ITA/Fortaleza Cria Novo Curso de Graduação em Engenharia de Sistemas
Caros amantes das atividades espaciais!
Quem acompanha o tema já observa, com atenção, o avanço das iniciativas voltadas à implantação do novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em Fortaleza (CE).
Nesse contexto, a Força Aérea Brasileira (FAB) publicou, na segunda-feira (14/04), em seu portal oficial, uma nota sobre a criação do Curso de Graduação em Engenharia de Sistemas, que será ofertado pelo ITA na capital cearense. O texto destaca que a recente Missão Artemis II, da NASA, ilustra a relevância crescente dessa área de formação, especialmente no gerenciamento de sistemas complexos.
Fotos: ITA e NASA
De acordo com a nota do portal, a Engenharia de Sistemas, novo curso de graduação oferecido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), no campus de Fortaleza (CE), será voltada ao gerenciamento do desenvolvimento de sistemas complexos, uma atividade que exige atuação multidisciplinar e visão integrada de diferentes áreas do conhecimento.
Essa abordagem é aplicada em setores estratégicos, como o aeroespacial, a defesa e a indústria, nos quais a integração entre múltiplos componentes é determinante para o sucesso de projetos. Um exemplo recente dessa complexidade foi observado na Missão Artemis II, realizada pela NASA, em abril deste ano, marcando a volta do homem à órbita da Lua após mais de 50 anos.
O Comandante da Missão e Mestre em Engenharia de Sistemas, Astronauta Reid Wiseman, percorreu mais de 400 mil quilômetros em uma jornada de quase dez dias. A operação envolveu a integração precisa de diferentes subsistemas, do foguete à espaçonave, exigindo uma abordagem estruturada capaz de coordenar múltiplas áreas de conhecimento.
Segundo o Pesquisador do Centro Espacial ITA (CEI), Capitão Engenheiro Bruno Henrique Flores dos Santos Mattos, o sucesso da Artemis II ilustra de forma clara a importância da Engenharia de Sistemas como ferramenta fundamental nesse contexto. “Trata-se de uma abordagem que permite decompor um sistema altamente complexo em partes menores e mais controláveis, além de estruturar de forma rigorosa as interfaces entre elas”, explica.
A lógica aplicada é a do “dividir para conquistar”. Em uma missão espacial, por exemplo, isso significa organizar o sistema em subsistemas, como propulsão, controle de atitude, sistemas térmicos, estruturas, potência, comunicação e processamento de dados. Cada um desses elementos é desenvolvido de forma coordenada, garantindo que o conjunto funcione de maneira integrada.
Na indústria, essa mesma lógica também pode ser observada. No desenvolvimento de uma aeronave comercial, por exemplo, os projetos são estruturados em diferentes subsistemas, como fuselagem, sistemas de controle de voo, aviônicos, propulsão, sistemas elétricos e interiores de cabine. Cada área é projetada por equipes especializadas, mas todas precisam operar de forma integrada.
“A criação do curso de Engenharia de Sistemas, com previsão de oferta no novo campus em Fortaleza, acompanha a crescente demanda por profissionais capacitados a atuar em ambientes de alta complexidade. A formação nessa área fortalece a capacidade nacional de desenvolver soluções tecnológicas integradas, com aplicações em setores estratégicos para contribuir com o avanço científico e a inovação no país”, destacou o Reitor do ITA, Professor Doutor Antonio Guilherme de Arruda Lorenzi.
Experiência Espacial
O Brasil é signatário do Programa Artemis e o ITA participa das pesquisas por meio do desenvolvimento de um satélite que deverá orbitar a Lua, o SelenITA. O objetivo será investigar os campos magnéticos e as interações presentes na crosta lunar, além de estudar o transporte de poeira na superfície do satélite, provocado por fenômenos elétricos e impactos de asteroides.
Além do SelenITA, o Instituto também atua no desenvolvimento do ITASAT II, uma constelação composta por três cubesats voltados ao monitoramento da ionosfera terrestre. O projeto contempla a avaliação da formação e do impacto de bolhas de plasma, além de aplicações no setor de defesa, como a geolocalização de fontes de radiofrequência em solo e no mar e a identificação óptica de embarcações não colaborativas.
Segundo o Chefe do CEI, Major Aviador Carlos Eduardo de Sá Amaral Oliveira, as iniciativas evidenciam o potencial estratégico dessas missões para a formação de recursos humanos e para o fortalecimento da presença nacional no cenário aeroespacial. “Além da produção de conhecimento científico, os projetos ampliam a experiência do ITA no desenvolvimento de sistemas espaciais avançados, fortalecem a cooperação internacional e criam oportunidades valiosas para a formação de engenheiros e pesquisadores em áreas de fronteira”, afirmou o Oficial.
Outros dois cubesats já foram desenvolvidos pelo ITA e colocados em órbita. O ITASAT-1 foi lançado em 2018, com o objetivo de permitir que professores e pesquisadores acompanhassem todas as etapas de um projeto espacial, da concepção ao lançamento e às operações em órbita. O satélite também levou ao espaço uma inovação inédita: o primeiro software nacional de controle de atitude integralmente projetado e implementado no país. Já o Scintillation Prediction Observations Research Task (SPORT) foi lançado em 2022 para a coleta de dados da camada superior da atmosfera terrestre, contribuindo para estudos sobre os efeitos de tempestades solares em sistemas de telecomunicações.
Brazilian Space
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