Da Engenharia Espacial à Inovação no Interior do Maranhão: Pesquisador Coordena Projetos de Ciência e Tecnologia no IFMA
Caros entusiastas das atividades espaciais!
Há alguns anos, em meados da década passada, conheci, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), um jovem engenheiro que despontava, à época, como integrante de uma nova e promissora geração do setor espacial brasileiro: Brehme de Mesquita.
Naquele período, Brehme cursava o Mestrado em Engenharia e Tecnologia Espaciais e integrava a equipe responsável pelo desenvolvimento do NanoSatC-BR1, um nanosatélite de menos de 1 kg, construído no formato CubeSat, com aproximadamente 10 centímetros de aresta.
A principal missão do NanoSatC-BR1 era estudar a Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), além de testar circuitos eletrônicos desenvolvidos no Brasil e projetados para resistir aos efeitos da radiação no ambiente espacial. A equipe do projeto também contava com o então jovem empreendedor Marcelo Essado, que já estava à frente de sua startup, a EMSISTI — empresa que, posteriormente, acabou sendo prejudicada pela AKAER no âmbito do projeto relacionado ao Edital VLPP, da FINEP. Lembrando que naquela fase, os trabalhos eram conduzidos sob a liderança do Dr. Otávio Santos Cupertino Durão, hoje aposentado do INPE.
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| O nanosatélite NanoSatC-BR1 em teste no LIT do INPE, antes de seu lançamento, ocorrido com sucesso em 19 de junho de 2014, através de um Foguete Dnepr, a partir da base de Yasny, na Rússia. |
Embora não tenha mantido contato com Brehme nos últimos anos, procurei acompanhar, à distância, sua trajetória acadêmica e profissional. Bacharel em Engenharia de Controle e Automação e mestre em Engenharia e Tecnologia Espaciais, ele atualmente é doutorando em Engenharia Elétrica e professor de Automação e Controle no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA), Campus Açailândia.
E foi justamente por meio de uma publicação feita por Brehme no LinkedIn, em 1º de setembro, que tomei conhecimento de uma nova etapa de sua atuação acadêmica e científica.
Segundo a publicação, o mês de setembro marcou o início de um novo ciclo de iniciação científica, desenvolvimento tecnológico e inovação no IFMA. O Grupo de Pesquisa ARIS aprovou oito projetos nos Editais PIBIC e PIBITI, conquistando cotas de bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) e do próprio IFMA.
A conquista representa, segundo o pesquisador, um importante passo para a formação de jovens pesquisadores e para o fortalecimento da ciência aplicada no Maranhão.
Neste novo ciclo, Brehme coordenará ou colaborará em iniciativas que dialogam diretamente com desafios contemporâneos da engenharia, da educação tecnológica e da inclusão científica.
Entre os projetos está a "Validação experimental de subsistemas embarcados em picossatélite educacional (Açaísat)", iniciativa que busca aproximar estudantes das práticas da engenharia espacial por meio da construção de uma infraestrutura de testes de baixo custo e da aplicação de protocolos de validação inspirados em procedimentos utilizados pela indústria.
Outra frente de pesquisa é a "Análise experimental da correlação entre peso aderente e eficiência de tração em protótipo robótico", estudo dedicado a investigar de que maneira o incremento de carga influencia a capacidade de locomoção de robôs móveis. A proposta pode contribuir tanto para a otimização de protótipos de baixo custo quanto para atividades de ensino e aprendizagem em engenharia.
Também integra o conjunto de iniciativas o projeto "Integração eletromecânica e desenvolvimento de software embarcado para robô educacional de baixo custo (AçaíLogic)". Com uma proposta open source, a iniciativa pretende contribuir para a redução da exclusão digital, oferecendo uma alternativa acessível para o ensino de lógica de programação em escolas públicas, sem a necessidade de computadores ou conexão com a internet.
Completa o conjunto de projetos mencionados na publicação a iniciativa "Desenvolvimento e impressão 3D de tabelas periódicas tátil-tridimensionais para o ensino de propriedades químicas". A proposta utiliza técnicas de manufatura aditiva para desenvolver recursos educacionais acessíveis a estudantes com deficiência visual, contribuindo para a promoção da equidade e para a democratização do acesso à alfabetização científica. Nesse projeto, Brehme atuará como subcoordenador, em parceria com o professor Alesandro Macio Sousa Alves.
Mais do que experimentos técnicos isolados, as iniciativas representam oportunidades de formação de recursos humanos, fortalecimento da cultura científica e geração de impacto social. Há, ainda, um aspecto particularmente relevante: os projetos são desenvolvidos em uma instituição pública localizada no interior do Maranhão.
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