Observatório do Valongo, da UFRJ, Registra o Nascimento de Uma Estrela em Estudo Internacional

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O portal da Rede Minerva divulgou uma importante descoberta astronômica realizada pelo Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), localizado no Morro da Conceição, na região central da cidade do Rio de Janeiro (RJ).

O observatório participou de um estudo que revelou o nascimento de uma estrela. A pesquisa foi liderada pelo Professor Wagner Marcolino, pesquisador da UFRJ, e contou com a colaboração de universidades e institutos de diversos países.

Foto: Divulgação
A estrela Sakurai’s Object fica na constelação de Sagitário, a uma distância entre 10.000 e 11.500 anos-luz da Terra.

Uma pesquisa científica com participação da UFRJ revelou o renascimento de uma estrela no universo. Trata-se da Sakurai’s Object, que voltou a apresentar fusão nuclear depois de atingir seus estágios finais. A descoberta foi feita pelo Observatório do Valongo, por meio do professor e pesquisador Wagner Marcolino. A estrela fica na constelação de Sagitário, a uma distância entre 10.000 e 11.500 anos-luz da Terra.

“Eu estava juntando uma amostra de estrelas e modelos da atmosfera, onde a gente consegue ter parâmetros, e nesse processo juntei um pouco mais de uma dezena. Depois, parei em um objeto que tinha observações recentes com VLT (Very Large Telescope – “telescópio muito grande”, em tradução livre) do Chile, que conheço desde a época do meu doutorado. Fui olhar as observações com cuidado, para pegar esses dados, e percebi no espectro desse objeto que talvez estivesse vendo essa estrela renascer”, explica Marcolino.

A surpresa foi grande: “A gente esperava um objeto desse tipo morrer e morrer de vez, mas renasceu. Aí percebi que poderia estar identificando o objeto que, de fato, renasceu de outra forma”. A evolução de estrelas segue um fluxo que, na maioria dos casos, termina com a extinção depois de bilhões de anos. No caso da Sakurai’s Object e outros quatro corpos no universo, a fase final é substituída por um renascimento. O fenômeno agora descoberto por Marcolino começou no fim dos anos 1990.

“Estrelas parecidas com o Sol evoluem ao longo de bilhões de anos. O Sol, que tem cerca de 4,5 bilhões de anos, daqui a mais alguns bilhões de anos vai virar uma gigante vermelha e, depois, passar pela fase de nebulosa planetária, quando expulsa suas camadas externas e fica praticamente com o núcleo exposto, que dará origem a uma anã branca, o fim da vida da estrela”, ensina Marcolino.

“É assim que entendemos normalmente a evolução estelar, conhecimento construído ao longo de décadas com equações, modelos e observações. Só que, para uma pequena fração desses objetos, algo pode acontecer no interior e, em vez de morrer como uma anã branca, eles podem renascer. É super-raro, e foi justamente isso que a gente descobriu”, descreve o pesquisador.

Foto: Divulgação
A medição do espectro permitiu ao pesquisador Wagner Marcolino perceber que a estrela voltou a apresentar fusão nuclear depois de atingir seus estágios finais.

Depois de perceber a descoberta, o professor Marcolino e seu aluno Vitor Cardoso Maria contactaram estudiosos ao redor do mundo que também observam a Sakurai. Os primeiros a colaborarem foram Peter van Hoof e Griet Van de Steene, do Observatório Real da Bélgica, que, apesar de estarem debruçados no tema, ainda não haviam feito nenhum modelo de cálculo como o produzido no Valongo.

Atualmente, além de Brasil e Bélgica, o projeto engloba pesquisadores de Inglaterra, França, México, Alemanha e Polônia. O estudo já foi divulgado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society como uma letter (carta científica), usada para comunicar descobertas urgentes, publicação diferente dos artigos, que apresentam uma pesquisa completa, com metodologia detalhada.

Fuso Horário

A rotina de trabalho é uma das maiores dificuldades enfrentadas por Wagner Marcolino. Há um ano, desde que mapeou os objetos e percebeu o ineditismo da descoberta, ele tem de lidar com uma diferença de fuso horário que chega a cinco horas. “Basicamente trabalhamos via email e muitas videoconferências. Fizemos um cronograma de ter pelo menos uma reunião por mês fixada e, depois, por email, semanalmente, em alguns casos diariamente. É uma troca frenética de mensagens e resultados.”

Ele reconhece os obstáculos e destaca a importância da persistência no trabalho de pesquisa: “Às vezes, os alunos acham que a gente tira ideias geniais do nada, mas existe toda uma experiência e muito trabalho por trás. Foi essa experiência prévia que me permitiu ter um olhar crítico para aquele objeto, testar a hipótese nos modelos e ver se realmente se tratava de uma estrela renascendo. Poderia ter dado errado, como já aconteceu outras vezes, porque às vezes o nosso modelo está errado”.

O professor Marcolino ressalta o orgulho de participar da pesquisa: “Essa evolução, junto com a produtividade científica e o impacto que o Observatório do Valongo vem alcançando ao longo dos anos, é motivo de muito orgulho para mim como pesquisador e professor da UFRJ”.

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