[Artigo] Economia Espacial: A Oportunidade do Uruguai em Uma Indústria de Mais de US$ 600 Bilhões
Caros entusiastas das atividades espaciais!
Pois então, compatriotas: enquanto a sociedade brasileira é assolada por um número gigantesco de narrativas e falácias veiculadas pela mídia tradicional e alternativa — totalmente aliada ao “jogo de cena” do atual governo, com os seus pseudogestores sanguessugas do PEB Governamental criando dificuldades para vender facilidades à aqueles que se submetem aos seus interesses nefastos —, começa a surgir mais um player promissor no universo espacial sul-americano, que inclusive já foi identificado pela prestigiada Revista Forbes.
Ocorre, caros amigos, que a edição impressa da Forbes Uruguai, de agosto de 2026, apresentou um interessante artigo/entrevista que, no dia de ontem (16/09), foi repostado no website da revista. A publicação chamou a minha atenção e também deveria chamar a atenção dos verdadeiros empreendedores brasileiros que se recusam a se submeter às artimanhas desses “cabeças de ovo” oportunistas — afinal, como sempre dissemos, Espaço é negócio e tem que ser tratado como tal.
Pois então, percebendo o crescimento recente das atividades espaciais na República do Uruguai, a Revista Forbes entrevistou Mariana Garcia, diretora do “Centro de Pesquisa e Difusão Aeronáutico e Espacial (CIDA-E)”, para falar aos seus leitores sobre a transformação da indústria espacial em seu país, quais condições o Uruguai precisa para desenvolver seu próprio ecossistema e por que seu país poderá se tornar um ator relevante nos próximos anos. Confira abaixo na íntegra:
Economia Espacial: A Oportunidade do Uruguai em Uma Indústria de Mais de US$ 600 bilhões
Imagem: Ines Guimaraens
Por Cecilia Piazza
Fobes Uruguai
16/09/2026
A diretora do Centro de Pesquisa e Difusão Aeronáutico e Espacial, Mariana García, explica como a entrada do setor privado transforma a indústria, quais condições o país precisa para desenvolver seu próprio ecossistema e por que poderia se tornar um ator relevante nos próximos anos.
Durante décadas, a indústria espacial esteve associada quase exclusivamente a governos e grandes missões científicas. Hoje o cenário é outro. A entrada de empresas privadas e o desenvolvimento de novas tecnologias transformaram o setor em uma das indústrias com maior projeção de crescimento em nível global. Nesse contexto, o Uruguai busca abrir caminho.
Empresas que desenvolvem tecnologia satelital, iniciativas para criar um marco regulatório e até mesmo a possibilidade de instalar um porto espacial privado fazem parte de um ecossistema que ainda é incipiente, mas que ganha impulso.
Para entender que lugar o país pode ocupar nesta nova economia, a Forbes Uruguai conversou com Mariana García, advogada especialista em direito espacial e atual diretora do Centro de Pesquisa e Difusão Aeronáutico e Espacial (CIDA-E), que explica por que a economia espacial já não é apenas um terreno exclusivo das grandes potências, quais oportunidades se abrem para o país e quais condições ele precisa para se tornar um ator relevante desta nova indústria.
Como você define o momento atual da indústria espacial?
Ela atravessa um período de forte crescimento e projeta-se que mantenha essa tendência graças ao que é conhecido como new space: uma mudança de paradigma no setor que deixa para trás a corrida espacial governamental para dar lugar ao setor privado. A SpaceX é o exemplo mais conhecido, mas hoje existem milhares de startups e empresas que impulsionam essa transformação.
O que mudou para que houvesse interesse do setor privado nessa indústria?
Houve uma queda no interesse dos Estados pela corrida espacial e isso deixou espaço para que outros a pesquisassem. A indústria espacial estimula muito a curiosidade, há centenas de possibilidades e isso começou a ser percebido. Cada pessoa que começa a trabalhar nessa indústria se sente muito motivada e dificilmente sai dela. Acredito que isso marque esse auge.
Imagem: Ines Guimaraens
Qual é a principal tendência que está redefinindo a indústria?
A abertura para áreas relacionadas. A indústria espacial já não se limita a foguetes ou satélites, mas impulsiona a inovação em múltiplos setores. Há aplicações para melhorar a agricultura de precisão, ferramentas para prevenção diante de desastres naturais e muito mais. É uma indústria profundamente transversal.
Em um contexto de indústria milionária e com projeção de crescimento, que lugar o Uruguai ocupa?
Temos uma grande oportunidade porque é uma indústria baseada em talento humano e temos muito. Além disso, temos alta capacidade para atrair investimentos devido à estabilidade política, jurídica e econômica do país. O que nos faltaria é ter governança nessa área para oferecer às empresas um interlocutor claro.
Existe alguma normativa que ampare o desenvolvimento desse tipo de empresa?
