Começa a Construção da Torre Móvel de Integração - TMI


Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria que saiu hoje 14/07 no jornal “Valor Econômico” sobre o início da construção da Torre Móvel de Integração (TMI) para o Veículo Lançador de Satélites, o VLS-1.

Duda Falcão

País Terá Nova Torre de Lançamento de Foguete

Virgínia Silveira escreve
para o “Valor Econômico”


O consórcio Jaraguá-Lavitta iniciou a construção da nova Torre Móvel de Integração (TMI) para o Veículo Lançador de Satélites brasileiro, o VLS 1. O investimento previsto no projeto é de R$ 43 milhões. Os recursos serão repassados através de um convênio entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

O prazo para a construção do empreendimento, segundo o diretor de Transporte Espacial e Licenciamento da AEB, brigadeiro Antônio Hugo Pereira Chaves, é de 18 meses. As obras foram iniciadas em abril deste ano e já acumulam um atraso de quase quatro anos, devido a pendências judiciais. A concorrência para a construção da Torre foi aberta em 2005 e o resultado saiu no começo do ano seguinte.

A Brasilsat, de Curitiba, que também participou do processo licitatório, decidiu questionar o resultado na justiça. O impasse só foi resolvido no ano passado, depois de um pronunciamento definitivo da Justiça Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU), que consideraram correto o processo de contratação do consórcio vencedor.

Em fevereiro deste ano, o Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA) e o consórcio Jaraguá-Lavitta assinaram um termo aditivo ao contrato da torre, para que ele voltasse a ter validade e as empresas pudessem finalmente dar início às obras.

A nova plataforma teve o projeto básico desenvolvido pelo CTA e contou com uma consultoria técnica da russa Space Rocket Center Makeyev, que sugeriu mudanças nos sistemas de segurança da Torre. As mudanças permitiram , adaptar o projeto às normas internacionais. A mesma empresa russa também foi contratada pelo CTA para dar suporte técnico ao projeto do foguete VLS, na parte de segurança e confiabilidade, um contrato estimado em € 1,3 milhão.

Segundo o diretor da AEB, a nova torre, que será instalada no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, incorpora algumas mudanças em relação à antiga, que foi completamente destruída na explosão com o foguete VLS, em agosto de 2003. "As mudanças mais importantes estão relacionadas aos ambientes pressurizados e às saídas de escape para o caso de acidentes. Trata-se de um moderno sistema de escape, que não existia na estrutura anterior", explica.

Em uma situação de emergência, segundo ele, as pessoas que estiverem trabalhando no local terão mais condições de sobreviver. Ela poderão sair por um túnel subterrâneo e ficar abrigadas de forma segura durante vários dias. Todo o sistema também terá proteção térmica para suportar altas temperaturas.

O projeto da nova torre também vai incorporar um sistema de provisão para foguetes com motores a propulsão líquida, que farão parte da nova geração de foguetes brasileiros. Outra inovação prevista é que todos os procedimentos técnicos dentro da Torre, durante a campanha de lançamento de um veículo, serão automatizados, não sendo necessária a presença de técnicos na estrutura.

A nova TMI terá 330 toneladas de peso e cerca de 33 metros de altura. O projeto envolve a construção de uma torre móvel, mesa de lançamento, torre de umbelicais (cabos que são conectados ao foguete), túnel e torre de escape e todos os equipamentos envolvidos: sistemas elétricos, de climatização, detecção, alarme e combate a incêndio, rede de gerenciamento, circuito fechado de TV, sala de interface e casa de equipamentos de apoio.

As obras civis serão conduzidas pela empresa Lavitta. O grupo Jaraguá, de acordo com o brigadeiro Chaves, já possui grande experiência em projeto e construção de instalações industriais, em particular para a área de prospecção de petróleo.

