Operação Potiguar - Fase 2: Início no CLBI da Operação do Segundo Voo da 'PSM', Reacende Esperança Para a Ciência do Pífio Programa Espacial Governamental

Prezados amantes das atividades espaciais!

Pois então, diferentemente do que acreditávamos, a Força Aérea Brasileira (FAB) publicou, na tarde de ontem (20/09), uma nota divulgando finalmente a operação de lançamento de um importantíssimo equipamento destinado a missões científicas e tecnológicas em ambiente de microgravidade.

Trata-se do segundo voo de qualificação da tão aguardada Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM), equipamento desenvolvido ao longo de quase 20 anos pela empresa brasileira Orbital Engenharia e que é essencial para qualquer programa espacial nacional que seja realmente sério e comprometido com a obtenção de resultados — e não com uma atuação errática, semelhante à de um vaga-lume sem rumo, ao som de bandas alucinadas que existem por aí nos dias de hoje. (na verdade eu descreveria de outra forma mas o 'MI MI MI' estupido e infantil e a falta de segurança juridica que vivemos me impede de ser mais preciso).

A PSM, que em seu primeiro voo de qualificação enfrentou uma falha em seu sistema de recuperação, será novamente testada em voo, desta vez a bordo de um foguete brasileiro extremamente confiável: o VS-30 V16.

Ficaremos, portanto, na torcida não apenas pelo sucesso da missão que será realizada do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), mas também para que, caso ele seja alcançado, esse importante equipamento passe a ser finalmente empregado com a frequência mínima esperada por todos, afinal é o mínino que se poderia esperar de um Programa Espacial governamental tão pífio quanto o nosso. Somente assim a empresa desenvolvedora terá condições de efetivamente transformar a PSM em um produto plenamente qualificado e operacional.

Do contrário, existe o sério risco de que todo esse esforço de décadas termine, mais uma vez, no Memorial Aeroespacial Brasileiro (MAB), transformado em apenas mais uma peça a representar nossa histórica incompetência, descontinuidade e falta de seriedade com o setor espacial nacional. E, pior ainda, que anos de recursos, tempo, trabalho e sonhos sejam simplesmente jogados na latrina por esses “cabeças de ovo” irresponsáveis, incapazes de compreender que, por trás de cada projeto abandonado, existe não apenas dinheiro público desperdiçado, mas também o conhecimento e o esforço de gerações de profissionais que dedicaram suas vidas à construção de um programa espacial brasileiro digno desse nome.

AVANTE PSM!

Operação Potiguar 2 Testa Sistema de Recuperação de Plataforma de Microgravidade no Rio Grande do Norte

Programada para ocorrer de 31 de agosto a 19 de setembro, a operação utilizará o veículo de sondagem VS-30 V16 para qualificar sistema destinado a futuras pesquisas científicas

Fotos: CECOMSAER

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim (RN), dará continuidade à Operação Potiguar com a realização da segunda fase da atividade, denominada Operação Potiguar 2, prevista para o período de 31 de agosto a 19 de setembro. A missão terá como atividade principal o lançamento da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R), utilizando o veículo de sondagem VS-30 V16.

Subordinado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), da Força Aérea Brasileira (FAB), o CLBI participa de atividades de lançamento, rastreamento e acompanhamento de veículos espaciais. Na Operação Potiguar, a unidade realiza atividades de preparação, treinamento e verificação de equipamentos e procedimentos necessários às missões com veículos suborbitais.

Enquanto a Operação Potiguar 1, ocorrida em 2024, esteve voltada à verificação de procedimentos e sistemas associados ao lançamento, a segunda tem como objetivo principal realizar o teste em voo do sistema de recuperação da PSM-R. Na prática, isso significa verificar, em condições reais de voo, o funcionamento do conjunto responsável por permitir a recuperação da plataforma após o lançamento. Os dados obtidos durante a missão serão utilizados na avaliação do sistema e no desenvolvimento de futuras atividades de pesquisa em ambiente de microgravidade.

Para o Diretor-Geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, a operação representa uma etapa de avaliação da plataforma em condições reais de voo.

“A Operação Potiguar II representa uma etapa decisiva para a qualificação da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM). A operação se insere no contexto de retomada dos lançamentos de veículos de sondagem no CLBI e avança para a qualificação em voo do sistema de recuperação da PSM, submetendo-o às condições reais de operação. O sucesso desta missão permitirá ao Brasil contar com uma carga útil nacional destinada à realização de experimentos em ambiente de microgravidade, ampliando a capacidade do País de desenvolver pesquisas científicas e tecnologias estratégicas”, explica o Diretor do DCTA.

A Operação

O VS-30 é um veículo de sondagem suborbital de um estágio, movido a propelente sólido. O foguete é lançado por trilho e possui estabilização aerodinâmica e por rotação. Desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), é destinado ao transporte de cargas úteis para altitudes superiores a 100 quilômetros, possibilitando a realização de experimentos em condições de microgravidade durante parte do voo.

Na Operação Potiguar 2, a carga útil será a PSM-R, que reúne diferentes sistemas destinados ao funcionamento da plataforma durante o voo e à sua recuperação. Entre os componentes estão o sistema de recuperação por paraquedas, módulos de experimentos, módulo de serviço e controle, módulo de gás frio, anéis de balanceamento e o sistema denominado ioiô, utilizado para auxiliar no controle da velocidade de rotação antes da separação da carga útil.

