Conheça a Inspiradora História da Dra. Clarissa Rizzo Credidio, Jovem Astrofísica Brasileira da NASA que Trabalha na Área de Desenvolvimento de Telescópios Espacias
Caros amantes das atividades espaciais!
Pois então, visão, propósito e determinação são elementos que fazem diferença na vida de quem realmente busca conquistar grandes objetivos.
Como exemplo disso, conheça a trajetória da jovem Dra. Clarissa Rizzo Credidio, também conhecida nas redes sociais como “Clay do Ó”, através de uma reportagem publicada ontem (14/04) no site Guia do Estudante. Trata-se de uma astrofísica brasileira nascida nos EUA que atua na NASA, onde trabalha no desenvolvimento e na construção de telescópios.
Além de sua atuação científica, ela também se dedica a inspirar outras meninas a seguirem carreira na ciência, contribuindo para ampliar a representatividade feminina na área espacial e abrir caminhos para novas gerações.
Fonte: (Redes sociais/Arquivo pessoal)
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| Clary do Ó foi da zona sul de São Paulo aos corredores do JPL, centro da NASA focado em sondas e telescópios espaciais. |
De longe, o que causa uma primeira impressão podem ser as roupas cor-de-rosa, o cabelo escovado e a maquiagem impecável, mas não fique distraído pela estética da jovem que parece ter saído dos filmes “Legalmente Loira” ou “O Diabo Veste Prada”. Clary do Ó, mais conhecida nas redes sociais como Dra. Clary, é uma astrofísica brasileira de 28 anos que trabalha na NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço) construindo telescópios espaciais. Ela acaba de iniciar o seu pós-doutorado na área pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, a Caltech, e tem viralizado nas redes sociais compartilhando um pouco da sua rotina na agência espacial americana.
Clary se mudou para os Estados Unidos em 2016, quando foi aprovada na graduação de Astrofísica da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB). Até pouco tempo antes, mal sabia que o curso existia — e que era uma opção para quem sonhava em trabalhar com o espaço. O estalo aconteceu quando conheceu uma garota em um intercâmbio e descobriu que a irmã dela fazia Astrofísica no MIT, nos Estados Unidos. A descoberta se misturou com o sonho antigo de estudar fora e logo Clary começou a se candidatar às universidades americanas.
“Como os calendários letivos são diferentes, na mesma época em que eu estava me preparando para prestar o vestibular no Brasil, eu estava me aplicando às universidades dos Estados Unidos, imagina a minha cabeça”, conta ao GUIA DO ESTUDANTE. No meio tempo, a aprovação em Física na Universidade de São Paulo (USP) veio. A jovem iniciou o primeiro semestre e em abril recebeu a notícia de que havia passado em diversas faculdades americanas. Não pensou duas vezes: optou pela UCSB pela reputação e rigor acadêmico em Astrofísica.
Os pais da jovem, uma dermatologista e um engenheiro, sempre foram apoiadores do sonho da filha — e com a mudança para fora, ainda que com “muito chororô”, não foi diferente. “Meus pais sempre me apoiaram moral e financeiramente, eu realmente diria que foi um privilégio, que, infelizmente, não é a realidade de todo mundo”, lembra. O sonho do pai da Clary, inclusive, era ele mesmo ser um astrofísico. “O tanto de sacrifícios que eles fizeram para eu chegar onde eu cheguei… não tenho o que falar, devo tudo a eles.”
Da Mudança Para a Califórnia ao Primeiro Estágio na NASA
A trajetória de Clary — que adotou a “versão” inglesa do seu nome de batismo, Clarissa, quando iniciou os estudos lá fora — até os corredores da NASA começa na zona sul de São Paulo. A paixão pelo espaço vem desde cedo, quando frequentava os planetários da cidade e o do Rio de Janeiro. Mas, como acontece com muitos jovens que sonham com o trabalho na agência americana, não sabia que isso realmente poderia acontecer.
