Em 1958 o Brasil Lancou seu Primeiro Foguete - Será?


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia postada no número 87 (maio a junho de 2009) do jornal “O Suplemento” da Associação dos Engenheiros do ITA (AEITA) sobre o lançamento do primeiro foguete brasileiro (RX1) realizado em 1958 na cidade de São José dos Campos-SP.

Duda Falcão

O Lançamento e o Roubo do “RX1”

Vivências Aeronáuticas
Por Francisco Galvão (T59)


(Que o Roberto Pereira não contou em seu livro
“História da Construção Aeronáutica no Brasil”)

O laboratório de estruturas do ITA era mais conhecido entre os alunos por “Elefante Branco” devido ao seu porte e forma concebidos pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Foi nele que ao longo de todo um ano de trabalho realizei os ensaios estruturais de homologação do avião Regente, da Neiva.

Foi também nesse laboratório que os formandos de 1958 construíram uma estrutura oca de foguete, denominado o “RX-1”, com a finalidade de dar o maior trote de que se tem notícia à população de São José e arredores, para comemorar o seu “centediário”. Este era o nome dado à festa comemorativa dos cem dias faltantes para a formatura.

O lançamento do foguete que “iria colocar em órbita o primeiro satélite brasileiro e o Brasil no ranking das potencias espaciais” foi noticiado por semanas pela imprensa falada e escrita do Vale do Paraíba.

Na noite do “centediário”, um enorme cortejo de carros com direito a bombeiros e sirenes desfilou pela avenida central da cidade levando o RX-1 em direção à praça que existia atrás da Matriz, onde já se apinhava uma enorme multidão de curiosos vindo de bairros, fazendas e cidades vizinhas.

Após uma hora de discursos e diálogos bilíngües e simulados com Cabo Canaveral, tudo transmitido por altofalantes do telhado da igreja, os alunos, alguns vestidos com roupagens de amianto simulando astronautas e alguns portando extintores, iniciaram a contagem regressiva para o lançamento: 10, 9.....3, 2, 1, ZERO!

As sirenes entraram em funcionamento, as luzes piscavam e da base do foguete várias granadas fumígenas se acenderam e passaram a expelir colunas de fumaça coloridas, e a emitir um ruído surdo, enquanto o povo em torno apavorado e boquiaberto recuava. VRUMMMMM!

Depois de alguns minutos o barulho e a pirotecnia cessaram, e do topo do foguete partiram apenas alguns “caramurus”: “Pof...Pof... Pof”! Os alunos retiraram as fantasias de astronauta e, trocando os extintores por instrumentos de fanfarra, saíram em desfile, levando à frente uma faixa com dizeres comemorativos do “centediário” e saudando o povo de São José dos Campos.

Até hoje não sei como não foram linchados, mas o feito foi motivo de amplo noticiário da imprensa, inclusive de uma bela reportagem na revista “Manchete”.

O "lançamento" do RX-1
(Revista Manchete)

Mas o que poucos sabem é que na véspera do lançamento, eu, Pinhão, e Fernando de Almeida+ (depois renomado piloto e repórter das revistas de aviação), e mais dois colegas, todos da turma 59, havíamos surrupiado o RX-1 de dentro do “Elefante Branco”, e o tínhamos escondido em meio a sacos de cimento em uma construção próxima.

Prof. Custódio na luneta e o comendador Remo Cezaroni durante o lançamento do RX-1 (Revista Manchete)

A manhã do dia do “centediário” foi um martírio para nossos colegas da turma 58 desesperados com o sumiço de seu RX-1. Somente à tarde é que revelamos o paradeiro do foguete, cumprindo a promessa feita ao Prof. Ricardo+, nosso mestre de estruturas, que fora quem nos emprestara a chave do laboratório colaborando com o “roubo”.

O querido mestre Ricardo, o mesmo com quem depois tive tantas discussões técnicas durante os ensaios estruturais do Regente, e que um dia, num excesso de zelo, decidiu inspecionar a montagem de um ensaio em que o dispositivo estava fixado no topo das colunas de 5 metros do laboratório.

Eu, sendo muito mais jovem, não tive maiores dificuldades em subir coluna acima mas só ao chegamos ambos ao topo da mesma é que percebi que as finas pernas do mestre trepidavam intensamente, e o enorme esforço que ele estava dispendendo para executar aquela proeza.

Mas não deu o braço a torcer, e não sei quem ficou mais aliviado quando retornamos ao chão firme.


Fonte: Jornal “O Suplemento” da Associação dos Engenheiros do ITA (AEITA) - Núm. 87 - maio. a junho de 2009 - pág: 12

Comentário: Muito curiosa essa história que faz parte dos primórdios do desenvolvimento aeronáutico e aeroespacial do país. Essa galera não era mole e graças a eles o Brasil hoje desenvolveu sua indústria aeronáutica e aeroespacial.

Comentários

  1. Caro Duda Falcão, o inicio da "fogueteria" no Brasil foi em 1949/1950 (pós-guerra) pelo Exercito Brasileiro...

    Um abraço.

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  2. Valeu Pedro pela informação e sinta-se a vontade amigo para fazer novos comentários o nos trazer informações quando assim você achar necessário.

    Forte abraço

    Duda Falcão

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  3. Esclarecido, afinal, Falcão. Tudo não passou de uma (saudável) brincadeira...

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  4. Pois é Antônio,

    Foi coisa de estudante. O primeiro foguete espacial brasileiro foi mesmo o Sonda I, lançado em 1965 do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI).

    Abs

    Duda Falcão
    (Blog Brazilian Space)

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