UFMA Amplia Atuação no Setor Espacial Com Desenvolvimento de Tecnologia Para Missões de Microgravidade
Prezados amantes das atividades espaciais!
Pois então, no dia 8 de outubro, o portal da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) publicou um amplo e esclarecedor relato sobre a
participação da instituição na recente Operação Potiguar – Fase 02, a mesma da realização do voo de qualificação da Plataforma Suborbital de Microgravidade
– Reduzida (PSM-R). Dada a relevância das informações apresentadas,
republicamos, na íntegra abaixo, o seu conteúdo, para conhecimento de nossos
leitores.
UFMA Amplia Atuação
no Setor Espacial com Participação em Missão de Microgravidade
Universidade participa do desenvolvimento de tecnologia para
recuperação de plataforma suborbital e assume papel estratégico na gestão de
experimentos de microgravidade no Brasil
Foto: Labesee
Por: Ingrid Trindade e Judson Nunes
Revisão: Jáder Cavalcante
Fonte: UFMA
A participação da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em
iniciativas relacionadas ao acesso ao espaço vem ampliando a capacidade da
instituição de desenvolver tecnologias aeroespaciais e formar profissionais
para um setor cada vez mais estratégico. Um dos resultados dessa atuação foi a
participação na Operação Potiguar 2, missão que tinha por principal objetivo
validar o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de
Microgravidade (PSM), utilizada em experimentos científicos em
condições de baixa gravidade.
A missão representou um marco para o Programa de
Microgravidade brasileiro, coordenado pela Agência Espacial Brasileira (AEB),
ao consolidar a capacidade de utilização da plataforma para levar experimentos
de universidades, instituições de pesquisa e outras organizações a altitudes
superiores a 100 quilômetros. Nessa região, durante alguns minutos, os
equipamentos são submetidos a condições de microgravidade antes do retorno à
Terra.
Desde 2023, a UFMA, em parceria com a Fundação Sousândrade,
atua na gestão do Programa de Microgravidade, prestando assistência à execução
dos experimentos científicos e contribuindo para o desenvolvimento tecnológico
associado às missões.
Tecnologia Desenvolvida na UFMA
Na Operação Potiguar 2, o principal objetivo era testar o
sistema responsável pela recuperação da plataforma após o pouso no mar. A UFMA
participou diretamente do gerenciamento desse sistema e também desenvolveu uma
tecnologia própria para auxiliar na localização da carga após a queda, o Range
LoRa.
O dispositivo, desenvolvido pelo Laboratório de Eletrônica e
Sistemas Embarcados Espaciais (Labesee), foi concebido para transmitir sinais
que permitissem localizar a plataforma no mar. Dois módulos foram produzidos
pela equipe e integrados à plataforma durante a missão.
Além de cumprir sua função de apoio à recuperação, o sistema
permitiu acompanhar parte da trajetória do veículo e receber dados durante a
subida. Segundo os pesquisadores, a equipe conseguiu obter informações por
telemetria até aproximadamente 53 quilômetros de altitude.
Para a UFMA, o resultado demonstra a capacidade de
desenvolver, dentro da própria Universidade, soluções tecnológicas aplicadas a
missões espaciais e amplia as possibilidades de realização de outros
experimentos em condições de microgravidade. “Foi uma tecnologia desenvolvida
no nosso laboratório, projeto 100% maranhense”, destaca o professor Carlos
Brito, coordenador geral do projeto.
O desempenho do sistema também chamou a atenção de
profissionais do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio
Grande do Norte, onde ocorreu a operação. Após a missão, representantes do
centro demonstraram interesse em novas possibilidades de colaboração envolvendo
tecnologias de rastreamento e comunicação.
Foto: Labesee
Um Novo Momento Para o Programa de Microgravidade
A PSM utilizada na missão integra o conjunto de recursos do
Programa de Microgravidade da AEB. A plataforma suborbital permite que
diferentes tipos de experimentos sejam submetidos a condições de microgravidade
durante o voo e posteriormente recuperados para análise dos resultados.
Com a conclusão do teste do sistema de recuperação, a
plataforma passa agora por procedimentos de restauração para que possa ser
preparada para novas missões. Nesse cenário, a participação da UFMA ganha uma
dimensão ainda maior. A Universidade deverá atuar na gestão das próximas
iniciativas, acompanhando o processo de lançamento de experimentos
desenvolvidos por instituições de diferentes regiões do país. “Ou seja, a UFMA
vai gerenciar o lançamento de experimentos no país todo por meio dessa
plataforma”, explica Carlos Brito.
