Setor de Segurança de Voo Garante Precisão e Segurança nos Lançamentos Realizados no CLBI
Caros entusiastas das atividades espaciais!
Pois então, enquanto se desenrola a Operação Potiguar – FASE 2, no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim (RN), o portal da FAB publicou, ontem (08/09), uma nota bastante interessante e esclarecedora sobre o Setor de Segurança de Voo, área fundamental para garantir a precisão e a confiabilidade dos lançamentos realizados a partir do CLBI.
Para quem não sabe, esse setor é responsável, entre outras atribuições, pelo planejamento das trajetórias e pela definição das áreas de restrição, contribuindo diretamente para que os lançamentos ocorram de forma segura e controlada.
É um trabalho essencial para operações como a que está em curso no CLBI, envolvendo o Foguete Suborbital VS-30 V16, e que muitas vezes passa despercebido diante do protagonismo do foguete e de sua missão.
Fotos: Sargento Baccarin / CECOMSAER
Pois então, de acordo com a nota divulgada, a Segurança de Voo é um dos pilares que orientam cada etapa da Operação Potiguar Fase 2, que realiza, até o dia 19/09, o lançamento do veículo de sondagem VS-30 V16 com a Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R) a partir do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim (RN). Esse trabalho começa muito antes do lançamento, envolvendo o planejamento das trajetórias, a restrição de áreas e o monitoramento das condições atmosféricas.
A coordenação com a Marinha do Brasil (MB) e com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) é fundamental para assegurar que o voo do VS-30 V16 ocorra dentro dos parâmetros e limites previstos. Informações sobre eventuais restrições temporárias de voos e da movimentação de embarcações, respectivamente, são divulgadas por meio do NOTAM (Notice to Airmen) e do NOTMAR (Notice to Mariners), permitindo que usuários do espaço aéreo e marítimo tenham conhecimento das condições estabelecidas para o período da Operação.
O aviso aeronáutico informa a existência da atividade e os parâmetros da área que poderá sofrer restrição temporária, contribuindo para o planejamento e a segurança do tráfego durante a janela de lançamento. No ambiente marítimo, os NOTMAR cumprem função semelhante, comunicando informações relevantes para a navegação.
Segundo o Coordenador de Segurança de Voo da Operação, as equipes também acompanham de perto as condições meteorológicas, com atenção especial ao vento, que pode influenciar diretamente a trajetória do veículo durante a subida.
“Por não possuírem sistema de controle ativo, foguetes como o VS-30 dependem de análises rigorosas de estabilidade e de meteorologia para evitar desvios. Diferentemente de grandes veículos orbitais, o VS-30 não dispõe de sistema de terminação de voo. Nesse cenário, a segurança é baseada na alta confiabilidade do veículo e na precisão da trajetória, que segue em direção ao mar, garantindo que o impacto ocorra em área segura e controlada”, explica.
Trabalho Integrado
O trabalho é integrado com a meteorologia e com o rastreio por radar, que fornecem dados essenciais para o cálculo do ponto de impacto do veículo. Essa informação é fundamental não apenas para a segurança da Operação, mas também para o resgate da carga útil após o retorno. É justamente esse objetivo que torna a Fase 2 da Operação mais complexa que a Fase 1, realizada em 2024: a necessidade de recuperar a plataforma exige maior precisão nos parâmetros de lançamento e requisitos mais rigorosos frente às condições de vento.
Programa Espacial
A missão integra o Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB), que seleciona experimentos científicos e tecnológicos para voos suborbitais e orbitais. A PSM-R, desenvolvida para transportar experimentos que necessitam de ambiente de microgravidade, é o foco da Operação Potiguar Fase 2, que busca qualificar, em condições reais de voo, o sistema responsável pela recuperação da plataforma após o lançamento. A recuperação permite que os equipamentos e, principalmente, os experimentos sejam avaliados após o voo em microgravidade.
Veículo de Sondagem
Desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), Organização Militar da Força Aérea Brasileira (FAB) subordinada ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), o VS-30 V16 é lançado por trilho e possui estabilização aerodinâmica e por rotação, com massa total de aproximadamente 1.600 quilogramas e carga útil estimada em 401 quilogramas. As simulações de referência indicam apogeu de cerca de 100 quilômetros e alcance de aproximadamente 90 quilômetros.
Brazilian Space
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