveria apoiar o desenvolvimento do Brasil, simplesmente ignorar o feito, que é histórico. Estou falando principalmente da REVISTA VEJA, que não deu nenhum destaque a missão Centenário e ainda por cima, seus colunistas com o Reinaldo Azevedo ou o Diogo Mainardi ou o próprio editor da Revista o Roberto Pompeu de Toledo:

    http://veja.abril.com.br/120406/pompeu.html

    A reportagem principal foi pior ainda:

    http://veja.abril.com.br/010306/p_078.html

    O Mainardi não é só contra o Marcos Pontes, como CONTRA o Programa Espacial Brasileiro.

    http://veja.abril.com.br/030903/mainardi.html

    O Mainardi recebeu até um pio da Aeronautica por falar B@#%ta

    http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=7328

    O Ennio Candotti, é outro idiota. Que falou que o Brasil não iria lucrar em nada com a "aventura" do astronauta Brasileiro. São palavras deste idiota que é o Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

    "Os experimentos programados não trarão avanços para a ciência a ponto de justificar o investimento", diz.

    Em outros países o cara é heroi nacional, carreta, medalhas, etc. No Brasil, o astronauta é acusado de ser ladrão, ter roubado dinheiro do povo para ser turista espacial. Só a educação mudará o Brasil.


    Triste, triste. Lia a coluna dele no G1, mas infelizmente, de tantos idiotas que ficavam escrevendo contra, a coluna teve que ser cancelada. A filha mais nova o Marcos Pontes, acabou chorando, pois pensava que o pai seria recebido como heroi no Brasil mas as pessoas viviam acusando o nosso astronauta de varios crimes que não cometeu. LAMENTÁVEL.

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  2. Olá Ricardo!

    Em primeiro lugar amigo eu gostaria de lhe agradecer pelos links, pois não havia lido essas colunas dos senhores Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi e do editor Roberto Pompeu de Toledo. É realmente triste e mais ainda desmotivador notar que apesar deles serem jornalistas reconhecidos nacionalmente os mesmos não têm a mínima idéia do que seja um programa espacial e os benefícios que normalmente são relacionados ao mesmo. Todos eles embarcaram nos comentários do senhor Ennio Candotti para expor suas opiniões sem o devido cuidado de procurar se informar melhor.

    Na realidade, os experimentos da Missão Centenário foram escolhidos por critérios pré-definidos por uma comissão formada por integrantes da Agencia Espacial Brasileira (AEB), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Academia Brasileira de Ciências que acredito seus membros façam parte da SBPC.

    Portanto, me parece que os comentários do presidente da SBPC, Ennio Candotti, não têm qualquer fundamento e realmente atrapalhou na época e muito a divulgação da missão para a sociedade brasileira.

    Não considero o senhor Ennio Candotti com um idiota (é um grande cientista), mas é no mínimo estranho a falta de visão do mesmo sobre os benefícios dessa missão para o PEB, seja científico, tecnológico, educacional ou mesmo a nível de divulgação do programa espacial para uma sociedade que não tem a mínima idéia de seu significado.

    Quanto ao senhor Ronaldo Mourão, que foi citado como um dos questionadores, esse sim, é um completo idiota (já provou isso por diversas vezes nas questões dos casos com os OVINIS dando explicações completamente estapafúrdias) que não enxerga um palmo diante do nariz.

    Forte abraço

    Duda Falcão

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