A consolidação desse programa amplia as possibilidades de
acesso ao ambiente de microgravidade para pesquisadores e estudantes
brasileiros, criando oportunidades para o desenvolvimento e a validação de
novas tecnologias.
Formação de Estudantes Para o Setor Espacial
A participação no Programa de Microgravidade faz parte de um
movimento mais amplo de expansão da atuação da UFMA na área espacial e também
se estende à formação de estudantes. A formação oferecida pela Universidade, de
caráter interdisciplinar, começou com forte atuação relacionada aos sistemas
satelitais e vem incorporando novas frentes, como sistemas para foguetes,
propulsão, rastreamento e comunicação.
Essa ampliação permite que os estudantes tenham contato com
diferentes segmentos da cadeia espacial, desde tecnologias embarcadas em
satélites e cargas úteis até sistemas utilizados em veículos suborbitais e
estruturas terrestres de rastreamento e comunicação.
Na Operação Potiguar 2, alunos participaram do
desenvolvimento do Range LoRa e acompanhamento da plataforma, tendo contato
direto com etapas de concepção, construção e testes de uma tecnologia destinada
a uma missão espacial. Uma das participantes da iniciativa, atualmente analista
da Agência Espacial Brasileira, acompanhou a operação em Natal.
Segundo o professor, a expansão da formação acompanha a
própria diversidade do setor espacial, que envolve desde sistemas destinados a
satélites até foguetes e equipamentos terrestres.
“A Engenharia Espacial é um curso interdisciplinar que acaba
abordando diversas áreas do conhecimento. Nós estamos tendo essa preocupação de
tentar oferecer um pouco de cada mundo, digamos assim, para os estudantes.
Iniciamos muito fortemente com a parte de sistemas satelitais. E hoje já
atingimos esses outros setores. Tanto sistemas para meios terrestres, quanto
sistemas para foguetes e propulsão”, explica o professor Carlos Brito, que
também coordena o curso de Engenharia Aeroespacial da UFMA.
Construir Conhecimento e Acesso ao Espaço
A vocação do Maranhão para o setor aeroespacial contribui
para essa trajetória. O estado abriga o Centro de Lançamento de Alcântara
(CLA), infraestrutura estratégica para atividades relacionadas ao acesso ao
espaço, o que cria condições para aproximar a Universidade de operações e
tecnologias aeroespaciais. Para o professor, essa proximidade representa uma
oportunidade para consolidar no estado uma formação acadêmica conectada às
atividades desenvolvidas no setor espacial.
“Por mais que a gente possa ter limites ainda em termos de
investimento e infraestrutura, os nossos discentes conseguem acompanhar e ter
uma noção muito próxima do que se faz no mundo inteiro”, avalia o professor.
A atuação em projetos de microgravidade, portanto, contribui
para posicionar a UFMA em uma cadeia que envolve pesquisa, desenvolvimento
tecnológico, formação profissional e prestação de serviços especializados.
Foto: Labesee
A experiência da Operação Potiguar 2 também representa uma
etapa importante para a consolidação da competência da UFMA em tecnologias
voltadas ao acesso ao espaço. O desenvolvimento do sistema de recuperação
permitiu que pesquisadores e estudantes acompanhassem uma aplicação concreta de
conhecimentos produzidos dentro da Universidade.
O projeto também mostrou a importância de tecnologias
aparentemente específicas, como sistemas de rastreamento e comunicação, para o
sucesso de uma missão espacial. Mesmo diante de uma falha em antenas de GPS
utilizadas no veículo, o sistema desenvolvido pela UFMA manteve a capacidade de
transmitir sinais e poderia auxiliar na localização da plataforma.
Com a continuidade do Programa de Microgravidade e a
perspectiva de novas missões, a Universidade amplia seu espaço de atuação e
cria novas oportunidades para que pesquisas desenvolvidas no país sejam
testadas em ambiente espacial.
Para a UFMA, trata-se também de uma estratégia de longo
prazo: formar pessoas, desenvolver tecnologia e aproveitar a posição
privilegiada do Maranhão para contribuir com a construção de uma capacidade
espacial brasileira.
“É uma sensação de dever cumprido. Eu encaro muito isso aqui
como uma missão nossa. A nossa missão é desenvolver esse setor espacial aqui no
Maranhão”, conclui Carlos Brito.
A participação da Universidade no Programa de Microgravidade
brasileiro materializa o propósito de conectar pesquisa, inovação e formação
acadêmica a um dos setores tecnológicos de maior complexidade. Desenvolver soluções
próprias e preparar estudantes para atuar em diferentes etapas da cadeia
espacial, a UFMA fortalece sua posição como instituição capaz de produzir
conhecimento e tecnologia para além dos limites do ambiente acadêmico.
Brazilian Space
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