Instrumentos Internacionais da 'Missão Tianwen-3' da China ao Planeta Marte Foram Revelados Pela CNSA
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No dia 28 de abril, o portal China in Space noticiou que a Administração Espacial Nacional da China (CNSA) revelou os instrumentos internacionais que integrarão a Missão Tianwen-3 ao Planeta Marte. A iniciativa contará com a participação de parceiros globais, que contribuirão na busca por possíveis sinais de vida no planeta vermelho, além de colaborarem em estudos sobre o clima espacial.
Imagem: Administração Espacial Nacional da China
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| O módulo de pouso marciano da missão Tianwen-1, visto pelo rover Zhurong após ele chegar à superfície em maio de 2021. |
De acordo com a nota do portal, após anunciar, treze meses atrás, que a missão de retorno de amostras de Marte Tianwen-3 (天问三号) está aberta a instrumentos internacionais, a Administração Espacial Nacional da China (CNSA) revelou quais participantes foram selecionados, totalizando cinco.
Três desses instrumentos estarão a bordo da espaçonave orbitador-retorno à Terra da Tianwen-3, que ficará em uma órbita de 350 quilômetros ao redor de Marte. De interesse para o objetivo da missão de buscar vida, o Comitê de Pesquisa Espacial, com sede na França, possui o “Espectrômetro Mars PEX”, que buscará possíveis bioassinaturas em todo o planeta vermelho, além de analisar a composição dos materiais da superfície.
Junto a ele em órbita está o “Analisador de Composição de Íons Moleculares de Marte”, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (澳门科技大学), na Região Administrativa Especial de Macau (澳门). Esse instrumento estudará como a atmosfera do planeta é perdida devido às pressões do ambiente solar, originadas no Sol.
Macau não é a única Região Administrativa Especial na espaçonave orbitador-retorno à Terra, pois a Universidade Chinesa de Hong Kong (香港中文大学) também possui um “Espectrômetro Heteródino a Laser” para a missão. Esse espectrômetro será usado para medir a distribuição de água na atmosfera marciana, bem como os ventos.
Em outra região do espaço acima de Marte, com o módulo de serviço da combinação pousador-veículo de ascensão em uma órbita altamente elíptica, a Universidade de Hong Kong (香港大学) possui seu “Espectrômetro de Infravermelho de Comprimento de Onda Curto” para realizar um levantamento de recursos do planeta, buscando possíveis bioassinaturas e materiais hidratados, além de prever tempestades de poeira que podem destruir espaçonaves. Sobre a inclusão do instrumento a bordo da Tianwen-3, o professor Li Yiliang (李一良), do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias da universidade, declarou:
“Esta missão marca uma contribuição significativa da comunidade científica de Hong Kong para o programa nacional de exploração do espaço profundo. Utilizando tecnologia de imageamento hiperespectral, buscaremos diretamente bioassinaturas e minerais hidratados em Marte, o que é fundamental para compreender a distribuição da vida no universo.”
Por fim, o Laboratori Nazionali di Frascati, da Itália, produziu um “Conjunto de Retrorefletores a Laser” para estabelecer um segundo ponto de referência na superfície marciana, permitindo medições de distância precisas ao estar a bordo do módulo de pouso. Retrorefletores vêm sendo enviados à Lua há mais de cinquenta anos, inclusive para o lado oculto, mas só começaram a chegar a Marte nesta década. Em entrevista ao China Daily, Yu Guang (余光) explicou por que enviar esses dispositivos ao planeta vermelho é importante para a Tianwen-3:
“O conjunto é utilizado para medições a laser de alta precisão, permitindo posicionamento exato. […] A instalação desse dispositivo em Marte possibilita que orbitadores realizem medições a laser e posicionamento preciso. Isso ajudará a estabelecer um sistema unificado de referência temporal e geodésica entre a Terra e Marte, além de fornecer suporte técnico essencial para o encontro e acoplamento em órbita marciana — a etapa mais desafiadora da missão de retorno de amostras de Marte.”
Com esses instrumentos a bordo, além de outros de instituições chinesas, a Tianwen-3 será lançada em direção a Marte por dois foguetes Longa Marcha 5, com cerca de um mês de diferença entre eles, a partir do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang em 2028. Caso a missão ocorra conforme o planejado, amostras da superfície de Marte serão coletadas e retornadas à Terra em 2031, possivelmente tornando a China o primeiro país a realizar esse feito. Essas amostras serão compartilhadas com cientistas de todo o mundo, assim como as coletadas pelas missões Chang’e 5 e Chang’e 6.
Embarque na Xihe-2
Também foi anunciado em 24 de abril que a missão Xihe-2 (羲和二号), formalmente conhecida como Observatório Solar Lagrange-V (LAVSO), está aberta a um número limitado de instrumentos internacionais. A missão, com lançamento previsto para 2028 ou 2029 em direção ao ponto de Lagrange L5 do sistema Sol-Terra, tem como objetivo melhorar as previsões de clima espacial e os alertas precoces para ejeções solares, além de estudar a geração e evolução dos campos magnéticos solares.
Segundo um comunicado da Administração Espacial Nacional da China, cartas de intenção para descrever instrumentos estrangeiros devem ser enviadas até o final de junho, com uma seleção preliminar dos candidatos até setembro e propostas completas a serem detalhadas até o final desse mês. A confirmação dos instrumentos que estarão a bordo da Xihe-2 será feita em dezembro.
Quanto ao tamanho dos instrumentos, o limite de massa é de no máximo 15 quilogramas, ocupando um espaço de 200 × 200 × 120 milímetros. Esses instrumentos também devem consumir no máximo 30 watts de energia e operar em temperaturas que variam regularmente entre -50 e 70 graus Celsius.
Para manter as oportunidades de lançamento por meio de um foguete Longa Marcha 3C a partir do Centro de Lançamento de Satélites de Xichang no final de 2028 ou início de 2029, a Administração Espacial Nacional da China determinou que os instrumentos devem ser entregues até abril de 2028 para testes integrados e preparação de lançamento. Espera-se que dados úteis da Xihe-2 comecem a ser transmitidos após cerca de 140 dias, com a nave atingindo o ponto L5 aproximadamente 790 dias após o lançamento.
Brazilian Space
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