Empresa Argentina Investe Cerca de US$ 2 milhões Para Fabricar, Montar e Testar Veículos Espaciais no Uruguai

Prezados entusiastas das atividades espaciais!

No dia de ontem (28/08), o portal El Observador noticiou que a startup argentina Epic Aerospace está investindo cerca de US$ 2 milhões para fabricar, montar e testar veículos espaciais no Uruguai. Ainda segundo a reportagem, a chegada dessa startup, dedicada ao desenvolvimento de veículos de transferência e colocação em órbita de satélites, voltou a colocar em pauta a possibilidade de o Uruguai avançar rumo à implantação de uma infraestrutura própria de lançamento.

Aproveitamos a oportunidade para agradecer publicamente, mais uma vez, ao nosso amigo argentino Martín Marteletti, pelo envio da notícia.

Fonte: Epic Aerospace

Pois então, de acordo com a nota do portal, a Epic Aerospace, startup de rebocadores espaciais fundada nos Estados Unidos pelo engenheiro argentino Ignacio Belieres, inaugurou nas últimas horas uma planta com capacidade para fabricar, montar e testar veículos espaciais no Uruguai. Além disso, na ocasião, a empresa apresentou um shaker de 300 kN, um dispositivo que simula as vibrações e impactos durante o lançamento de satélites, e o Chimera GEO 2, um veículo de transferência orbital que funcionará como rebocador espacial e será montado no Uruguai.

Segundo detalhou Belieres em diálogo com o Café y Negocios, a instalação da operação, localizada na Zonamerica, envolveu um investimento de cerca de US$ 2 milhões, respaldado pela ANII, e permitirá ao país ser o primeiro da América Latina com capacidade para transportar cargas de uma missão de transporte compartilhado em órbita baixa (LEO) até uma órbita geoestacionária (GEO).

“A indústria espacial será uma das maiores indústrias do mundo nos próximos anos, basta ver Elon Musk, o homem mais rico do mundo, que grande parte de seu capital foi construída a partir da indústria espacial”, afirmou o CEO da empresa.

Por sua vez, Alejandro Ferrari, gerente de Investimentos & Pós-investimento da Uruguay XXI, afirmou que contar com casos de sucesso, sobretudo em um país pequeno como o Uruguai, é “absolutamente fundamental”.

“O novo desafio é passar de um país com casos de sucesso para realmente ter uma plataforma que possa potencializar novas empresas que se vinculem e gerem mais elos dessa cadeia espacial”, afirmou.

Durante a ocasião, diferentes atores do ecossistema falaram sobre as oportunidades que o Uruguai possui nesse setor e asseguraram que, no futuro, contar com a possibilidade de lançar satélites a partir do país seria fundamental para continuar atraindo novos investimentos, algo com que o presidente Yamandú Orsi se comprometeu a trabalhar.

O Que a Epic Aerospace Faz e Qual é o Papel do Uruguai em Sua Operação?

Fonte: Epic Aerospace

A empresa Epic Aerospace nasceu em 2019 pelas mãos de Belieres, um jovem argentino que desde muito cedo soube que queria se dedicar ao setor aeroespacial e que mais tarde se formou em Engenharia Aeroespacial, Aeronáutica e Astronáutica na Universidade de Stanford.

Para explicar de maneira simples o que a startup faz, Belieres a resumiu como uma empresa que movimenta satélites de um ponto a outro no espaço. Para isso, a empresa desenvolve rebocadores espaciais que permitem transportar cargas entre órbitas, em um processo que começa quando um cliente coloca seu satélite ou carga em um dos veículos de transferência orbital da Epic Aerospace. Esse veículo viaja até os Estados Unidos, onde é integrado a um foguete como carga secundária. Quando esse foguete decola e libera o veículo junto com as demais cargas em uma determinada órbita, a partir de um centro de controle em terra, a Epic comanda o rebocador e o utiliza para transportar o satélite ou a carga até a órbita específica onde deverá operar.

Com sede nos Estados Unidos, a Epic iniciou sua operação na Argentina, onde concentra parte da pesquisa, desenvolvimento de motores e sistemas de propulsão e onde continua fabricando boa parte desses componentes. O Uruguai, por sua vez, concentrará o trabalho de eletrônica, cabeamento, montagem e ensaios funcionais e de vibração. Em termos de emprego, a companhia conta atualmente com cerca de 50 pessoas entre esses dois países e prevê chegar a entre 70 trabalhadores nos próximos seis a 12 meses.

