Informações Sobre a Concorrência dos Propulsores de 400 N

Olá leitor!

Segue abaixo uma nota postada hoje (17/11) no blog “Panorama Espacial” do companheiro jornalista André Mileski, com informações colhidas pelo mesmo junto ao coordenador do grupo de propulsão do Departamento de Mecânica Espacial e Controle da ETE/INPE, engenheiro José Nivaldo Hinckel, sobre a concorrência lançada ontem (16/11) pelo instituto dos propulsores de 400N, já abordado aqui no blog (veja a nota INPE Lança Concorrência para Propulsores de 400N).

Duda Falcão

Concorrência do INPE para Propulsores de 400 N

17/11/2010

No Diário Oficial da União de ontem (16), foi publicado um aviso de início de concorrência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para a "contratação de empresa que apresentar a proposta mais vantajosa para a prestação dos serviços de elaboração de projeto básico/executivo e produção de protótipos de desenvolvimento de propulsores monopropelente e bipropelente com empuxo de 400N."

O blog Panorama Espacial entrou em contato com José Nivaldo Hinckel, coordenador do grupo de propulsão do Departamento de Mecânica Espacial e Controle da ETE/INPE, para obter mais informações sobre os propulsores. Hinckel, a quem publicamente agradecemos, gentilmente nos respondeu, prestando informações bem interessantes sobre os dois propulsores, reproduzidas abaixo:

"A licitação se refere a dois tipos de propulsores de com empuxo 400 N: monopropelente e bipropelente.

O propulsor monopropelente é do tipo catalítico a hidrazina. Este tipo de propulsores é utilizado em sistemas de controle de rolamento em diversos veículos lançadores. É também utilizado em missões espaciais interplanetárias para correções ou mudanças de trajetória que não requeiram impulsos de grande magnitude. O catalisador para este propulsor está sendo produzido pelo grupo de catálise do Laboratório de Combustão e Propulsão de Cachoeira Paulista. Além do catalisador tradicional de irídio suportado em alumina, estão também sendo produzidos e testados novos tipos de catalisadores como o irídio/rutênio suportado em alumina e um catalisador homogêneo de carbeto de molibdênio.

A aplicação prevista para este propulsor é o sistema de controle de rolamento do VLS (ou novos veículos que venham a ser desenvolvidos).

O propulsor bipropelente utiliza o par NTO/MMH (Nitrogen Tetroxide/ Monomethil hydrazina). Ou seja Tetróxido de Nitrogênio e Monometil hidrazina. Este par propelente tem longo histórico de aplicações em propulsão espacial. Um grande atrativo do par é a estocabilidade. Os dois propelentes são líquidos a temperatura ambiente, o que permite que sejam armazenados por longos períodos de tempo sem grande preocupação com perdas por evaporação, mesmo no ambiente espacial. Outra característica é a ignição espontânea a temperatura ambiente (hipergolicidade) o que permite a implementação de múltiplas partidas do propulsor sem a necessidade mecanismos complexos de ignição. Em contrapartida ambos apresentam elevado grau de toxicidade o que torna o seu manuseio uma operação de risco adicional e requer procedimentos elaborados na preparação para lançamento ou mesmo testes em Terra.

A aplicação prevista para este tipo de propulsor é em blocos de aceleração de apogeu de satélites geoestacionários. O objetivo deste projeto é atingir grau de maturidade tecnológica no projeto e produção desde tipo de propulsores que permita sua incorporação a satélites geoestacionários de comunicações, ou metereorológicos, que venham a fazer parte do programa espacial autônomo brasileiro. Protótipos deste tipo de propulsor já foram produzidos e testados no INPE, com bom desempenho."


Fonte: Blog "Panorama Espacial“ - André Mileski

Comentário: Veja leitor nas próprias palavras do engenheiro Hinckel o quanto é perigosa esta substância (hidrazina) que será utilizada pelos motores do foguete ucraniano Cyclone-4. Diferentemente do VLS-1 (onde a mesma será usada em pequenas quantidades no sistema de controle de rolamento) e dos satélites (onde da mesma forma é usada em pequenas quantidades e utilizados somente no espaço e não na atmosfera) os gigantescos motores do Cyclone-4 serão preenchidos com esta substancia altamente tóxica e corrosiva para serem queimados sobre as cabeças dos maranhenses. Um verdadeiro absurdo e é lamentável que a sociedade não se movimente para impedir esse desastre e esta irresponsabilidade que só poderia ser capitaneada por um político inexpressível e incompetente como o senhor Roberto Amaral. Não bastasse a engenharia mal elaborada que gerou esta empresa e o prejuízo ao erário público que a mesma gerará, ainda teremos como suvenir desta empreitada o envenenamento da região e de seu povo. Lamentável!

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