Cientistas Chineses Propõem 'Rede de Lasers' Para Levar Energia Solar à Exploração da Lua

Prezados entusiastas das atividades espaciais!
 
No dia 16/04, o portal Inovação tecnológica noticiou que pesquisadores chineses querem usar Rede de lasers para viabilizar a exploração da Lua com energia solar.
 
[Imagem: Mengfan Tian et al. - planet.2026.26008]
(a) Rede de emissão de energia laser na superfície lunar, com múltiplos locais e adaptada ao terreno. (b) Distribuição da energia recebida por exploradores móveis lunares antes e depois da otimização adaptada ao terreno.
 
De acordo com a matéria do portal, a nova onda de interesse pela Lua, inaugurado com o recente sobrevoo pela missão Artemis, da NASA, tem como principal alvo as regiões permanentemente sombreadas do nosso satélite.
 
Acredita-se que essas áreas, que não recebem luz solar há bilhões de anos e onde as temperaturas caem abaixo de 230 °C negativos, podem abrigar depósitos valiosos de gelo de água, essenciais para sustentar futuras bases lunares.
 
Mas a mesma escuridão eterna que preserva a água torna impossível a instalação de equipamentos de energia solar, a fonte de energia mais usada até hoje na exploração espacial.
 
As bordas das crateras, por outro lado, recebem luz quase contínua, o que as torna locais adequados para captar a energia do Sol. Sempre se soube disso, mas também sempre se soube que é problemático levar essa energia de forma eficiente, prática e com custo razoável até os equipamentos que operam no fundo escuro das crateras - pense no peso dos cabos necessários e na dificuldade de sua instalação.
 
Esforços anteriores se limitaram a demonstrações de transmissão ponto a ponto ou a propostas de constelações de satélites, mas faltava uma visão sistêmica que tratasse múltiplos transmissores como uma rede coordenada.
 
Mengfan Tian e colegas do Instituto Harbin de Tecnologia, na China, acabam de encontrar uma solução para esse desafio: Uma rede de lasers otimizada para transmitir energia para as crateras escuras da Lua, viabilizando as bases permanentes.
 
[Imagem: Mengfan Tian et al. - planet.2026.26008]
Fluxo de energia e subsistemas, e os principais fatores de atenuação do laser durante a transmissão.
 
Distribuição de Energia na Lua
 
A solução, que otimiza o posicionamento de unidades de transmissão de laser levando em conta o terreno lunar, conseguiu aumentar a cobertura energética efetiva dessas regiões de 10,8% para 27,6%, e a conectividade entre áreas iluminadas de 39,9% para 98,9%.
 
Isso é suficiente para que veículos e equipamentos operem de forma confiável nas profundezas das crateras do polo sul lunar.
 
A equipe projetou essa rede desenvolvendo um arcabouço matemático que incorpora dados topográficos reais, coletados pela sonda LOLA da NASA (Lunar Orbiter Laser Altimeter), além de obstruções do terreno, condições de iluminação local, divergência do feixe de laser, erros de apontamento e atenuação do feixe de transmissão de energia pela poeira lunar.
 
A inovação central está na otimização simultânea de três dimensões de desempenho: Cobertura (garantir que as áreas cientificamente valiosas recebam energia), conectividade (reduzir a fragmentação das zonas energizadas para que exploradores móveis não percam o suprimento ao se deslocar) e custo (cada unidade de transmissão, cada metro quadrado de receptor e cada tonelada de equipamento entregue na Lua tem preço elevado).
 
O resultado é uma configuração de rede que equilibra escala de infraestrutura e capacidade operacional.
 
[Imagem: Mengfan Tian et al. - planet.2026.26008]
Topografia e condições de iluminação da área da Cratera Shackleton, usada como estudo de caso.
 
Também em Marte e na Terra
 
A relevância do trabalho vai além da Lua. Os mesmos princípios de otimização podem ser aplicados a cânions em Marte, operações de mineração em asteroides ou mesmo em aplicações terrestres, onde a infraestrutura elétrica convencional é inviável ou impraticável.
 
Com as agências espaciais correndo para estabelecer presença permanente no polo sul lunar - pelos programas Artemis da NASA, estação internacional de pesquisa lunar da China e iniciativas comerciais -, esta pesquisa fornece um método rigoroso para comparar diferentes arquiteturas de coleta e entrega de energia solar e orientar as decisões de investimento.
 
Afinal, sem um suprimento confiável de energia, os robôs, sistemas de perfuração e equipamentos de suporte à vida que se planeja enviar para o crepúsculo eterno das crateras lunares poderão nunca sair do papel.
 
Saiba mais:
 
Autores: Mengfan Tian, Liangmin Yu, Yanglong Zhang, Yiqing Wang, Pengzhen Guo, Lifang Li, Haibo Gao, Zongquan Deng
Revista: Planet
Vol.: 2, Issue 1 :26008
DOI: 10.15302/planet.2026.26008
 
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