O Rover Curiosity da NASA Encontrou Moléculas Orgânicas Nunca Vistas Antes em Marte

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Em 21 de abril, a NASA anunciou que o Rover Curiosity identificou, pela primeira vez, moléculas orgânicas inéditas no solo de Marte, um achado que amplia as evidências sobre o potencial do planeta para abrigar vida no passado.
 
Credito: NASA/JPL-Caltech/MSSS 
O rover Curiosity, da NASA, registrou esta selfie em 25 de outubro de 2020 após perfurar uma amostra de rocha em um local apelidado de “Mary Anning”. Após anos de análises detalhadas, a amostra revelou a maior diversidade de moléculas orgânicas já encontrada em Marte.

De acordo com a nota do portal, depois de anos de trabalho em laboratório, os resultados chegaram: uma rocha perfurada e analisada pelo Curiosity em 2020 contém a coleção mais diversa de moléculas orgânicas já identificada no Planeta Vermelho. Das 21 moléculas contendo carbono encontradas na amostra, sete foram detectadas pela primeira vez em Marte.
 
Os cientistas ainda não conseguem determinar se essas moléculas orgânicas foram formadas por processos biológicos ou geológicos — ambas as possibilidades são viáveis —, mas a descoberta reforça que o Marte antigo possuía a química necessária para sustentar a vida. Além disso, essas moléculas se somam a uma lista crescente de compostos que conseguem se preservar em rochas mesmo após bilhões de anos de exposição à radiação marciana, que tende a degradá-las ao longo do tempo.
 
Os resultados foram detalhados em um novo artigo publicado na revista Nature Communications.
 
Credito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
A câmera Mastcam do Curiosity registrou, em 3 de fevereiro de 2019, um mosaico de uma região no Monte Sharp rica em rochas contendo argila, formadas quando lagos e rios existiam bilhões de anos atrás. A amostra “Mary Anning 3” foi encontrada nessa área.

A amostra de rocha, apelidada de “Mary Anning 3” em homenagem à paleontóloga inglesa Mary Anning, foi coletada em uma parte do Monte Sharp que, no passado distante, era coberta por lagos e cursos d’água. Esse ambiente passou por ciclos de inundação e seca, enriquecendo a região com minerais de argila — especialmente eficazes na preservação de compostos orgânicos, moléculas baseadas em carbono que são os blocos fundamentais da vida e estão presentes em todo o Sistema Solar.
 
Entre as moléculas recém-identificadas está um heterociclo de nitrogênio — uma estrutura em anel composta por átomos de carbono e nitrogênio — considerado precursor de moléculas mais complexas como RNA e DNA, essenciais para a informação genética.
 
“Essa detecção é bastante profunda porque essas estruturas podem ser precursoras químicas de moléculas nitrogenadas mais complexas”, afirmou Amy Williams, autora principal do estudo. “Heterociclos de nitrogênio nunca haviam sido encontrados antes na superfície marciana nem confirmados em meteoritos de Marte.”
 
Credito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
Este é um close detalhado e anotado de três perfurações feitas pelo rover Curiosity, da NASA, em uma rocha marciana em um local apelidado de “Mary Anning”, em outubro de 2020. A amostra em que o veículo encontrou uma grande diversidade de moléculas orgânicas veio do ponto chamado “Mary Anning 3”. (Um local próximo, apelidado de “Mary Anning 2”, não foi utilizado.)

Outra descoberta relevante foi o benzotiofeno, uma molécula composta por carbono e enxofre já identificada em diversos meteoritos. Alguns cientistas acreditam que esses meteoritos, junto com suas moléculas orgânicas, podem ter contribuído para a disseminação de uma química prebiótica no início do Sistema Solar.
 
Química Marciana
 
O novo estudo complementa a descoberta do ano passado das maiores moléculas orgânicas já encontradas em Marte: hidrocarbonetos de cadeia longa, como decano, undecano e dodecano.
 
“Este é o Curiosity e nossa equipe em seu melhor desempenho. Foram necessárias dezenas de cientistas e engenheiros para localizar esse local, perfurar a amostra e fazer essas descobertas com nosso incrível robô”, disse Ashwin Vasavada, cientista do projeto no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. “Essa coleção de moléculas orgânicas aumenta novamente a possibilidade de que Marte tenha oferecido condições para a vida no passado.”
 
Ambas as descobertas foram realizadas com um minilaboratório sofisticado chamado Sample Analysis at Mars (SAM), localizado dentro do rover. Um sistema de perfuração tritura a rocha em pó, que é então analisado após aquecimento em altas temperaturas, liberando gases que revelam sua composição.
 
O SAM também realiza experimentos de “química úmida”, misturando amostras com solventes especiais para quebrar moléculas maiores em componentes menores e mais detectáveis. Entre esses solventes está o hidróxido de tetrametilamônio (TMAH), usado apenas em amostras de alto valor científico — como a “Mary Anning 3”, a primeira a ser exposta a essa substância.
 
Para validar os resultados, os cientistas testaram o método na Terra utilizando o Meteorito Murchison, com mais de 4 bilhões de anos. O experimento mostrou que o TMAH pode decompor moléculas maiores em compostos semelhantes aos encontrados em Marte, indicando que os compostos marcianos podem ter se originado de estruturas ainda mais complexas.
 
O rover Curiosity utilizou recentemente sua segunda e última cápsula de TMAH enquanto explorava cristas em forma de rede (“boxwork”), que foram formadas por águas subterrâneas antigas. A equipe da missão irá analisar esses resultados em um futuro artigo científico revisado por pares.
 
Preparando o Caminho Para Novas Missões
 
Desenvolvido pelo Goddard Space Flight Center, o SAM é baseado em instrumentos laboratoriais maiores adaptados para operar em Marte. Sua miniaturização exigiu avanços significativos em engenharia e eficiência energética.
 
“Foi um grande desafio descobrir como realizar esse tipo de química pela primeira vez em Marte”, afirmou Charles Malespin, investigador principal do instrumento. “Agora, com a experiência adquirida, estamos preparados para aplicar técnicas semelhantes em futuras missões.”
 
Esses avanços já estão sendo aplicados em novos projetos, como o Rover Rosalind Franklin, da Agência Espacial Europeia, e a Missão Dragonfly, que explorará a lua Titã de Saturno.
 
Mais Sobre o Curiosity
 
O Curiosity foi construído pelo Jet Propulsion Laboratory, gerenciado pelo Caltech, que lidera a missão em nome da NASA como parte do Programa de Exploração de Marte.
 
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