INPE/AEB Estudam Viabilidade de Novo Satélite para Amazônia


Olá leitor!

Segue abaixo uma nota que saiu hoje 15/07 no site da Agencia Espacial Brasileira (AEB) sobre uma mesa redonda realizada dia 14/07 na reunião da SPBC para discutir a viabilidade do desenvolvimento pelo Brasil de um Satélite de Órbita Equatorial que teria como função o monitoramento de florestas tropicais, em especial, a Amazônia.

Duda Falcão

Satélite Equatorial para Monitoramento da
Amazônia é Discutido Durante a SBPC

Coordenação Comunicação Social/ AEB15-07-2009

Uma mesa redonda reuniu ontem, terça-feira, 14 de julho, na SBPC, o coordenador de Gestão Tecnológica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Marco Chamon, o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB), Thyrso Villela e o secretário de Projetos Especiais da Prefeitura de São José dos Campos (SP), Carlos Eduardo Santana.

Eles se reuniram para discutir a viabilidade de o Brasil desenvolver um Satélite de Órbita Equatorial que teria como função o monitoramento de florestas tropicais, em especial, a Amazônia. “Ainda não existe um satélite dessa natureza no mundo”, explicou Shamon.

A idéia, no entanto, não é nova. No início dos anos 90, na última reunião da Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (Cobae), que precedeu a Agência Espacial Brasileira (AEB), os técnicos do Inpe propuseram – e foi aceita – a mudança da concepção do primeiro Satélite de Sensoriamento Remoto (SSR1) da, então, Missão Espacial Completa Brasileira (MECB).

Esta mudança dizia respeito à órbita do satélite, que passaria a ser equatorial ao invés de polar. A motivação para tal mudança era muito simples: com um Satélite de Sensoriamento Remoto em órbita polar o Brasil poderia duplicar os resultados de outros satélites existentes, incluindo-se o Cbers. Já um satélite em órbita equatorial permitiria uma missão voltada para um problema eminentemente brasileiro – monitoramento da Amazônia – e produziria resultados impossíveis de serem alcançados com os satélites existentes.

“Várias tentativas de iniciar o projeto foram frustradas, ou por liberação tardia de orçamento ou por disputas entre as empresas que participaram das licitações. O início efetivo do desenvolvimento do SSR1 só se deu com a assinatura do contrato de desenvolvimento da Plataforma Multimissão, em 2001, que foi concebida para colocar no espaço o SSR1. Na última revisão do Plano Nacional de Atividades Espaciais (Pnae), no entanto, o SSR1 deixou de ser prioridade”, de acordo com Carlos Eduardo Santana.

Durante a SBPC a discussão recobrou o fôlego. Afinal, fazer ou não o satélite? Os que advogam a favor usam o argumento de que o SSR1 passaria frequentemente pela região a cada hora e meia, uma média de 14 vezes por dia. “Isso possibilitaria monitorar a Amazônia com maior freqüência”, explica Chamon.

Como é feito o Monitoramento da Amazônia

O Brasil é o líder mundial no uso de imagens de satélites para monitorar o desmatamento em florestas tropicais. Atualmente, o País possui dois sistemas de monitoramento da Amazônia. O Projeto de Monitoramento da Amazônia (Prodes), um software, implantado em 1988, que usa imagens dos satélites Landsat (americano), e do Cbers (sino-brasileiro), para saber o que está acontecendo na Amazônia. O Prodes recolhe aproximadamente 80 a 90 imagens úteis no período de um ano (entre os meses de agosto e julho).

O segundo sistema é o de Detecção em Tempo Real do Desmatamento (Deter). Diferente do Prodes, o Deter é capaz de alertar, a cada 15 dias, a possibilidade de desmatamentos. Essas informações são usadas pelo IBAMA e pelas comunidades. O Inpe recebe as imagens, faz a análise e distribui os resultados.

“A resolução da imagem do Prodes é melhor do que a do Deter. O Prodes define onde está o desmatamento, uma vez por ano. O Deter possui uma resolução pior e só consegue fazer alertas sobre grandes desmatamentos”. explica Chamon.

“O ideal é que possamos fazer avaliações de desmatamento com características do Prodes num menor espaço de tempo”, diz Thyrso Villela, da AEB.

Caso o SSR1 saia do plano das idéias e vire realidade, o Brasil poderá colher informações importantes em uma semana, processá-las e fornecer os resultados em um mês.

Órbitas Polares e Equatoriais

Satélites em órbita equatorial são capazes de cobrir uma determinada região mais rápido porque passam mais vezes pelo mesmo local. No entanto, eles captam imagens apenas de uma faixa do planeta. Os de órbita polar são capazes de olhar para todo o País, embora, com menor freqüência.

“Particularmente, prefiro a órbita polar. Poderíamos monitorar todo o País. Monitorar a agricultura, realizar estudos urbanos, a mata atlântica e os desastres naturais. Um satélite equatorial não conseguiria, por exemplo, visualizar o estado de Santa Catarina”, afirma Chamon.

Na verdade, um satélite deve ser útil para aquilo que ele foi projetado. Já que o Brasil precisa ampliar os mecanismos de monitoramento da Amazônia fica a dúvida: aumentar o número de satélites polares ou equatoriais? Qual dos dois seria a melhor solução?

“O ideal é que se faça um estudo técnico/científico para depois tomarmos a decisão política. Satélite é um produto caro. Os projetos devem ser submetidos ao Conselho Superior da AEB, antes de mais nada”, ressalta Thyrso Villela.

Caso o SSR1 volte a ser prioridade para o Programa Nacional de Atividades Espaciais ele levará uma média de cinco a sete anos para ser colocado em órbita.


Fonte: Site da Agência Espacial Brasileira (AEB)

Comentário: Dias atrás postei aqui no blog (veja O INPE na 61ª Reunião Anual da SBPC) uma nota sobre essa mesa redonda que eu pensava ser relacionada com o projeto dos dois satélites SCDav (Satélite de Coleta de Dados Avançado) já abordado por algumas fontes na net. Agora o INPE e a AEB demonstram o interesse na volta desse projeto e alguma coisa nesse sentido deverá ser incluída no próximo PNAE. No entanto, gostaria de lembrar ao leitor que o antigo projeto do SSR-1 (Satélite de Sensoriamento Remoto 1) segundo a própria AEB, não foi abandonado e sim modificado seu nome para Amazônia-1, como também o SSR-2 que virou MAPSAR. Portanto, é estranho essa colocação de que o projeto tenha deixado de ser prioridade, quando na realidade o mesmo mudou de nome e encontra-se no momento já em processo de fabricação.

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