Startup Indiana Revela Motor de Foguete de 800 kN Com Tecnologia Semelhante à dos Raptor da SpaceX

Prezados entusiastas das atividades espaciais!

Vocês já ouviram falar da Astrobase Space Technologies, uma startup espacial indiana criada em 2024 e sediada na cidade de Bengaluru? Se a resposta for não, vale a pena conhecer um pouco mais sobre a empresa e seu ambicioso projeto de propulsão. Segundo informações divulgadas na página oficial da STARTUPRO no LinkedIn — iniciativa do governo indiano lançada em 16 de janeiro de 2016 com o objetivo de fortalecer o ecossistema de inovação, estimular o crescimento de novas empresas e ampliar a geração de empregos no país —, a Astrobase apresentou o EVEREST, um Motor de Foguete de 800 kN de empuxo, movido a Oxigênio Líquido (LOX) e metano.

O diferencial do projeto está na arquitetura de Combustão Estratificada de Fluxo Completo (Full-Flow Staged Combustion, ou FFSC), uma tecnologia de elevada complexidade utilizada, entre outros exemplos, nos Motores Raptor, da SpaceX.


"Pois é, compatriotas. Vejam esse exemplo e entendam o porquê de nossa preocupação quanto ao que foi propagado, de maneira dimensionalmente excessiva, em relação à conquista do Foguete PERSEU, da nossa BIZU Space.

Temos de ter responsabilidade com os fatos, compatriotas, pois eles podem trabalhar tanto para o bem quanto para o mal, dependendo de seu direcionamento. E o que não falta na destrambelhada sociedade brasileira são vendedores de fantasias e narrativas, principalmente no setor espacial governamental. Em época de eleição, então...

Gente, entendam que, apesar de inusitado, o grande feito da BIZU não foi ter lançado um foguete líquido relativamente simplório — na verdade, já deveríamos ter alcançado essa tecnologia há décadas. O grande feito foi mostrar que, mesmo vivendo em um universo completamente hostil ao desenvolvimento científico e tecnológico espacial, eles se mostraram mais competentes e resilientes do que o histórico e atualmente sucateado Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), que, por décadas, desenvolveu projetos de motores líquidos que nunca chegaram a ser concluídos, como o L-15 e o L75, e um único, o L5, que chegou a voar uma vez, mas não funcionou.

Na verdade a história do desenvolvimento de propulsão líquida no Brasil, no âmbito governamental, é desastrosa e vergonhosa, e a BIZU mostrou isso com sua conquista, apesar de ela, tecnologicamente falando, ter sido bastante simplória.

Entretanto, é preciso lembrar que o objetivo final já propagado pela BIZU é o desenvolvimento de um Motor-foguete Liquido denominado ARION-1 e um Upper Stage Líquido denominado ATLAS-HTP, para as futuras versões do Foguete MLBR. Aí, sim, estaremos diante de feitos tecnologicamente muito mais relevantes.

O Upper Stage Líquido denominado ATLAS-HTP.

Neste contexto, o passo dado pela BIZU com o Projeto PERSEU tem significado, mas ainda está longe de ter a dimensão que a imprensa e as redes sociais da vida propagaram irresponsavelmente após a divulgação da nota da empresa.

Hoje, a BIZU Space é uma esperança para todos aqueles que são brasileiros de verdade, principalmente para os jovens engenheiros de sua equipe, e o BS ficará sempre na torcida pelo sucesso de seus objetivos, pois diferentemente de uma DELTA V da vida, eles estão verdadeiramente voltados para o desenvolvimento espacial do país.

AVANTE, BIZU SPACE!"

Pois então, de acordo com a empresa, o EVEREST foi projetado, fabricado e integrado integralmente na Índia, com diversos componentes principais produzidos por meio de manufatura aditiva — a chamada impressão 3D. A startup afirma que já realizou testes em escala reduzida e que agora se prepara para avançar para testes de disparo a quente em escala real.

A Astrobase Space Technologies foi fundada em 2024 (a Bizu é de 2022) por Devakumar T., ex-cientista de propulsão da Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), e Neeraj Khandelwal, ex-aluno do Instituto Indiano de Tecnologia de Bombaim (IIT Bombay) e cofundador da exchange de criptomoedas CoinDCX.

A startup tem como objetivo desenvolver sistemas de lançamento reutilizáveis e prevê realizar seus primeiros voos orbitais entre 2028 e 2029.

Um Novo Capítulo Para a Propulsão Indiana

Caso o desenvolvimento avance conforme planejado, o EVEREST poderá representar um marco para o crescente setor espacial privado da Índia. O domínio de tecnologias avançadas de propulsão, especialmente motores reutilizáveis de alto desempenho, é considerado estratégico para países que buscam ampliar sua participação no cada vez mais competitivo mercado comercial de lançamentos orbitais.

A própria Astrobase descreve o EVEREST como “o primeiro motor FFSC totalmente integrado da Índia”, desenvolvido e construído no país com o objetivo de ampliar suas capacidades nacionais de propulsão espacial.

E, segundo a empresa, o motor é apenas o começo.

À medida que a Índia se prepara para uma nova fase de sua exploração espacial, o EVEREST surge como uma aposta no desenvolvimento de um ecossistema de lançamentos mais robusto, escalável e voltado à reutilização.

Agora, o próximo passo será decisivo: transformar os testes de bancada em um motor capaz de demonstrar, em escala real, que a tecnologia desenvolvida pela jovem startup pode realmente sustentar a ambiciosa meta de colocar a Índia em uma nova fronteira da indústria espacial privada.


Brazilian Space

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