A 'Missão Voyager 1' da NASA Economiza Energia, Supera Falha de Comunicação e Segue Rumo a Marco Histórico
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Ontem (29/10), o portal da NASA noticiou que a equipe da Missão Voyager 1 conseguiu implementar medidas para economizar energia da espaçonave e solucionar uma breve interrupção nas comunicações.
Crédito da imagem: NASA/JPL-Caltech
De acordo com a nota do portal, a equipe da Missão Voyager, da NASA, está comemorando dois acontecimentos recentes envolvendo a espaçonave Voyager 1. Em setembro, a equipe concluiu com sucesso um esforço que durou vários meses para prolongar a disponibilidade de energia da espaçonave, cuja fonte de alimentação está diminuindo. Em seguida, em 20 de outubro, uma perda inesperada de comunicação com a espaçonave foi resolvida espontaneamente após 48 horas, antes que a equipe enviasse comandos à sonda para investigar o problema.
No início de setembro, os engenheiros conseguiram desligar três dispositivos da Voyager 1 e substituí-los por três alternativas de menor consumo de energia. Apelidada de “Big Bang”, essa iniciativa de economia de energia foi concluída cerca de seis semanas depois de a equipe da missão realizar a mesma substituição na Voyager 2. O Big Bang permitirá que os instrumentos científicos restantes da Voyager 1 continuem operando por mais tempo do que se previa anteriormente.
As sondas Voyager obtêm energia por meio de geradores termoelétricos de radioisótopos, que convertem o calor produzido pela decomposição do plutônio em eletricidade. Como o estoque de plutônio diminui continuamente, ambas as sondas perdem cerca de 4 watts de potência por ano. Quase meio século após o lançamento das Voyager, as reservas de energia das espaçonaves tornaram-se bastante limitadas, exigindo que a equipe economize energia por meio do desligamento de dispositivos e sistemas não essenciais.
O Big Bang foi uma operação singular porque exigiu que as substituições fossem realizadas simultaneamente. Os seis dispositivos ajudam a manter as espaçonaves aquecidas o suficiente para funcionar na imensidão gelada do espaço. Somente substituindo os três dispositivos ao mesmo tempo a equipe conseguiria reduzir o consumo de energia da Voyager 1 e, simultaneamente, garantir que o calor fosse distribuído adequadamente pela espaçonave.
Nos últimos anos, a diminuição da disponibilidade de energia obrigou a equipe a desligar dois instrumentos científicos. A missão foi lançada em 1977 com 10 instrumentos científicos dedicados, alguns dos quais foram desligados após os encontros das espaçonaves com os planetas. Outros instrumentos permaneceram em funcionamento para estudar a região externa da heliosfera, uma bolha de partículas e campos magnéticos criada pelo Sol. Atualmente, as Voyager estão atravessando o espaço interestelar, a região situada além da heliosfera, e são as únicas espaçonaves que já estudaram diretamente essa região. Sem a realização do Big Bang, a missão teria precisado desligar outro instrumento da Voyager 1 já no verão de 2027.
Breve Perda de Sinal
Mas, entre agora e o verão de 2027, a equipe permanece preparada para outras surpresas, como a que enfrentou recentemente, quando perdeu temporariamente o contato com a Voyager 1 nos dias 18 e 19 de outubro. A Rede de Espaço Profundo da NASA (Deep Space Network) — composta por grandes antenas instaladas em três centros ao redor do mundo e utilizadas para estabelecer comunicação com espaçonaves que operam nas proximidades da Lua e além dela — não conseguiu detectar um sinal de rádio da sonda, que está a 16 bilhões de milhas (24 bilhões de quilômetros) da Terra, durante duas tentativas programadas de comunicação, realizadas com um intervalo de 24 horas entre elas. O sinal da espaçonave reapareceu 24 horas depois, em 20 de outubro, e a equipe manteve contato com ela desde então.
Os engenheiros ainda estão investigando o que provocou a perda de comunicação. Até o momento, a equipe determinou que um conjunto de propulsores ficou inoperante e que seus sistemas de reserva foram acionados. Essa substituição está programada para ocorrer automaticamente caso os computadores da espaçonave detectem alguma anormalidade nos propulsores em funcionamento. Essa resposta automática é conhecida como proteção contra falhas (fault protection) e orienta a espaçonave a entrar em uma configuração segura, ou estável, e interromper suas operações normais, dando aos engenheiros tempo para diagnosticar o problema e tomar as medidas necessárias.
“Esta é a primeira vez que vemos a espaçonave fazer algo assim, mas também estamos em uma fase da missão em que precisamos esperar o inesperado”, afirmou Kareem Badaruddin, gerente da missão Voyager no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, no sul da Califórnia. “Estamos aliviados por ter restabelecido o contato com a Voyager 1 e ansiosos para compreender o que aconteceu.”
Marco Histórico
Enquanto a investigação prossegue, a Voyager 1 avança a uma velocidade de 38.000 milhas por hora (61.155 quilômetros por hora) em direção a um marco importante. Em 18 de novembro, a espaçonave, que já percorreu uma distância maior do que qualquer outro objeto construído pelo ser humano, estará a 16,09 bilhões de milhas (25,89 bilhões de quilômetros) da Terra — o equivalente a um dia-luz, ou seja, a distância que a luz consegue percorrer em um dia.
Isso significa que as ondas de rádio utilizadas para estabelecer comunicação com a sonda levam 24 horas para alcançá-la, enquanto as ondas de rádio que transportam a mensagem de resposta da espaçonave levam outras 24 horas para retornar à Terra.
“Se você quiser dizer ‘olá’ à Voyager, envia sua mensagem, depois vai para casa e espera dois dias até finalmente receber uma resposta”, afirmou Suzanne Dodd, gerente do projeto Voyager no JPL.
A espaçonave não detectará nenhuma mudança em seu ambiente ao ultrapassar a marca de um dia-luz, assim como nada mudará a bordo da própria sonda. A importância desse marco está em demonstrar a imensidão do universo e a extraordinária resistência da exploradora humana que chegou mais longe no espaço.
Brazilian Space
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