Quando em 2016, aos 18 anos, embarcou rumo à Califórnia para iniciar a graduação em Astrofísica, já imaginava que, possivelmente, seguiria na área da pesquisa acadêmica. Entre as aulas e os professores da UCSB, entendeu rapidamente que, se queria chegar à NASA, precisava entrar cedo na pesquisa. No segundo ano do curso, então, conseguiu uma bolsa e começou a trabalhar com um professor da universidade.
Foi ali que se aproximou do tema que definiria o início da sua trajetória científica: a imagem direta de exoplanetas — uma técnica usada para detectar e observar planetas fora do Sistema Solar. “E eu amei, fiquei completamente apaixonada”, diz. “Eu pensei comigo mesma: ‘É isso que eu quero fazer’.”
Seu desempenho estelar (e, como ela mesmo define, sua “cara de pau”) lhe garantiu, em 2019, um estágio no Jet Propulsion Laboratory (JPL), o centro da NASA na Califórnia especializado em missões robóticas, sondas e equipamentos de exploração espacial.
Na época, o laboratório construía o Perseverance, um rover que, hoje, está em Marte. Para Clary, ver aquela tecnologia de perto teve um efeito incentivador quase hipnótico. “É muito doido pensar que eu vi o negócio ali, sendo feito, e agora ele tá em outro planeta, em Marte”, comenta.
No fim do estágio, a jovem conversou com o mentor sobre como poderia continuar naquele ambiente. E a resposta foi simples: ela precisaria fazer um doutorado. Se para alguns esse seria o tipo de conselho desmotivador, para Clary virou a bússola que ditaria a direção dos seus próximos passos.
Até porque visto e questões imigratórias nunca foram um problema no caso dela. Clary nasceu nos Estados Unidos. Pouco antes de nascer, o pai foi fazer um MBA no país e, junto com a mãe, vendeu tudo para bancar a mudança. Depois do nascimento da filha, porém, recebeu uma proposta de trabalho no Brasil, onde a mãe também poderia voltar a atuar como dermatologista, e retornou — Clary tinha dois anos.
O Doutorado Durante a Pandemia
Ao se graduar em 2020, emendou direto o doutorado na Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD). Se mudou justamente no período mais caótico da pandemia. “Começar o doutorado em 2020 foi… um evento”, brinca.
Nos Estados Unidos, o PhD costuma começar com dois anos de uma maratona de disciplinas teóricas antes das pesquisas iniciarem. “Eu passava, sem brincadeira, dez, doze horas fazendo lição de casa todo dia”, conta. “Foram os anos mais difíceis da minha vida.” Ela lembra que o nível de cobrança do curso era tão alto que alguns alunos se juntaram para falar com um professor sobre o volume de tarefas. “E ele falou: ‘Ué, mas vocês não estão saindo de casa. O que mais vocês têm para fazer?’”, lembra.
Apesar do ritmo intenso dos primeiros anos, Clary chegou logo na etapa de pesquisas e encontrou quem seria a sua orientadora — a quem também credita parte do seu sucesso. “Dei muita sorte”, afirma. “Ela era uma pessoa que se importava com os alunos, e isso faz toda a diferença.”
Em junho de 2025, a cientista concluiu sua tese — e passou a ser Dr. Clary.
“Eu acho que na vida é muito importante ser um pouco cara de pau”, brinca. Para ela, o que abriu portas não foi apenas ser boa em cálculo ou ter boas notas. Foi ter coragem de mandar e-mails, pedir oportunidades, se aproximar de pessoas que estavam onde ela queria chegar.
Pós-Doutorado na Caltech
Se engana quem pensa que, depois do doutorado, Clary tiraria um tempinho para descansar. Em setembro do mesmo ano, a cientista já iniciava um novo capítulo: um pós-doutorado na Caltech. Dessa vez, resgatando um desejo antigo da carreira: trabalhar com telescópios espaciais. Se no doutorado atuava com instrumentos em terra, agora entrava no campo das missões que observam o universo de fora da atmosfera.
