Programa Mic[r]ogravidade: Enquanto Outros Países Avançam, o Brasil Desperdiça Seu Potencial Espacial Com Narrativas e Falácias
Prezados entusiastas das atividades espaciais!
Vocês já ouviram falar da startup alemã HyImpulse e de seu Foguete SR75? Pois então, projetado para experimentos em microgravidade, voos de demonstração tecnológica e pesquisas atmosféricas, esse foguete suborbital alemão oferece uma plataforma segura e confiável para missões suborbitais, segundo seus idealizadores.
Movido pela tecnologia proprietária de propulsão híbrida da HyImpulse, esse foguete combina oxigênio líquido e combustível à base de parafina para oferecer uma abordagem mais limpa, segura e econômica para acessar o espaço. Veja abaixo algumas imagens do foguete em questão e da equipe que o desenvolveu.
Pois então, compatriotas, trago esse projeto alemão como um exemplo para demonstrar, mais uma vez, à Sociedade Brasileira como os "Cabeças de Ovo" irresponsáveis e oportunistas, lotados na gestão dos órgãos do atual governo, vivem da venda de falácias e narrativas através da mídia tradicional, de sites na internet e de seus eventuais apoiadores nas redes sociais, deturpando e dourando uma situação que só piora a cada ação — ou falta dela — estúpida e prejudicial, mas sempre com um método visando favorecer os interesses nefastos dessa bolha de vagabundos. Afinal, não precisa de muito para entender que a agenda dessa gente é outra, e não tem nada a ver com o verdadeiro desenvolvimento espacial do Brasil.
Veja, por exemplo, compatriotas, o caso do Programa Microgravidade da Farsa Espacial Brasileira (AEB), um programa criado em 27 de outubro de 1998, por meio da Resolução nº 36 do Conselho Superior deste pífio órgão, e que, desde a "Operação Santa Branca", realizada em outubro de 2022 no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), até agora não realizou outra missão e certamente não realizará em 2026.
Só para vocês terem uma ideia, tanto a Noruega, com o seu Centro Espacial de Andøya, quanto a Suécia, com o seu Centro Espacial de Esrange, realizam anualmente pelo menos duas missões espaciais suborbitais em ambiente de microgravidade, justamente como deveria ocorrer com o Programa Microgravidade brasileiro. Trata-se, vale esclarecer, de um programa de voos suborbitais importantíssimo para qualquer programa espacial sério e comprometido com o seu desenvolvimento, por disponibilizar à classe científica do país uma plataforma mais barata de acesso ao ambiente espacial de microgravidade, visando a testes de novas tecnologias em várias áreas da C&T.
Vale, inclusive, lembrar que no Brasil existem foguetes suborbitais governamentais muito bons que poderiam e deveriam estar sendo usados no âmbito desse Programa de Microgravidade, proporcionando à classe científica e empresarial do país essa plataforma mais barata de acesso ao espaço. Um desses foguetes, o VSB-30, é inclusive reconhecido internacionalmente como um produto altamente confiável, talvez o melhor do mundo em sua categoria, mas continua sendo produzido, só quando o DLR alemão necessita, artesanalmente pelo sucateado IAE e seus parceiros, apesar de seu projeto ter sido entregue à antiga AVIBRAS para sua industrialização, o que nunca aconteceu.
O leitor pode estar se perguntando: Duda, não existem empresas no Brasil que poderiam fabricar esses foguetes, bem como foguetes de treinamento? Existe sim: Acrux, Bizu Space, Edge Of Space, Navollo Aerospace, Pion Labs e SONDA Aerospace, todas elas em diferentes fases de desenvolvimento. E, no caso de foguetes de treinamento, existem até iniciativas universitárias, como a que abordamos ontem (11/08), o Programa Guarnicê da UFMA (assista aqui).
Porém, amantes do espaço, no que diz respeito às empresas, sem uma demanda de lançamentos bem definida e comprometida com realizações concretas, nenhum empresário responsável irá apostar nesse nicho de mercado, a não ser que seja com recursos públicos a fundo perdido. E, gente, com esses "Cabeças de Ovo" dando as cartas, isso não irá acontecer.
A prova disso ficou bem clara quando eles escolheram a empresa Delta V no edital da FINEP do Foguete de Treinamento, uma empresa fake que, até hoje, só produziu uma bancada de teste que mais parece um carrinho de cachorro-quente e que, recentemente, se juntou ao Laboratório de Propulsão da UnB para produzir aquilo a que se propuseram fazer: desenvolver um motor-foguete líquido, bem como o foguete objeto do edital. Uma vergonha que deveria ser punida com a prisão de todos os envolvidos, mais uma prova da falta de respeito dessa gente com os recursos públicos.
E assim vai o PEB governamental, vivendo de narrativas e falácias através da mídia tradicional e alternativa, do jogo de cena em eventos espaciais para a venda dessas mesmas narrativas e falácias, da deturpação da Lei Geral do Espaço para favorecer a criação do Desatino ALADA e muito mais. E tudo isso para atender aos interesses desse grupinho de vagabundos oportunistas. BRA ZIL ZIL ZIL ZIL.
Brazilian Space
Corte da edição 233ª da coluna “Espaço Semanal”, exibida em 14 de agosto de 2026.
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