Astrônomos Identificaram Exoplaneta Massivo Com Alta Concentração de Água a Mais de 300 Anos-Luz da Terra

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O portal Pravda.ru noticiou, no domingo (30), a identificação, por astrônomos, de um exoplaneta massivo com alta concentração de água localizado a mais de 300 anos-luz da Terra.

De acordo com a matéria do portal, astrônomos identificaram a HD 176071 b, um exoplaneta localizado a 335 anos-luz da Terra que desafia as classificações convencionais de composição planetária. Com metade de sua massa composta por água, o mundo funciona como um laboratório extremo: ele habita uma região onde planetas de seu tamanho raramente sobrevivem, enquanto é lentamente puxado para a destruição por sua estrela hospedeira.

Photo: Pravda.Ru by Малова Алёна
O planeta possui 8,5 vezes a massa da Terra e um tamanho 2,5 vezes maior que o do nosso mundo. O dado mais incomum é que cerca de 50% de sua composição é água, contrastando com a fração mínima encontrada na massa total da Terra. Essa característica o coloca na rara categoria de "águas quentes".

A HD 176071 b está situada na chamada "deserto de Netunos", uma zona próxima às estrelas onde planetas de tamanho médio são escassos. Geralmente, a radiação intensa dessas estrelas remove a atmosfera de corpos desse porte, deixando apenas núcleos rochosos. No entanto, este planeta conseguiu manter sua camada gasosa.

A proximidade com a estrela é extrema: a distância é inferior a 2,5 milhões de quilômetros — apenas 1,6% da distância entre a Terra e o Sol. Consequentemente, o ano no planeta dura apenas 14 horas. Essa proximidade gera forças de maré massivas que deformam a estrutura do planeta, causam aquecimento interno e reduzem gradualmente sua órbita, tornando a colisão com a estrela inevitável.

Devido ao travamento gravitacional, o planeta mantém sempre a mesma face voltada para a estrela. Enquanto o lado diurno enfrenta calor constante, o lado noturno permanece em escuridão total. Esse desequilíbrio térmico e as pressões gravitacionais atuam como pinças que desestabilizam a órbita do corpo celeste.

Mesmo sob condições hostis, a HD 176071 b apresenta uma atmosfera dinâmica. Ao comparar dados históricos do telescópio espacial Kepler com observações recentes do TESS, feitas seis anos depois, Sylvain N. Breton, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália (INAF), detectou um deslocamento de fase na modulação da luz refletida. Isso indica a presença de nuvens reflexivas que se formam e se movem, especialmente nas zonas de transição entre o dia e a noite.

Nesse cenário de calor extremo, a água não existe em forma de oceanos líquidos, mas como vapor ou fluidos supercríticos, alterando completamente a química atmosférica.

A detecção do planeta exigiu métodos alternativos, pois ele não transita na frente de sua estrela sob a perspectiva da Terra, o que anula o método de trânsito tradicional. Os pesquisadores utilizaram o instrumento HARPS-N para medir oscilações precisas na luz refletida durante o movimento orbital do planeta.

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