Em termos de negócios, detalhou seu fundador, a Epic já gerou mais de US$ 20 milhões em contratos comerciais e espera faturar na faixa de US$ 30 milhões durante os próximos 12 meses.

Entre os pontos-chave da operação no Uruguai, a empresa apresentou o Chimera GEO 2, um veículo de transferência orbital (OTV) que funcionará como rebocador espacial e será montado no país. Segundo detalhou o empreendedor, esse tipo de veículo é fundamental para as comunicações, a meteorologia e numerosas aplicações estratégicas.

O veículo posicionará o Uruguai como o primeiro país da América Latina com capacidade para transportar cargas de uma missão de rideshare (compartilhada) em órbita baixa (LEO) até uma órbita geoestacionária (GEO), reduzindo os custos de US$ 100 milhões para menos de US$ 10 milhões.

A essa aposta soma-se o shaker de 300 kN, o primeiro dispositivo desse tamanho utilizado por uma empresa privada na América Latina e um dos poucos que existem no mundo. O equipamento, que contou com o apoio da ANII para seu desenvolvimento, é fundamental para testar o funcionamento de satélites de até 2.500 quilos.

“Há muito poucos países no mundo que projetam, fabricam e testam satélites e menos ainda que tenham feito isso com uma articulação entre empresas privadas e instrumentos públicos”, afirmou o CEO da empresa ao explicar a escolha do Uruguai.

A isso se soma, segundo Belieres, a estabilidade do país e a experiência bem-sucedida da Satellogic, reconhecida empresa dedicada ao desenvolvimento e à operação de satélites com presença no Uruguai. Ao mesmo tempo, destacou que o Uruguai está entre os países onde foram registrados e fabricados mais satélites no mundo, além de suas condições geográficas, que poderiam abrir, no futuro, a possibilidade de realizar lançamentos a partir do país.

Lançar Satélites a Partir do Uruguai?

Segundo o fundador da startup, um dos grandes desafios que essa indústria em pleno crescimento enfrenta atualmente está precisamente em como colocar em órbita os satélites que são fabricados.

“Não há capacidade de lançamento em nível mundial. Para comprar um lançamento há uma espera de dois ou três anos, se é que eles vendem para você”, detalhou.

Fonte: Epic Aerospace
Orsi e Cardona durante a inauguração.

Nesse cenário, para os diferentes atores do setor, a possibilidade de que o Uruguai avance em direção a uma infraestrutura própria de lançamento surge como uma oportunidade para se posicionar na indústria.

Nesse sentido, Belieres deu como exemplo as dificuldades existentes nos Estados Unidos para ampliar a quantidade de locais a partir dos quais podem ser realizados lançamentos.

“Se alguém tem vizinhos ao lado pelos quais precisa sobrevoar, é muito difícil poder lançar alguma coisa. Se alguém tem um belo, gigantesco e extenso mar, as coisas ficam muito mais fáceis”, disse, em alusão ao Uruguai.

Na Uruguay XXI, também veem nessa possibilidade uma oportunidade para aprofundar a inserção do país na indústria espacial e a atração de novos investimentos no setor. Uma infraestrutura de lançamento, afirmou Ferrari, levaria o ecossistema espacial uruguaio a um novo nível, atraindo não apenas empresas regionais, mas também empresas de outras latitudes.

“A mensagem ficou muito clara para nós: aqui está faltando aquilo que está faltando, nós entendemos isso. Tomara que daqui a alguns anos possamos dizer que o Uruguai está lançando. Nós nos comprometemos a analisá-lo e buscar a melhor forma de fazê-lo”, disse na ocasião o presidente Yamandú Orsi.

“No Uruguai são fabricados satélites e agora estão sendo montadas as plataformas para colocá-los em órbita, e o que estão nos propondo é que o Uruguai poderia avançar em direção a uma plataforma de lançamento. É um belo desafio para que pensemos nisso e o resolvamos”, acrescentou o mandatário em entrevista coletiva.

O tema volta a estar sobre a mesa depois que, em 2022, a empresa argentina Tlon Space apresentou um projeto para construir um porto espacial em Rocha destinado ao lançamento de nanosatélites. A iniciativa foi posteriormente retomada, com uma nova proposta da Atria Spaceport para instalar uma plataforma de lançamento na mesma região.

Brazilian Space

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