Desde então, Clary tem dividido seu tempo entre a Caltech e o JPL. Este, inclusive, é um caso particular dentro da NASA: apesar de ser um dos dez centros da agência, é administrado pela própria Caltech. “É comum vermos gente da Caltech na NASA e vice-versa.”
Entre os projetos atuais, ela trabalha com o Nancy Grace Roman Space Telescope, que deve ser lançado ainda este ano, e também participa do design do Habitable Worlds Observatory, telescópio previsto para a década de 2040. Parte do seu trabalho envolve o coronógrafo, tecnologia que bloqueia a luz de uma estrela para permitir a observação de objetos muito próximos.
Um Pontinho Rosa no Meio do Espaço
Para além da trajetória acadêmica, algo que sempre acompanhou Clary é a sua paixão por moda. Quem conhece a jovem pelas redes sociais, sabe que ela é famosa por também compartilhar suas roupas e estilo pessoal. Por incrível que pareça, ela só conquistou esta confiança de ser quem é recentemente. “Quando eu comecei a faculdade, eu era outra pessoa, honestamente, nem me reconheço”, brinca. “Meu cabelo é bem escuro, quase preto, eu cortava ele mais curto, usava roupas mais discretas, bem do ‘estereótipo’ do nerd mesmo.”
“Quando eu decidi que queria fazer astrofísica, eu achei que nunca poderia me vestir assim”, diz. “Você via cientistas em séries como ‘The Big Bang Theory’ e não era a vibe do “Diabo Veste Prada”.
A cientista conta que sempre se afeiçoou pelo mundo da moda, da maquiagem e da estética considerada ultra-feminina — “puxei da minha mãe, acho”. Na infância, brincava de usar perucas loiras, inspirada na personagem Hannah Montana. “Tanto que no dia que eu tingi meu cabelo de loiro pela primeira vez foi o dia em que tudo se encaixou.”
O processo não foi simples. Começar a se vestir da maneira que sempre quis, em uma área tradicional e majoritariamente masculina, era um desafio. “Quando você pega todo mundo que trabalha na área… até mesmo as mulheres, às vezes elas não se vestiam mais femininas”. O medo da cientista era se destacar negativamente ou não ser levada a sério por conta do estilo. “Mas uma hora encheu o saco. Sabe quando você perde a confiança porque você não está se sentindo no seu melhor?”
Com o tempo, o estilo pessoal de Clary foi aflorando, uma peça rosa aqui, um detalhe ali… E, no final do doutorado, quando começou a se permitir explorar mais, chegou um dia no laboratório usando tênis rosa e moletom rosa combinando. Sua orientadora elogiou: “‘Nossa, adorei que combinou’”.
Hoje, diz que se sente muito mais confiante e não se imagina de outra forma. Em sua criação de conteúdo nas redes também reforça isso. “No lugar onde eu trabalho, o que eles estão preocupados é a entrega, a dedicação, consistência, capacidade de resolver problemas, não o que está por fora”, afirma.
Quando se depara com algum comentário pejorativo nas redes sociais, releva. “Eu acho que é um problema interno da pessoa, meio que projetando em cima das outras”, diz.
Por fim, Clary enxerga que a sua presença na NASA pode inspirar outras jovens que se sintam deslocadas em ambientes acadêmicos. Aparecendo como “a menina do rosa na NASA” em seus feeds, inspira mostrando que é possível, sim, ter uma carreira tradicional e também gostar de moda e se vestir com referências da cultura pop.
“Para mim, ver essas figuras como a Elle Woods, de ‘Legalmente Loira’, foi muito importante. Então, eu acho que é quase uma responsabilidade de quem chega no ponto que eu cheguei fazer isso para os outros se sentirem confortáveis também”, conclui.
Brazilian Space
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