Quem Afinal Será o Primeiro Turista Espacial Brasileiro?


Olá leitor!

Segue abaixo duas reportagens sobre dois brasileiros que foram escolhidos para serem turistas espaciais. O brasileiro Wilson da Silva que erradamente foi apontado pelo site G1 do globo.com como sendo o primeiro turista espacial brasileiro e o magnata paulista Bernardo Hartogs que em abril de 2008 já havia sido apontado como sendo o primeiro turista espacial do Brasil pela revista ISTOÉ e por agências internacionais. Vamos aguardar para vê quem na realidade será o primeiro a ir para o espaço.

Duda Falcão

Ciência e Saúde / Espaço

Astronauta Marcos Pontes Dá Dicas a Turista Espacial Brasileiro

Wilson da Silva Será um dos Passageiros da Nave SpaceShipTwo.
Primeiro Astronauta do Brasil Deu Dicas Sobre Como Evitar o Enjôo Espacial.

16/08/09 - 10h00

Marília Juste
Do G1, em São Paulo


Quando chegar perto da órbita da Terra e flutuar dentro da primeira nave espacial de turismo do mundo, o brasileiro Wilson da Silva provavelmente deve soltar palavras de admiração em inglês.

O santista de 45 anos mora na Austrália desde os 9 e é um dos passageiros que farão parte das primeiras missões da nave SpaceShipTwo, da Virgin Galactic, previstas para começar a voar a partir de 2011.

Sua principal preocupação, até agora, é não passar mal com enjoo espacial. Para isso, por intermédio do G1, recebeu dicas de um especialista: Marcos Pontes, o primeiro astronauta brasileiro.

“Imagina só eu, o primeiro jornalista ‘pé-de-chinelo’ no espaço, e passo mal numa nave com outras seis pessoas? Seria muita vergonha”, ri Silva, que ganhou a passagem (que custa nada menos que US$ 200 mil) de seu chefe, o cientista milionário Alan Finkel.

Marcos Pontes entende bem a dúvida de Silva. “Será um voo suborbital”, explica Pontes. “[Nele] você passa por diversas alterações de gravidade, que podem ir de aproximadamente + 4 G até zero G”.

Um “G” equivale a uma vez a gravidade da Terra. Ou seja: o turista espacial não vai experimentar apenas a gravidade “zero” (na verdade, ela não é zero, por que a nave ainda ficará presa à Terra -- apenas parece, para quem sente, ser zero), mas também uma força violenta equivalente a quatro vezes seu próprio peso.

O astronauta deu dicas para o jornalista suportar bem tantas mudanças. Em primeiro lugar, o foco é a respiração. “Respirar corretamente é de suma importância. Não deixe o medo alterar a sua respiração. Calma!”, orienta Pontes.

Depois, os cuidados são com a movimentação. “Todos os movimentos devem ser lentos e cautelosos”, afirma ele. “Não mexa muito a cabeça. Sempre que você for virar a cabeça, vire, calmamente, o corpo junto, pois os movimentos bruscos e discordantes podem acelerar o processo de desorientação”, aconselha Pontes.

Ele explica: “a desorientação é o que gera o enjôo, pois há um conflito de informações recebidas ao mesmo tempo pelo cérebro. Os olhos mandam a informação para o cérebro que você esta em pé e o labirinto (dentro do ouvido) diz que você está deitado. Faça movimentos pequenos e lentos”, recomenda o astronauta.

Wilson da Silva posa ao lado do protótipo da nave que o levará aos limites da atmosfera. (Foto: Arquivo Pessoal).

O Turista Espacial

Após 36 anos na Austrália, Wilson da Silva é hoje um pouco mais australiano que brasileiro. Jornalista de ciência apaixonado pelo espaço, ele edita a revista de divulgação científica mais vendida do país, a “Cosmos”.

Em 2004, seu chefe, o cientista Alan Finkel, ligou para Silva e disse que estava considerando comprar uma passagem para voar pela Virgin Galactic. E, como quem não quer nada, perguntou: “você não quer ir junto?”.

“Em alguns segundos, o que passou pela minha cabeça foi: você não deve aceitar, é algo muito caro, não é certo. Mas o que saiu da minha boca foi: sim, sim, sim, eu quero ir, eu quero”, conta o jornalista.

Silva e Finkel estão no grupo das primeiras cem pessoas a voar pela Virgin Galactic. “Eu provavelmente sou o único entre os cem primeiros que recebe salário”, brinca o brasileiro.

Os primeiros passageiros serão definidos por sorteio. Cada “astronauta” da Virgin recebeu um número. E é aí que a generosidade do chefe encontra seu limite. “Se o meu número foi sorteado antes do de Alan, eu vou trocar de lugar com ele. Nada mais justo”, explica.

O chefe generoso Alan Finkel, o segundo homem a pisar na Lua, Buzz Aldrin, e Wilson da Silva. (Foto: Arquivo Pessoal).

Vida no Brasil

Apesar de não visitar o Brasil desde 1981, Silva ainda fala bem o português. E lembra com carinho de sua cidade-natal, Santos. Foi lá que ele descobriu o que queria fazer da vida.

