Muito Barulho Por um MoU: O Que Há, de Fato, Por Trás da Parceria MLBR–Skyroot

Caros amantes das atividades espaciais!

Ontem (07/10)
, o arranjo empresarial do Projeto MLBR publicou uma pequena nota em suas redes sociais que causou um verdadeiro alvoroço entre os apaixonados pelo nosso querido “patinho feio”. Confira, abaixo, a nota na íntegra:

"As tecnologias e competências desenvolvidas no MLBR poderão contribuir para uma nova solução de acesso ao espaço, fruto de uma parceria entre empresas dos setores espaciais brasileiro e indiano. A proposta é codesenvolver um veículo lançador com capacidade de carga útil a partir de 100 kg para órbita baixa da Terra (LEO).

O novo veículo deverá ocupar uma faixa intermediária entre o MLBR, projetado para transportar até 40 kg, e os veículos de maior capacidade da família Vikram, da indiana Skyroot Aerospace, combinando competências e tecnologias desenvolvidas pelas duas iniciativas.

O acordo foi firmado entre a Concert Technologies, empresa integrante do programa MLBR, e a Skyroot Aerospace, por meio de um Memorando de Entendimento (MoU) assinado durante o International Astronautical Congress (IAC 2026), em Antalya, na Turquia.

A parceria aproxima empresas e tecnologias dos dois ecossistemas espaciais e abre novas possibilidades para atender às demandas do mercado mundial de satélites, principalmente para lançamentos em órbita equatorial.

🌎 Uma iniciativa da indústria que amplia as possibilidades de acesso ao espaço e fortalece a inserção da tecnologia espacial brasileira no mercado global."


Pois então, compatriotas, antes de vocês se deixarem levar por um entusiasmo exagerado, precisam entender definitivamente o que significa um “Memorando de Entendimento” (MoU), tão usado pela política no Brasil como se fosse um acordo tecnológico, quando, na verdade, não é.

Trata-se, na realidade, de um instrumento preliminar assinado por duas ou mais partes para alinhar intenções, objetivos, diretrizes e expectativas antes da formalização de um contrato definitivo.

Suas Principais Características São:

Caráter não vinculante: na maioria das vezes, o MoU não obriga legalmente as partes a executarem o negócio principal ou a assinarem um contrato futuro. Ele funciona como uma “carta de intenções”.

Pontos que podem ser vinculantes: embora o objetivo geral seja flexível, cláusulas específicas — como as de confidencialidade (NDA), exclusividade e propriedade intelectual durante a fase de negociação — costumam ter força jurídica obrigatória.

Alinhamento de expectativas: serve como um roteiro ou guia para organizar cronogramas, responsabilidades preliminares, escopo e regras de negociação.

Infelizmente, no Brasil, esse documento é vendido como se fosse um acordo, principalmente por políticos e por agentes que querem, de alguma forma, manipular os fatos. Portanto, baixem a bola e não gerem expectativas exageradas.

Afinal, mesmo sendo aparentemente uma iniciativa privada, lembrem-se de que as cinco empresas que estão no IAC (Concert Space, AMS Kepler, SAIPHER, Fibraforte Engenharia e Bizu Space) foram selecionadas por meio de um processo seletivo pela Farsa Espacial (AEB), para seguir o Modus Operandi da AEB e justificar os custos desse “Patrocinio amigo”.

Além disso, compatriotas, é preciso lembrar que o MLBR é, até o momento, um projeto em desenvolvimento que não teve nenhum de seus sistemas e subsistemas qualificados em voo e que pode até acabar, no final, em pizza.

Já o Foguete Vikram-1, da empresa indiana Skyroot Aerospace, este já voou, realizando seu voo inaugural em 18 de julho de 2026, através de uma missão denominada Aagaman (“chegada”, em sânscrito), que partiu do Centro Espacial Satish Dhawan, em Sriharikota, tornando-se o primeiro voo orbital de um foguete desenvolvido pela iniciativa privada na Índia, colocando satélites miniaturizados com sucesso em órbita baixa da Terra.

Compreendam compatriotas: as empresas brasileiras do MLBR não têm o que oferecer, nenhuma tecnologia espacial ou produto comprovado no espaço. E, mesmo se tivessem, isso só se justificaria se fosse para dividir os custos de um novo projeto de foguete, já que a startup indiana está em um estágio de desenvolvimento muito mais avançado do que suas contrapartes brasileiras, não precisando da participação delas.

Está aí o porquê de ter sido assinado um MoU, em vez de um acordo tecnológico conjunto, no qual as partes envolvidas se comprometem de verdade a realizar o desenvolvimento conjunto do objeto em questão.

Compatriotas, tenham cuidado. Não se deixem levar por notícias como essa. Vivemos em um Território de Piratas, sem o menor escrúpulo, e que, neste momento, passa por um processo eleitoral no qual vagabundos lutam pela sua sobrevivência no poder, usando todo o seu repertório nefasto para ludibriar a ignorante Sociedade Brasileira.

O MoU sempre foi um instrumento usado nesses momentos por esses oportunistas para enganar o povo brasileiro, que é, em sua grande maioria, desmemoriado e ignorante — e eles sabem disso. Isso ocorre diretamente falando, com a AEB, que tem tantos MoUs assinados em seus arquivos que daria para dar uma volta completa em torno do Equador Terrestre, bem como também indiretamente, como neste caso, quando há envolvimento desta mesma Farsa Espacial.

Esperar algo assim de uma empresa como a Concert Space não surpreende, afinal, ela está totalmente alinhada com o sistema. Mas o que surpreende, senhores, e entristece este que vos fala é observar que o arranjo empresarial do MLBR, que vinha tão bem com a sua comunicação com a Sociedade, tenha aceitado participar de uma nota como essa. Lamentável!

Brazilian Space

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