NASA Amplia Contrato com SpaceX, Mas Mantém Boeing na Disputa Por Missões Tripuladas

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Foto: NASA/Via BBC
Lançamento da missão CRS-26 da NASA, com foguete da SpaceX.

A NASA ampliou o contrato com a SpaceX, de Elon Musk, para garantir o transporte de astronautas à Estação Espacial Internacional (ISS) até 2030. Ao mesmo tempo, a agência espacial norte-americana mantém negociações com a Boeing para a realização de novas missões com a Espaçonave Starliner, sinalizando a intenção de preservar duas empresas capazes de transportar tripulações ao espaço.

Segundo informações divulgadas pela Reuters em 19 de setembro, a SpaceX receberá mais US$ 946 milhões pela realização de três voos adicionais. Com o novo aporte, o valor total do contrato com a empresa chega a US$ 5,92 bilhões.

Ao todo, a SpaceX deverá realizar 17 missões tripuladas para a NASA dentro do acordo. O contrato inclui treinamento dos astronautas, preparação das naves, lançamento, operações durante o voo, retorno das tripulações e recuperação das cápsulas.

Além de transportar astronautas, a Crew Dragon, da SpaceX, permanece acoplada à Estação Espacial Internacional durante parte da missão e pode ser utilizada como veículo de emergência para retirar a tripulação em caso de necessidade de abandono do complexo orbital.

Foto: Reprodução/NASA
A espaçonave Starliner, da Boeing.

Por que a NASA Ainda Quer a Boeing?

Apesar da ampliação do contrato com a SpaceX, a NASA também discute com a Boeing a possibilidade de utilizar a Starliner em dez ou mais missões futuras. As negociações foram reveladas pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal.

A Boeing confirmou à Reuters que continua comprometida com o programa de transporte comercial da NASA e que pretende realizar a próxima missão da Starliner de acordo com os requisitos estabelecidos pela agência.

A NASA, por sua vez, não comentou diretamente as negociações. Em comunicado à Reuters, informou que trabalha em planos para manter a presença dos Estados Unidos na órbita baixa da Terra.

A manutenção de dois fornecedores permitiria à NASA reduzir sua dependência de um único sistema de transporte. Na prática, caso um problema técnico ou acidente interrompa temporariamente as operações da SpaceX, uma segunda nave certificada poderia oferecer uma alternativa para o transporte de astronautas.

Essa redundância está entre os objetivos do Commercial Crew Program, criado para recuperar a capacidade norte-americana de realizar voos tripulados após a aposentadoria dos ônibus espaciais. Em 2014, a NASA selecionou SpaceX e Boeing para desenvolver sistemas comerciais capazes de transportar astronautas, reduzindo a dependência dos Estados Unidos das naves russas Soyuz.

Starliner Ainda Precisa Superar Problemas Técnicos

A SpaceX recebeu autorização da NASA para realizar missões tripuladas em 2020 e, desde então, passou a desempenhar papel central no transporte de astronautas da agência.

A Boeing, por outro lado, ainda busca concluir a certificação da Starliner. Durante o primeiro teste tripulado da nave, realizado em 2024, problemas nos propulsores e vazamentos no sistema de hélio levaram a NASA a considerar arriscado o retorno dos astronautas Butch Wilmore e Suni Williams a bordo da Starliner.

A nave acabou retornando à Terra sem tripulação, enquanto Wilmore e Williams permaneceram na Estação Espacial Internacional à espera de uma cápsula da SpaceX. A missão, inicialmente planejada para durar cerca de dez dias, resultou em uma permanência dos astronautas superior a nove meses no complexo orbital.

Os problemas técnicos colocaram em dúvida o cronograma de desenvolvimento da Starliner e ampliaram a vantagem operacional da SpaceX no transporte comercial de astronautas. As novas negociações, porém, indicam que a NASA continua considerando estratégico contar com a Boeing como segunda fornecedora.

A estratégia envolve mais do que uma disputa comercial entre as duas empresas. Ao manter diferentes sistemas de transporte disponíveis, a agência busca reduzir os riscos de interrupção do acesso norte-americano à órbita baixa da Terra caso uma falha suspenda temporariamente as operações de uma das naves.

Por enquanto, a SpaceX garantiu novos voos para a NASA até o fim da década. A Boeing permanece no programa, mas a Starliner ainda precisará cumprir os requisitos de segurança e certificação da agência antes que novas missões tripuladas possam ser efetivamente programadas.

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