“Eu adorava o Batman, assistia todos os dias. Daí um dia, estava em casa e não estava passando o Batman. Estava passando um homem em um traje esquisito. Perguntei para a minha mãe o que era aquilo e ela disse ‘é o homem andando na Lua’. Eu respondi que eu já tinha visto aquele filme antes, queria ver o Batman. E ela: ‘não é um filme, é um homem na Lua mesmo’. Aquilo me cativou imediatamente”, conta Silva. “Foi aí que nasceu a minha fascinação pelo espaço e, no fim, foi o que me levou para o jornalismo científico”, diz ele.

Silva também considera visitar o Brasil antes de seu voo. “Estava falando com um amigo que também é jornalista, brasileiro e mora na Austrália, e ele disse que eu deveria ir para Santos e levar alguma coisa de lá ao espaço”, conta.

A idéia agradou, mas esbarra na realidade. “Eu moro muito longe do Brasil hoje, toda a minha vida e família estão na Austrália. Ia ser muito bom voltar, mas talvez não dê tempo. Mas quem sabe? Pode ser”, afirma.

Sobre Marcos Pontes, Wilson da Silva brinca. “Eu acho que o Marcos Pontes, enquanto militar e piloto, é um homem de muita coragem. Mas eu quero dizer que eu corro o risco de ir ao espaço ao lado de Paris Hilton. Isso exige muito mais coragem”, ri o jornalista.


Fonte: Site G1 do globo.com

Comportamento

Turista Espacial Brasileiro

Conheça o Paulista Bernardo Hartogs, Magnata do Petróleo que Pagou US$ 200 Mil para Passar 10 Minutos Fora da Terra.

Luciana Sgarbi

Foi em Londres, dividindo uma cerveja com um amigo, que o executivo brasileiro do setor de petróleo Bernardo Hartogs, 53 anos, decidiu realizar um antigo sonho: observar a Terra sob um novo prisma. Na verdade, o que esse sonho tem de freqüente a muita gente tem também de proibitivo. Afinal, quem pode desembolsar US$ 200 mil para experimentar a sensação de permanecer míseros 10 minutos no espaço, fora da lei da gravidade? Faça-se a conta: eis um passeio que custa US$ 20 mil o minuto – mas, admitamos, que maravilhoso, histórico e excitante passeio! É assim que Hartogs, influente analista da empresa Mar Petrochemicals, escreverá seu nome na história da astronomia: ele será o primeiro turista espacial brasileiro a viajar com passagem comprada com dinheiro do próprio bolso (Marcos Pontes é um astronauta do Brasil e, como tal, sua missão tinha mesmo de ser paga pela União). Não bastasse toda essa emoção, Hartogs desfrutará ainda em seu passeio cósmico da companhia de seletos passageiros como o gênio da física inglês Stephen Hawking e o conceituado designer francês Philippe Starck.

O sonho do turismo espacial só poderia surgir da mente irrequieta do inglês Richard Branson, dono da Virgin Galactic, conhecido por atrair holofotes do mundo todo a cada negócio que fecha. Em sua nova empreitada, Branson decidiu levar pessoas comuns para dar uma volta fora da Terra, a sua idéia agradou e, antes mesmo de o ônibus espacial ser construído, a conta da Virgin já engordara US$ 30 milhões. “O projeto ainda não tem um ano e já contamos com 250 reservas. São passageiros de 40 países e o turista brasileiro foi um dos primeiros a comprar a passagem”, disse em entrevista à ISTOE Carolyn Wincer, responsável pela venda das viagens da Virgin Galactic. Segundo ela, o empresário Hartogs, no ato da compra, exigiu que seu nome fosse mantido em sigilo para a sua segurança. “Ele comprou em meados de julho de 2007. Como pagou antecipadamente, está na lista nobre dos passageiros que chamamos de fundadores”, disse Carolyn. Não demorou muito, no entanto, para que o nome do nobre passageiro brasileiro fosse revelado. Em entrevista à BBC Brazil, Hartogs falou sobre a emoção que sentiu quando fez o vôo de simulação em novembro do ano passado: “Quase chorei. É uma sensação emocionante, indescritível. Mexe com a alma da gente.”

Marido apaixonado e pai de três filhos, Bernardo conta que levará para o espaço a aliança de sua esposa, Julia, como uma prova de amor. As filhas, Jéssica, 24 anos, e Marina, 22, acharam a idéia maravilhosa e incentivaram o pai na aventura. Quando questionado pela BBC Brazil se levaria a sua família para a viagem, o executivo logo ironizou: “Só tem um louco na família.”

A sofisticada nave em que Hartogs viajará chama-se SpaceShipTwo e possui oito lugares – seis para passageiros e dois para pilotos. O seu design é futurista, com espaçosas poltronas de couro e 15 janelas por onde Hartogs observará as estrelas de perto. Durante cerca de dez minutos, ele e seus colegas turistas poderão deixar seus assentos para viver a experiência da ausência de gravidade. Em seguida, ela iniciará o retorno à atmosfera. Todos os passeios da Virgin Galactic se constituirão de vôos suborbitais que atingirão o espaço mas não realizarão uma volta completa em torno do planeta. Com certeza serão segundos que durarão anos na lembrança do primeiro turista brasileiro a cruzar o limite entre a Terra e o universo.


Fonte: Revista ISTOÉ - 09/04/2008

Comentário: O turismo espacial é um passo inevitável no século 21 como o turismo aéreo foi no século 20. A tendência é que cada vez mais pessoas tenham acesso ao espaço via empresas privadas, e o início dessa trajetória em direção dessa nova fronteira esta começando agora, marcando uma nova era para a humanidade.

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