Comitiva Brasileira Paticipa da 11ª Edição do 'China Space Day' Para Discutir a Possibilidade de Novos Satélites e Missões Espaciais

Prezados entusiastas das atividades espaciais!
 
Na última quinta-feira (24/04), o portal do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) publicou mais uma nota cheia de falácias informando que o Brasil enviou uma delegação à 11ª edição do China Space Day, em busca de cooperação científica. Segundo o órgão, o objetivo também seria discutir a possibilidade de novos satélites e missões, destacando ainda a participação brasileira com avanços no programa CBERS e em outras frentes de cooperação tecnológica.
 
Bom, o problema é que a nota não explica de onde viriam os recursos financeiros para envolver o Brasil em novos projetos espaciais com a China. No cenário de fragilidade econômica e política que vivemos, essa omissão levanta questionamentos. Além disso, tenho críticas recorrentes ao discurso em torno do Programa CBERS: pois apesar de ser apresentado como exemplo de avanço tecnológico, o programa não corresponde a essa imagem. Afinal na prática, o programa acabou se tornando uma espécie de “Programa-Escola” para jovens engenheiros chineses em formação, enquanto a equipe brasileira é composta majoritariamente por profissionais mais experientes. Do ponto de vista tecnológico, os resultados no período apesar de relevantes e úteis, são defasados e de alto custo, especialmente quando comparados a alternativas mais modernas e baratas disponíveis no mercado, que pode ser comprovado por pesquisa simples através da net. 
 
Outro ponto de contestação envolve as declarações atribuídas nessa nota ao Sr. Rubens Diniz, um dos representantes do MCTI no evento, como a de que o reconhecimento ao Brasil como país convidado refletiria quase quatro décadas de atuação conjunta em tecnologia de ponta, com destaque para o CBERS. Afinal, essa afirmação não se sustenta, tanto pelo entendimento de que o programa não representa tecnologia de ponta coisíssima nenhuma, quanto pela avaliação de que o interesse chinês no Brasil estaria centrado em uma cooperação espacial positiva e relevante.
 
Na verdade, o que o representante desse órgão — de forma bastante conveniente — deixou de mencionar é que a motivação da China seria, em grande medida, estratégica e política, inserida no contexto da disputa com os Estados Unidos e relacionada à relevância geográfica do território brasileiro para os interesses chineses. Sob essa perspectiva, acordos dessa natureza tendem a suscitar preocupações quanto a possíveis impactos na economia, na soberania, na política e na segurança nacional. Este cenário, portanto, é motivo de apreensão e de provável desastre para Sociedade Brasileira em longo prazo. Bom divertimento lendo o lixo abaixo.
 
Foto: MCTI
Brasil participou da 11ª edição do China Space Day 2026, em Chengdu, na província de Sichuan.
 
O uso de tecnologias espaciais já faz parte do cotidiano, seja no monitoramento de desastres, na agricultura ou no planejamento das cidades. Nesse cenário, o Brasil participou da 11ª edição do China Space Day 2026, nesta sexta-feira (24), em Chengdu, na província de Sichuan, como país convidado de honra, reforçando uma parceria que contribui para políticas públicas baseadas em dados e para o desenvolvimento sustentável.
 
A delegação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) foi liderada pelo chefe de gabinete do MCTI, Rubens Diniz. O encontro, que é o principal evento do setor espacial chinês, reuniu autoridades e especialistas de diferentes países e apresentou as diretrizes do programa espacial da China, com anúncios sobre missões a Marte, estudos solares, iniciativas no espaço comercial e novas oportunidades de cooperação.
 
Durante o evento, Rubens Diniz destacou o papel da parceria entre Brasil e China no cenário internacional. “O encontro marca um momento importante da cooperação sino-brasileira no setor aeroespacial. Em um contexto global de tensões, os dois países demonstram que a colaboração é um instrumento relevante para o desenvolvimento e para a paz”, afirmou. Segundo ele, o reconhecimento ao Brasil como país convidado reflete quase quatro décadas de atuação conjunta em tecnologia de ponta, com destaque para o Programa CBERS.
 
Durante coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, ressaltou a importância da cooperação internacional no setor espacial. “Explorar o vasto universo é uma aspiração compartilhada pela humanidade. A China sempre defendeu a igualdade, o benefício mútuo e o uso pacífico do espaço, promovendo uma cooperação aberta com diversos países”, disse. Ele também destacou o papel do CBERS na proteção de florestas tropicais na América do Sul. 
 
Cooperação Com a China Reforça Autonomia Tecnológica Brasileira 
 
A participação brasileira no China Space Day também foi marcada pela apresentação de iniciativas conjuntas e pelo destaque à cooperação científica entre os dois países. O evento reuniu representantes institucionais e especialistas para discutir caminhos de integração tecnológica e desenvolvimento no setor espacial. 
 
Para o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do MCTI, Carlos Matsumoto, o convite ao Brasil reflete o reconhecimento dessa parceria. “O China Space Day é um evento nacional da China que, a cada edição, convida um país parceiro. Neste ano, o Brasil foi o escolhido, em reconhecimento a uma cooperação de 38 anos no setor espacial”, afirmou. 
 
Durante o encontro, representantes brasileiros apresentaram iniciativas que vão além do Programa CBERS, como o laboratório sino-brasileiro de clima espacial (Space Weather), experimentos científicos com o radiotelescópio Bingo e a articulação para uma constelação de satélites no âmbito do Brics. Também foram discutidas ações de formação acadêmica e intercâmbio, com oportunidades para estudantes brasileiros em instituições chinesas.
 
A participação incluiu ainda a apresentação de avanços e perspectivas do CBERS, com destaque para seu papel no monitoramento ambiental. A cooperação contribui para a autonomia tecnológica do País, especialmente na observação de biomas como a Amazônia, por meio de sistemas como o Deter e o Prodes.
 
O encontro também abordou os próximos passos da parceria, como o desenvolvimento do CBERS-6, com tecnologia de radar capaz de gerar imagens mesmo em períodos de chuva, e as negociações para o CBERS-5, primeiro satélite geoestacionário da cooperação. A iniciativa amplia a capacidade nacional na geração de dados meteorológicos e ambientais e reduz a dependência de informações externas. 
 
Carta Presidencial Reforça Parceria Estratégica
 
A abertura do evento contou ainda com a leitura de uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente Xi Jinping, apresentada por Rubens Diniz. No documento, o chefe de Estado brasileiro destacou o papel da cooperação espacial para o desenvolvimento dos países e para a sociedade.
 
Na mensagem, Lula afirmou que o China Space Day “celebra os avanços notáveis da China no campo espacial e reafirma o valor da cooperação internacional para o uso pacífico do espaço exterior”. O presidente também ressaltou que os satélites do programa CBERS contribuem diretamente para o monitoramento ambiental, a gestão de recursos naturais e o planejamento territorial, beneficiando não apenas Brasil e China, mas também outras nações.
 
Missão Incluiu Cooperação Técnica e Reuniões Bilaterais
 
Além da participação no China Space Day, a missão do MCTI na China prevê atividades em Chengdu e Pequim voltadas à ampliação da cooperação científica e tecnológica. Entre os compromissos estão reuniões com a Administração Espacial Nacional da China (CNSA), discussões técnicas sobre novos satélites e articulações institucionais com entidades do setor.
 
A programação também contempla a participação em espaços expositivos e fóruns técnicos, com foco no fortalecimento de projetos conjuntos e na ampliação da presença brasileira em iniciativas internacionais de alto valor tecnológico.
 
Brazilian Space
 
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