A China Realizou em 45 Horas 'Quatro Lançamentos' Com Foguetes Diferentes Visando Acelerar Megaconstelações de Internet
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Fonte: Imagem ilustrativa criada por IA.
A China realizou quatro lançamentos orbitais em aproximadamente 45 horas, entre 15 e 17 de setembro de 2026, em uma sequência que envolveu foguetes de diferentes famílias, empresas privadas e organizações estatais. As missões partiram de três locais distintos, incluindo uma plataforma marítima no Mar da China Oriental, e colocaram dezenas de satélites em órbita.
Grande parte das cargas foi destinada às megaconstelações chinesas de internet via satélite Qianfan e Guowang, projetos que integram os esforços de Pequim para construir uma infraestrutura própria de comunicações em órbita baixa e ampliar sua participação no mercado global de conectividade espacial.
A sequência começou em 15 de setembro, quando um Foguete Zhuque-2E, desenvolvido pela empresa privada LandSpace, decolou do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no noroeste da China. O veículo levou dez satélites da constelação Qianfan.
A missão marcou a primeira utilização do Zhuque-2E, movido a metano e oxigênio líquido, para transportar um lote de satélites Qianfan. O lançamento também representou mais um passo na expansão da indústria espacial comercial chinesa, que vem desenvolvendo novos veículos e ampliando sua participação em missões orbitais.
Menos de 16 horas depois, outro lançamento foi realizado para a mesma constelação. Um Foguete Gravity-1 Y3, da empresa privada Orienspace, partiu de uma plataforma móvel no Mar da China Oriental levando oito satélites Qianfan e um satélite experimental Enhanced Ultra High Throughput, conhecido pela sigla EUHT.
Com uma carga total superior a três toneladas, o foguete colocou os satélites em uma órbita a aproximadamente 800 quilômetros de altitude. Segundo informações divulgadas pelo governo chinês, a missão estabeleceu novos recordes nacionais de massa transportada e altitude para um lançamento marítimo.
O uso de plataformas marítimas amplia as opções disponíveis para a China, permitindo maior flexibilidade na escolha das trajetórias e das áreas destinadas à queda de estágios dos foguetes. A missão do Gravity-1 também foi apresentada como o primeiro lançamento marítimo móvel chinês voltado à implantação de uma constelação de banda larga em órbita baixa.
Em 17 de setembro, a estrutura estatal chinesa entrou novamente em operação. Um Foguete Long March 12 da Shanghai Academy of Spaceflight Technology (SAST) colocou nove satélites em órbita para a Guowang, também conhecida como SatNet. Administrado pela China Satellite Network Group, o projeto prevê uma constelação de aproximadamente 13 mil satélites em órbita baixa.
A Guowang está entre as principais iniciativas chinesas para desenvolver uma rede própria de internet via satélite e ampliar a presença do país no setor internacional de comunicações espaciais.
Pouco mais de duas horas depois, outro lançamento ocorreu em Jiuquan. Um Foguete Kuaizhou-11 Y3 da China Aerospace Science and Industry Corporation (CASIC) levou os satélites Tianyi-51 e Tianyi-52, destinados à observação da Terra por radar de abertura sintética, conhecido como SAR.
Embora essa última missão não estivesse diretamente ligada às constelações Qianfan ou Guowang, sua realização em um intervalo tão curto reforçou a capacidade chinesa de manter uma elevada frequência de lançamentos utilizando diferentes famílias de foguetes e estruturas de lançamento.
A escala planejada para as duas megaconstelações ajuda a explicar a necessidade de aumentar essa cadência. A Qianfan prevê aproximadamente 15 mil satélites, enquanto a Guowang tem planos para cerca de 13 mil. Somadas, as duas redes poderão chegar a aproximadamente 28 mil espaçonaves, criando uma demanda de grande escala por foguetes, centros de lançamento e infraestrutura de apoio.
O movimento ocorre paralelamente à expansão do setor espacial comercial chinês. Empresas como LandSpace e Orienspace desenvolvem novos veículos, enquanto grupos tradicionais ligados ao programa espacial estatal continuam responsáveis por uma parcela significativa das missões.
Essa combinação entre estruturas públicas e privadas amplia a diversidade da capacidade de lançamento chinesa. Diferentes famílias de foguetes podem operar a partir de bases terrestres ou plataformas marítimas, criando mais alternativas para a implantação dos milhares de satélites previstos para as próximas etapas dos programas.
Outro eixo de desenvolvimento é a reutilização de foguetes. Nenhum dos quatro veículos utilizados na sequência de setembro recuperou seu primeiro estágio, mas empresas como a LandSpace trabalham em sistemas projetados para reutilização. Organizações estatais chinesas também desenvolvem tecnologias semelhantes.
A redução do custo por lançamento pode ganhar importância à medida que a quantidade de satélites a serem colocados em órbita aumentar. Para constelações com milhares de unidades, a frequência e o custo das missões passam a ser fatores centrais para a viabilidade da expansão.
Além dos objetivos comerciais, a construção das redes chinesas possui implicações estratégicas. Análises sobre a política espacial de Pequim apontam que as comunicações por satélite são consideradas parte de uma infraestrutura que pode atender a aplicações civis, governamentais e potencialmente militares.
O desenvolvimento de sistemas próprios também reduz a dependência de redes estrangeiras e amplia a autonomia chinesa no acesso a serviços de comunicação em órbita.
A sequência de quatro lançamentos em 45 horas, portanto, evidencia não apenas o avanço dos programas Qianfan e Guowang, mas também a transformação da capacidade de lançamento em um componente central da estratégia espacial chinesa. Com dezenas de milhares de satélites planejados, a manutenção de uma alta cadência de missões deverá ser um dos principais desafios para a expansão dessas megaconstelações nos próximos anos.
Brazilian Space
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