Novo Estudo Sugere Que o Espaço Não é Vazio e Pode Alterar o Comportamento da Luz
Caros entusiastas das atividades espaciais!
De acordo com uma matéria publicada hoje (01/09) no portal Inovação Tecnológica, um novo estudo conduzido por uma equipe internacional de astrofísicos sugere que o espaço não é completamente vazio e que suas propriedades podem influenciar o comportamento da luz.
[Imagem: NASA/Pablo Garcia]
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| Na presença de um campo magnético extremamente poderoso, um mar de partículas virtuais refrata a luz de maneiras específicas, o que agora foi medido pela primeira vez. |
Vácuo Afeta a Luz
De acordo com a materia do portal, há quase um século, o físico Werner Heisenberg (1901-1976), aquele mesmo da incerteza, mostrou que mesmo um vácuo perfeito não é verdadeiramente vazio, estando repleto de partículas virtuais, que surgem e desaparecem o tempo todo.
O conceito é conhecido como birrefringência do vácuo, e vários experimentos já comprovaram que esse "vácuo quântico" é de fato cheio de coisas interessantes na escala atômica. E, no outro extremo, das dimensões cósmicas, sabe-se que o efeito do vácuo sobre corpos celestes massivos não pode ser desprezado.
Foi este conceito que agora foi explorado por Rachael Stewart e um grupo internacional de astrofísicos, que demonstraram como o espaço aparentemente vazio ao redor de um magnetar altera o comportamento da luz. Isso até hoje só havia sido visto acontecer por ação da matéria, quando corpos celestes muito massivos alteram o caminho da luz, criando as famosas lentes gravitacionais.
Em outras palavras, a equipe encontrou uma das evidências mais fortes até agora para uma das previsões mais estranhas da mecânica quântica: Até mesmo o espaço aparentemente vazio pode influenciar a forma como a luz se propaga.
Um magnetar parece ser um tipo de estrela de nêutrons que tem um dos campos magnéticos mais fortes do Universo, embora ainda não saibamos como eles se formam.
[Imagem: Rachael E. Stewart et al. - 10.1038/s41586-026-10859-z]
Magnetar Comprovando Fenômeno Quântico
Segundo a teoria, um campo magnético excepcionalmente forte pode afetar o mar de partículas virtuais associadas ao vácuo quântico. Isto tem sido usado em inúmeros experimentos para extrair coisas do "nada", incluindo matéria e luz.
Mas isto também pode acontecer em situações naturais, como nas imediações de um magnetar. Sob seu campo magnético imenso, as partículas virtuais devem influenciar a forma como a luz se propaga, refratando-a de uma maneira específica e produzindo birrefringência no vácuo.
O candidato foi o magnetar 1E1547, que foi estudado por múltiplas técnicas em diferentes observatórios, do observatório de raios X IXPE e do radiotelescópio Parkes até o telescópio NICER, a bordo da Estação Espacial Internacional.
Os dados mostraram duas pistas importantes apontando para o efeito quântico. Primeiro, os raios X gerados pelo magnetar e detectados pelo IXPE apresentam níveis extremamente altos de polarização. Segundo, a direção dessa polarização permaneceu ligada ao campo magnético do 1E1547 da mesma forma que foi observado nas medições de rádio.
"Devido à intensidade do campo magnético, as partículas virtuais de Heisenberg se alinham com a direção para a qual o campo aponta," disse o Professor Marcus Lower, da Universidade Swinburne de Tecnologia, na Austrália. "Ao rastrear cuidadosamente a direção da oscilação das ondas de rádio e dos raios X conforme o magnetar gira, [descobrimos] que o alinhamento dos polos magnético e rotacional do 1E1547 era ideal para detectar a birrefringência no vácuo."
Se esta interpretação estiver correta, isso poderá ajudar os físicos a testar como as teorias da física quântica se comportam sob algumas das condições mais extremas encontradas em qualquer lugar do Universo.
Saiba mais:
Autores: Rachael E. Stewart, Hoa Dinh Thi, George Younes, Marcus E. Lower, Matthew G. Baring, Michela Negro, Fernando Camilo, Joel B. Coley, Teruaki Enoto, Alice K. Harding, Wynn C. G. Ho, Chin-Ping Hu, Philip Kaaret, Paul Scholz, Alex Van Kooten, Zorawar Wadiasingh
Revista: Nature
DOI: 10.1038/s41586-026-10859-z
Brazilian Space
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