A 'Missão Voyager 1' da NASA Economiza Energia, Supera Falha de Comunicação e Segue Rumo a Marco Histórico

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Ontem (29/10), o portal da NASA noticiou que a equipe da Missão Voyager 1 conseguiu implementar medidas para economizar energia da espaçonave e solucionar uma breve interrupção nas comunicações.

Crédito da imagem: NASA/JPL-Caltech
Esta imagem, registrada em 27 de abril de 1977, mostra uma das espaçonaves Voyager no interior da câmara de vácuo térmico do Simulador Espacial de 25 Pés, no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, no sul da Califórnia.

De acordo com a nota do portal, a equipe da Missão Voyager, da NASA, está comemorando dois acontecimentos recentes envolvendo a espaçonave Voyager 1. Em setembro, a equipe concluiu com sucesso um esforço que durou vários meses para prolongar a disponibilidade de energia da espaçonave, cuja fonte de alimentação está diminuindo. Em seguida, em 20 de outubro, uma perda inesperada de comunicação com a espaçonave foi resolvida espontaneamente após 48 horas, antes que a equipe enviasse comandos à sonda para investigar o problema.

No início de setembro, os engenheiros conseguiram desligar três dispositivos da Voyager 1 e substituí-los por três alternativas de menor consumo de energia. Apelidada de “Big Bang”, essa iniciativa de economia de energia foi concluída cerca de seis semanas depois de a equipe da missão realizar a mesma substituição na Voyager 2. O Big Bang permitirá que os instrumentos científicos restantes da Voyager 1 continuem operando por mais tempo do que se previa anteriormente.

As sondas Voyager obtêm energia por meio de geradores termoelétricos de radioisótopos, que convertem o calor produzido pela decomposição do plutônio em eletricidade. Como o estoque de plutônio diminui continuamente, ambas as sondas perdem cerca de 4 watts de potência por ano. Quase meio século após o lançamento das Voyager, as reservas de energia das espaçonaves tornaram-se bastante limitadas, exigindo que a equipe economize energia por meio do desligamento de dispositivos e sistemas não essenciais.

O Big Bang foi uma operação singular porque exigiu que as substituições fossem realizadas simultaneamente. Os seis dispositivos ajudam a manter as espaçonaves aquecidas o suficiente para funcionar na imensidão gelada do espaço. Somente substituindo os três dispositivos ao mesmo tempo a equipe conseguiria reduzir o consumo de energia da Voyager 1 e, simultaneamente, garantir que o calor fosse distribuído adequadamente pela espaçonave.

Nos últimos anos, a diminuição da disponibilidade de energia obrigou a equipe a desligar dois instrumentos científicos. A missão foi lançada em 1977 com 10 instrumentos científicos dedicados, alguns dos quais foram desligados após os encontros das espaçonaves com os planetas. Outros instrumentos permaneceram em funcionamento para estudar a região externa da heliosfera, uma bolha de partículas e campos magnéticos criada pelo Sol. Atualmente, as Voyager estão atravessando o espaço interestelar, a região situada além da heliosfera, e são as únicas espaçonaves que já estudaram diretamente essa região. Sem a realização do Big Bang, a missão teria precisado desligar outro instrumento da Voyager 1 já no verão de 2027.


Breve Perda de Sinal

Mas, entre agora e o verão de 2027, a equipe permanece preparada para outras surpresas, como a que enfrentou recentemente, quando perdeu temporariamente o contato com a Voyager 1 nos dias 18 e 19 de outubro. A Rede de Espaço Profundo da NASA (Deep Space Network) — composta por grandes antenas instaladas em três centros ao redor do mundo e utilizadas para estabelecer comunicação com espaçonaves que operam nas proximidades da Lua e além dela — não conseguiu detectar um sinal de rádio da sonda, que está a 16 bilhões de milhas (24 bilhões de quilômetros) da Terra, durante duas tentativas programadas de comunicação, realizadas com um intervalo de 24 horas entre elas. O sinal da espaçonave reapareceu 24 horas depois, em 20 de outubro, e a equipe manteve contato com ela desde então.

Os engenheiros ainda estão investigando o que provocou a perda de comunicação. Até o momento, a equipe determinou que um conjunto de propulsores ficou inoperante e que seus sistemas de reserva foram acionados. Essa substituição está programada para ocorrer automaticamente caso os computadores da espaçonave detectem alguma anormalidade nos propulsores em funcionamento. Essa resposta automática é conhecida como proteção contra falhas (fault protection) e orienta a espaçonave a entrar em uma configuração segura, ou estável, e interromper suas operações normais, dando aos engenheiros tempo para diagnosticar o problema e tomar as medidas necessárias.

“Esta é a primeira vez que vemos a espaçonave fazer algo assim, mas também estamos em uma fase da missão em que precisamos esperar o inesperado”, afirmou Kareem Badaruddin, gerente da missão Voyager no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, no sul da Califórnia. “Estamos aliviados por ter restabelecido o contato com a Voyager 1 e ansiosos para compreender o que aconteceu.”

Marco Histórico

Enquanto a investigação prossegue, a Voyager 1 avança a uma velocidade de 38.000 milhas por hora (61.155 quilômetros por hora) em direção a um marco importante. Em 18 de novembro, a espaçonave, que já percorreu uma distância maior do que qualquer outro objeto construído pelo ser humano, estará a 16,09 bilhões de milhas (25,89 bilhões de quilômetros) da Terra — o equivalente a um dia-luz, ou seja, a distância que a luz consegue percorrer em um dia.

Isso significa que as ondas de rádio utilizadas para estabelecer comunicação com a sonda levam 24 horas para alcançá-la, enquanto as ondas de rádio que transportam a mensagem de resposta da espaçonave levam outras 24 horas para retornar à Terra.

“Se você quiser dizer ‘olá’ à Voyager, envia sua mensagem, depois vai para casa e espera dois dias até finalmente receber uma resposta”, afirmou Suzanne Dodd, gerente do projeto Voyager no JPL.

A espaçonave não detectará nenhuma mudança em seu ambiente ao ultrapassar a marca de um dia-luz, assim como nada mudará a bordo da própria sonda. A importância desse marco está em demonstrar a imensidão do universo e a extraordinária resistência da exploradora humana que chegou mais longe no espaço.

Brazilian Space

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