De acordo com os parâmetros de referência da missão, o VS-30 V16 possui aproximadamente 9 metros de comprimento, 600 milímetros de diâmetro máximo e massa total de aproximadamente 1.600 quilogramas. A carga útil tem massa estimada em 401 quilogramas. As simulações de referência indicam apogeu de aproximadamente 100 quilômetros e alcance de cerca de 90 quilômetros.

O foco da Operação Potiguar 2 está no comportamento do sistema de recuperação da PSM-R durante o voo. A qualificação permite verificar se os sistemas responsáveis pela recuperação desempenham as funções previstas em condições reais de operação.

Para isso, a missão envolve uma sequência de atividades que começa antes do lançamento e continua durante o voo e após o retorno da carga útil. As equipes acompanham os sistemas embarcados por meio de recursos de telemetria e rastreamento e analisam os dados obtidos durante a missão.

Programa Microgravidade

A microgravidade permite realizar experimentos em condições diferentes das encontradas na superfície terrestre. Esse ambiente pode ser utilizado para pesquisas em áreas como materiais, fluidos, combustão, biologia e outras aplicações científicas e tecnológicas. Neste sentido, o Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB) seleciona experimentos científicos e tecnológicos para serem realizados em voos suborbitais e orbitais. A PSM está relacionada ao programa e foi desenvolvida para transportar experimentos que necessitam de um ambiente de microgravidade para a realização de pesquisas.

A recuperação da plataforma também permite que equipamentos e experimentos sejam retirados da trajetória de voo e analisados posteriormente, possibilitando a avaliação dos resultados obtidos durante a missão.

Segundo o Presidente da Agência Espacial Brasileira, a operação permitirá avaliar em voo uma plataforma destinada ao transporte de diferentes tipos de experimentos científicos e tecnológicos.

“A Operação Potiguar 2 deverá permitir a validação em voo da Plataforma Suborbital de Microgravidade, a PSM, na qual poderão ser instalados experimentos científicos e tecnológicos. As condições de microgravidade oferecidas pelos foguetes VS-30 e VSB-30 permitem o desenvolvimento de experimentos da comunidade científica, como estudos de novos materiais, de processos de combustão, de medicamentos e de agricultura espacial. A validação da PSM ampliará as possibilidades de pesquisas científicas e tecnológicas em ambiente de microgravidade”, salienta.

Segurança e Coordenação da Operação

Uma operação de lançamento envolve procedimentos de segurança que começam antes da decolagem. As equipes realizam verificações dos sistemas, acompanham as condições meteorológicas, coordenam os procedimentos de lançamento e monitoram o veículo durante o voo.

A atividade também exige coordenação com os órgãos responsáveis pelo controle do espaço aéreo e marítimo. Informações sobre eventuais restrições temporárias são divulgadas por meio do NOTAM (Notice to Airmen) e do NOTMAR (Notice to Mariners), permitindo que usuários do espaço aéreo e marítimo tenham conhecimento das condições estabelecidas para o período da operação. O aviso aeronáutico informa a existência da atividade e os parâmetros da área que poderá sofrer restrição temporária, contribuindo para o planejamento e a segurança do tráfego durante a janela de lançamento. No ambiente marítimo, os NOTMARs cumprem função semelhante, comunicando informações relevantes para a navegação.

No CLBI, o acompanhamento do veículo envolve sistemas de rastreamento e telemetria. As informações transmitidas durante o voo permitem às equipes acompanhar parâmetros do veículo e da carga útil em tempo real e, posteriormente, analisar os dados obtidos.

Para o Diretor do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, a preparação das equipes e a coordenação com os órgãos responsáveis pelo espaço aéreo e marítimo fazem parte das medidas adotadas para garantir a segurança da operação.

“A segurança é uma prioridade em todas as etapas da Operação Potiguar Fase 2. No CLBI, nossas equipes estão preparadas e vêm realizando treinamentos de emergência e exercícios voltados para o lançamento de foguetes, buscando garantir que cada procedimento seja executado de forma segura, coordenada e eficiente. Também seguimos todos os procedimentos de segurança e de coordenação do espaço aéreo e marítimo, com a emissão de NOTAM e NOTMAR, para que a operação aconteça dentro das normas vigentes”, relata o Diretor do CLBI.

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno

Inaugurado em 1965, o CLBI foi o primeiro centro de lançamentos espaciais da América do Sul. A localização próxima ao equador magnético, ao Oceano Atlântico e a importantes estruturas logísticas favorece as atividades de lançamento e contribui para a segurança das operações. O Centro conta com sistemas de rastreamento, telemetria e monitoramento, utilizados no acompanhamento de veículos e na coleta de dados.

Ao longo de sua história, o CLBI participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e acompanhou mais de 3 mil veículos. Entre as atividades estão o rastreamento de foguetes Ariane, em cooperação com a Agência Espacial Europeia (ESA), e o apoio ao monitoramento de veículos lançados a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

Os resultados da Operação Potiguar 2 poderão contribuir para o desenvolvimento de tecnologias destinadas a futuras pesquisas em microgravidade. A missão também gera conhecimento e capacitação em áreas como engenharia e ciência e tecnologia espacial, produzindo dados que podem subsidiar novas pesquisas e aplicações tecnológicas em benefício da sociedade brasileira.


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