Há 50 anos existe o Centro de Pesquisa e Difusão Aeronáutico e Espacial (CIDA-E), um organismo honorário que trabalha com políticas espaciais e conseguiu que o país integrasse o Comitê para os Usos Pacíficos do Espaço Exterior (COPUOS) da Assembleia Geral da ONU. Desde 1985, o Uruguai tem uma cadeira nesse fórum e ratificou os cinco tratados internacionais vigentes em matéria espacial. Falta fortalecer a institucionalidade em nível nacional. Em 2022, foi criada a Junta Nacional de Política Espacial, uma mesa de discussão interinstitucional que reúne representantes de ministérios, organismos públicos e da academia, o primeiro passo em direção a uma institucionalidade própria, mas que não tem força vinculante. Nesse mesmo ano, também houve uma tentativa de criar uma agência espacial que não prosperou, mas essa intenção continua vigente na Lei de Orçamento do governo atual.
Como o ecossistema espacial está se desenvolvendo no Uruguai?
Já existem empresas que participam de diferentes segmentos. A Satellogic, por exemplo, fabrica satélites de observação terrestre a partir de sua planta na Zonamerica e tem sido uma referência para o desenvolvimento do ecossistema local. Também estão a Space AI, Epic Aerospace, Digital Sense e projetos emergentes como Space Alma.
Caso seja criada a Comissão Nacional do Espaço, o que poderíamos esperar da indústria em nível local?
A criação de uma Comissão Nacional do Espaço e de uma institucionalidade mais sólida poderia acelerar o crescimento desse ecossistema e atrair novos investimentos. Entre as possibilidades levantadas, está um investimento estrangeiro que busca instalar um porto espacial na costa leste do país, aproveitando suas condições geográficas para esse tipo de infraestrutura. É algo que certamente terá de ser analisado pelas autoridades.
Que outras iniciativas poderiam acelerar o desenvolvimento da indústria espacial?
Acredito que o Uruguai deveria apostar em um modelo que conecte academia, empresas e Estado para que as pesquisas científicas possam se transformar em empreendimentos e aplicações concretas para a indústria. Tive a oportunidade de participar do Programa Internacional de Liderança para Visitantes (IVLP), que me permitiu conhecer de perto diferentes ecossistemas espaciais nos Estados Unidos, desde centros de pesquisa da NASA até empresas privadas e incubadoras especializadas, e o que mais me impactou foi comprovar a velocidade com que uma ideia pode se transformar em uma empresa quando existe um ecossistema que conecta essas três esferas.
Imagem: Ines Guimaraens
O que ficou dessa viagem para você?
Na Flórida, conhecemos de perto o ecossistema que se desenvolveu ao redor do Kennedy Space Center. A presença de um porto espacial não apenas impulsionou a atividade de lançamento de satélites, mas também a instalação de empresas de diferentes áreas, universidades com programas especializados e organismos que promovem mentorias, financiamento e a conexão entre a academia e o setor privado. Essa articulação, conhecida como Space Florida, conseguiu transformar a infraestrutura espacial em um motor de inovação e desenvolvimento econômico. Acredito que seja um modelo do qual o Uruguai poderia aprender muito se quiser desenvolver sua própria indústria espacial.
O que teria que acontecer nos próximos cinco anos para que o Uruguai ganhe relevância nessa indústria?
Deveria fortalecer sua governança em matéria espacial. Hoje já existem exemplos de uma indústria espacial incipiente, mas falta um interlocutor claro. Quem quiser investir ou desenvolver uma empresa espacial precisa saber a quem se dirigir, quais são as regras e quais organismos acompanham esse processo. Atualmente existem diferentes iniciativas e programas, mas eles estão dispersos. Consolidar essa institucionalidade seria um passo fundamental para acelerar o crescimento do setor.
O que você recomendaria a uma pessoa ou empresa que hoje queira se envolver na economia espacial a partir do Uruguai?
A primeira coisa é se aproximar do ecossistema. Historicamente, tem sido uma indústria na qual a cooperação é essencial. Nenhum país, empresa ou instituição desenvolve capacidades de forma isolada. Aqui já existem empresas, instituições públicas e universidades que trabalham para desenvolver capacidades e conectar o país à economia espacial global. Minha recomendação seria começar conhecendo esses atores, participar de suas iniciativas, construir redes e entender onde é possível agregar valor. Muitas vezes pensa-se que, para participar, é preciso construir um satélite ou desenvolver um foguete, mas, na realidade, também são necessários profissionais ligados às telecomunicações, ao software e à inteligência artificial, aos seguros, à logística, às finanças, ao direito, à educação ou à análise de dados. É uma área com possibilidades para muitos.
Tamanho do Mercado
A economia espacial hoje movimenta cerca de US$ 626 bilhões. Projeta-se que alcance entre US$ 1 trilhão e US$ 1,8 trilhão até 2035.
Crédito: SpaceX
SpaceX: Passaporte para o Futuro
A SpaceX se consolidou como a companhia mais valiosa do setor espacial após sua abertura de capital em 2026. Embora a indústria enfrente perdas operacionais e um debate sobre avaliações, a empresa de Elon Musk continua batendo recordes em lançamentos e na expansão da Starlink.
US$ 1,77 tri Valuation IPO 2026
US$ 2,11 tri Market cap máximo
US$ 18.000 mi Receitas 2025
10,3 mi Assinantes Starlink
170 Lançamentos Falcon 9 em 2025
Este artigo foi publicado originalmente na edição impressa da Forbes Uruguai de agosto de 2026. Para assinar e recebê-la bimestralmente em sua casa, clique aqui.
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