A expectativa da AEB, segundo seu diretor, é de que a Torre esteja pronta para iniciar os primeiros lançamentos até dezembro de 2010. A Torre de lançamento de Alcântara, além de atender ao programa espacial brasileiro, também deverá ser utilizada por outros países.

O centro de Alcântara, segundo o brigadeiro Chaves, está passando por uma modernização, prevista para ser concluída no fim de 2010. A estrutura atenderá não só ao VLS, mas também o projeto Ciclone 4, feito em parceria com a Ucrânia. (Valor Econômico, 14/7)


Fonte: Jornal Valor Econômico via JC e-mail 3804, de 14 de Julho de 2009

Comentário: Grande notícia, talvez a notícia do ano de 2009 relativa ao Programa Espacial Brasileiro. No entanto, fica claro devido ao prazo estipulado de 18 meses para a conclusão da obra, que será muito difícil o cumprimento do cronograma de lançamento do primeiro vôo teste do VLS-1 em dezembro de 2010. Deverá ficar para o ano seguinte. Outra coisa a se notar que causa certa estranheza é a informação de que a TMI atenderá não só o VLS, mas também o foguete Cyclone 4 da Alcântara Cyclone Space (ACS). Não acredito que essa notícia tenha qualquer fundamento, pois o sítio que a ACS utilizará foi cedido pela Aeronáutica em uma outra área do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Além disso, foi anunciado há uns dois anos que a plataforma de lançamento do Cyclone 4 e todo equipamento correlato já se encontrava em construção por uma empresa ucraniana. No entanto, pode ser que devido aos atrasos ocorridos a TMI seja utilizada unicamente para o vôo teste do foguete com o satélite japonês abordo, caso o sítio de lançamento do Cyclone 4 até lá não esteja concluído. Porém, segundo uma informação que obtive junto a um engenheiro aeronaútico, isso seria impossível, já que o processo de montagem e integração do Cyclone 4 é horizontal, as dimensões não batem (o Cyclone-4 é praticamente duas vezes mais alto que o VLS) e abastecê-lo com hydrazina e tetróxido de nitrogênio na TMI, mesmo que houvesse previsão para isso, seria um verdadeiro crime contra todos os conceitos imagináveis de segurança. Portanto, a autora da matéria deve ter se equivocado.

Comentários

  1. Só acho lamentável o fato da anterior não ter um sistema de escape de emergência, o que poderia ter poupado várias vítimas de 2003. Espero que isto seja corrigido, pois vidas humanas perdidas, também são cerebros brasileiros que após anos de estudo e pesquisa, não irão mais colaborar com nosso programa espacial. Uma geração perdida...espero que a próxima conclua os objetivos principais de colocar em orbita um satélite nacional com foguete nacional em uma base nacional.
    Também achei que a materia está equivocada com relação a torre ser usada também pelo foguete ucraniano. Pelo que eu também sei, foi sedido uma outra área na base de Alcantara para que empresa ACS montasse a sua estrutura própria.
    Mas enfim. Finalmente as coisas começaram a ser feitas.

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  2. É verdade Ricardo, e esse acidente além das perdas de vidas humanas causou um enorme prejuízo em perdas de recursos humanos que o MCT/AEB/CTA não conseguiu resolver ainda. Essas foi inclusive uma das causas que fizeram com que o programa do VLS-1 atrasasse mais do que deveria. Quanto à colocação da autora do texto, certamente ela esta equivocada, mas como você mesmo disse,o que importa é que as coisas começaram a ser feitas.

    Duda Falcão

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  3. Eu acho que nao adiantaria nada pois acho que foram os nossos brothers EUA que nos sabotaram.. Foram encontrados varios aparelhos que interferiram nos comandos em volta de alcantara e varios norte-americanos em sao luiz no mesmo hotel...lamento por isso.

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  4. Talvez você tenha razão quanto a sabotagem caro 'O Assunto'. Entretanto, agora o COMAER tomou as devidas precausões, esteja certo disso.

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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