Portugal ao Espaço: Portuguesa Omnidea adquire ativos da britânica Orbex e reforça ambição de lançar ao espaço a partir do Açores

Olá, Entusiasta!


Conforme entrevista dada ao portal Radar, em mais um passo estratégico para consolidar a autonomia tecnológica e espacial da Europa, a empresa portuguesa Omnidea anunciou a aquisição dos ativos de produção e da propriedade intelectual da empresa britânica Orbex. A Orbex, que enfrentava um processo de insolvência, liderava um dos cinco consórcios (Isar Aerospace, Maiaspace, Orbex, PLD Space e Rocket Factory Augsburg), no âmbito do European Launcher Challenge (ELC), selecionados pela Agência Espacial Europeia (ESA) no âmbito do European Launcher Challenge (ELC).

Lançador que a Orbex estava desenvolvendo (Orbex Prime) e que a Omnidea irá retomar.

Com a transação — cujos valores financeiros não foram divulgados —, a Omnidea incorpora um centro de fabrico de microlaçadores e um polo de eletrónica para sistemas de voo e solo localizados na Escócia, além de unidades operacionais na Dinamarca. Fica de fora da operação o porto espacial de Sutherland, cuja gestão foi assumida pela Highlands and Islands Enterprise.

Sinergia tecnológica e o Projeto Viriato

A Omnidea já contava com mais de duas décadas de experiência e uma forte colaboração com a ESA e a Agência Europeia de Defesa (EDA). A empresa atua, nomeadamente, num projeto liderado pela Airbus para o desenvolvimento de satélites em órbita terrestre muito baixa (VLEO).

Edifício da Orbex. umdos ativos adquiridos.

Segundo Tiago Pardal, fundador e CEO da Omnidea, a compra surge como uma oportunidade complementar ao ecossistema tecnológico que vinha a ser desenvolvido em Portugal:

"A Orbex estava a desenvolver um lançador com muitas similaridades com o que estávamos a desenvolver em Portugal — um veículo focado no lançamento de satélites com até 200 kg de carga útil. Havia muitas sinergias entre o trabalho deles e o nosso projeto Viriato. Em Portugal, estávamos focados na propulsão; na Escócia, eles tinham o Flight Termination System (FTS), aviónica e estruturas avançadas."

Prazos e mercado: A janela entre 2030 e 2035

Embora as metas originais do European Launcher Challenge previssem lançamentos orbitais até 2028, Tiago Pardal reconhece que esses prazos já não são exequíveis. O executivo projeta agora o primeiro voo orbital para a primeira metade da década de 2030:

"A meta de 2028 não é de todo viável. Um desejo ambicioso seria avançar antes do fim da década, mas uma data por volta de 2035 começa a ser mais realista. O essencial é aproveitar a janela entre 2030 e 2035, período em que haverá uma escassez global de slots de lançamento."

A escassez referida deve-se ao facto de gigantes como a SpaceX estarem focadas nos seus próprios programas institucionais dos EUA e nas mega-constelações Starlink. Essa saturação do mercado abre espaço para microlaçadores dedicados a cargas úteis de pequeno e médio porte.

Fomentar a Constelação do Atlântico e soberania própria

Para além de atender a clientes internacionais e institucionais, a Omnidea tem na mira as necessidades das suas próprias participadas. A empresa é acionista da Geosat, operadora ligada à Constelação do Atlântico.

"Os próximos satélites da Constelação do Atlântico dificilmente conseguirão slots na SpaceX. Faria todo o sentido que tivéssemos a capacidade autónoma de lançar os nossos próprios satélites de nova geração."

Captação de capital e próximos passos

Para dar suporte ao desenvolvimento do veículo lançador, a Omnidea prepara-se para ir ao mercado angariar financiamento externo nos próximos anos, equacionando opções como venture capital, emissão de obrigações bancárias e parcerias institucionais europeias.

https://eco.sapo.pt/entrevista/omnidea-compra-britanica-orbex-faz-sentido-lancarmos-os-nossos-satelites/#:~:text=salas%20de%20engenharia.-,Sala,-de%20Controlo%20da

Em termos operacionais, os trabalhos imediatos focam-se na integração dos ativos britânicos, no aproveitamento das equipas técnicas e no desenho de um novo roadmap de desenvolvimento tecnológico. Relativamente aos locais de lançamento, o grupo avalia a utilização quer de bases no norte da Europa quer do futuro Porto Espacial de Santa Maria, nos Açores.

Comentários