FAB Inicia Preparação do Foguete VS-30 V16 Para Teste do Sistema de Recuperação da Plataforma de Microgravidade Reduzida (PSM-R)
Caros entusiastas das atividades espaciais!
Pois então, compatriotas, dois dias após a publicação de nossa nota, em 1º de setembro (reveja aqui), a Força Aérea Brasileira (FAB) finalmente divulgou, em seu portal, informações sobre o andamento da preparação para a Operação Potiguar - Fase 2. Segundo a divulgação, realizada em 3 de setembro, equipes já trabalham na preparação do Veículo de Sondagem VS-30 V16 e de sua carga útil para o lançamento a partir do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, no Rio Grande do Norte.
Fotos: Sargento Baccarin / CECOMSAER
Iniciada em 31 de agosto e prevista para se estender até 19 de setembro, a Operação Potiguar – Fase 2 tem como principal objetivo realizar, em condições reais de voo, o teste e a qualificação do sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade – Reduzida (PSM-R).
Antes do estrondo característico de um lançamento, entretanto, existe uma etapa menos chamativa, mas fundamental para o sucesso da missão: a preparação.
Desde o início da operação, as equipes do CLBI concentram esforços na montagem, integração e verificação da PSM-R, que será lançada pelo VS-30 V16. Cerca de 160 militares e servidores civis, de diferentes organizações da FAB, participam da operação.
Preparação e Integração
Nesta primeira semana, os trabalhos estão concentrados na integração e no balanceamento da plataforma, que transportará diferentes experimentos científicos. Cada sistema embarcado passa por verificações funcionais, enquanto o conjunto responsável pela recuperação é submetido a testes destinados a simular as condições que serão enfrentadas durante o voo.
Para o coordenador-geral da Operação Potiguar 2, um dos principais desafios da missão está justamente na coordenação das diversas equipes envolvidas.
“O principal desafio é a coordenação de todas as equipes e organizações militares para compor uma operação. Aqui temos o IAE, a equipe do CLBI, os esquadrões de transporte que trouxeram o material, a equipe que fará o resgate e os helicópteros que levarão essas equipes. Essa coordenação de cada um deles é o principal desafio de um coordenador geral”, explicou.
VS-30 V16: O Veículo da Missão
O VS-30 V16 é desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), organização militar da FAB subordinada ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).
Lançado a partir de trilho, o veículo conta com sistemas de estabilização aerodinâmica e por rotação e possui massa total de aproximadamente 1.600 quilogramas.
Entre os procedimentos realizados antes do lançamento está a verificação do sistema conhecido como ioiô, utilizado para auxiliar no controle da velocidade de rotação do veículo antes da separação da carga útil.
A carga útil, com massa estimada em 401 quilogramas, concentra os experimentos científicos que serão submetidos ao ambiente de microgravidade durante parte do voo, em altitudes superiores a 100 quilômetros.
Sua preparação envolve testes de integração, conferência das interfaces e validação individual dos equipamentos embarcados.
Segurança em Todas as Etapas
Como ocorre em operações desse porte, todos os procedimentos são realizados sob rigorosos requisitos de segurança.
No CLBI, o acompanhamento do veículo será realizado por meio de sistemas de rastreamento e telemetria. Desde o transporte dos equipamentos até a montagem na plataforma de lançamento, cada etapa segue protocolos previamente estabelecidos e coordenados pelas equipes envolvidas na missão.
CLBI: Seis Décadas de Operações Espaciais
Inaugurado em 1965, o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno foi o primeiro centro de lançamentos espaciais da América do Sul.
Sua localização, próxima ao equador magnético e ao Oceano Atlântico, além da disponibilidade de infraestrutura logística, favorece as atividades de lançamento e contribui para a segurança das operações.
O centro dispõe de sistemas de rastreamento, telemetria e monitoramento empregados no acompanhamento de veículos e na coleta de dados durante as missões.
Ao longo de sua história, o CLBI participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e acompanhou mais de 3 mil veículos. Entre suas atividades estão o rastreamento de foguetes Ariane, em cooperação com a Agência Espacial Europeia (ESA), e o apoio ao monitoramento de veículos lançados a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).
O Que a Operação Potiguar 2 Pretende Entregar
Mais do que um lançamento, a Operação Potiguar 2 busca gerar dados e conhecimento para o desenvolvimento de tecnologias voltadas a futuras pesquisas em microgravidade.
Os resultados do teste poderão contribuir para o aprimoramento de sistemas de recuperação e para novas missões científicas e tecnológicas. A operação também proporciona capacitação de profissionais em áreas relacionadas à engenharia, ciência e tecnologia espacial, ampliando o conhecimento acumulado pelo programa espacial brasileiro.
Agora, enquanto as equipes avançam nas etapas de integração e preparação do VS-30 V16 e da PSM-R, resta aguardar as próximas fases da Operação Potiguar 2 — e, finalmente, o momento em que toda essa preparação deixará o solo e se transformará em dados de voo.
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