A "Energia de Vácuo" Pode Abrir Caminho Para o 'Mítico Motor Warp', Segundo Notíciou Recetemente a CNN Brasil
Olá Entusiastas das atividades Espaciais!
No dia 25/02, o portal CNN Brasil publicou uma
reportagem sobre a chamada Energia de Vácuo — conceito frequentemente associado
a estudos teóricos que investigam a possibilidade de viagens à velocidade da
luz.
De acordo com o artigo, ao identificar uma possível
correspondência entre dispositivos quânticos e o modelo teórico da chamada
“bolha de dobra”, um cientista teria encontrado o que pode representar a
primeira pista concreta rumo ao desenvolvimento do até então Mítico Motor Warp.
Credito: Freepik
Se antes
pensávamos que o conceito “energia de dobra” (warp drive) — que
permitiria que espaçonaves viajassem a velocidades aparentemente superiores à
luz — era exclusivo do campo da ficção científica, agora sabemos que a
tecnologia tem um nome já estabelecido na física quântica: trata-se da “energia
de vácuo ilimitada”.
Embora, no senso
comum, o vácuo signifique "nada", na física quântica, ele não é realmente vazio, mas ferve de flutuações de energia,
com partículas virtuais aparecendo e desaparecendo constantemente. Em 2020,
quando analisava essas densidades energéticas para a agência Darpa, do
Departamento de Defesa dos EUA, o físico Harold 'Sonny' White fez uma
descoberta curiosa.
Enquanto sua
equipe realizava análises numéricas em dispositivos experimentais conhecidos
como “cavidades de Casimir”, ele identificou uma estrutura que gerava uma
distribuição de energia negativa correspondente àquela da bolha de dobra (warp
bubble), conceito popular em "Star Trek", mas que ganhou base
científica em 1994 com o físico Miguel Alcubierre.
A ideia central é
a seguinte: apesar de a teoria da relatividade de Einstein dizer que nada pode
viajar mais rápido que a luz, ela não proíbe que o próprio espaço-tempo se
expanda ou contraia mais rápido que a luz — e isso é exatamente o que o famoso
pesquisador mexicano explorou.
Uma bolha de warp
seria uma região do espaço-tempo que você criaria ao redor de sua nave,
produzida pelos equipamentos de energia exótica que ela carrega. Nesse
modelo, a nave não se move por força própria: é o espaço atrás dela que se
expande, como se “empurrado” para longe, enquanto, na frente, o espaço se
contrai e se aproxima da nave. Dentro da bolha, a física funciona normalmente.
De Carona na Enterprise: Demonstrando Matematicamente
o Motor de Dobra
Credito: Star
Trek's USS Discovery/CBS/Divulgação
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| No modelo de Alcubierre, a nave poderiaica qu alcançar velocidades superluminais sem violar a teoria da relatividade geral. |
Após se graduar em Física
pela Universidade Nacional Autônoma do México, Miguel Alcubierre foi para
o País de Gales, onde fez seu doutorado. Ele reconhece que produziu o seu
famoso artigo sobre o motor de dobra, enquanto assistia na TV ao Sr. Sulu
ativando a warp speed na nave Enterprise.
Usando esse conceito fictício, Alcubierre
conseguiu demonstrar matematicamente que uma nave poderia alcançar velocidades
superluminais (acima da velocidade da luz) sem violar a teoria da
relatividade geral de Einstein, desde que o espaço ao seu redor fosse
dobrado de maneira controlada.
A elegância da proposta está em um
detalhe fundamental: dentro da bolha, nada se move mais rápido que a luz. É o
próprio espaço-tempo que se desloca, como uma esteira rolante cósmica que
carrega a nave sem que ela precise de propulsão convencional. Com isso, o
modelo continua respeitando os princípios da relatividade geral.
O grande problema
do artigo, publicado na revista Classical and Quantum Gravity, é que sustentar essa bolha exigiria quantidades absurdas de energia negativa. Alcubierre estimou que seria preciso converter em energia
negativa uma massa equivalente a 100 vezes o planeta Júpiter — algo que torna o
projeto, por ora, puramente teórico, ainda que matematicamente consistente.
Embora os
resultados práticos estejam a séculos de distância, ferramentas teóricas como
essa representam uma aceleração importante no ciclo de pesquisa. Nesse
sentido, o físico Alexey Bobrick e o empresário Gianni Martire, desenvolveram
inclusive um app capaz de simular e validar matematicamente as métricas de warp
em segundos, algo que levava meses.
Projetos Fantásticos e Pouco Investimento: o Dilema da
Física
Credito: Trekky0623/English
Wikipedia
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| Matemática do motor warp reconhecida por Harold Sonny White, por acaso, nos dados das cavidades de Casimir. |
Mas Bobrick e
Martire não se limitaram a criar o simulador público que permite a qualquer
cientista testar suas equações de warp. Eles também publicaram o seu próprio
artigo propondo resolver o problema da viagem superluminal aos poucos. Eles
propõem propulsores subliminares de dobra, ou seja, que dobram o espaço-tempo,
mas viajam abaixo da velocidade da luz.
Como não é
possível testar fisicamente quanta força gravitacional é necessária para
distorcer o espaço-tempo, a dupla voltou à carga em 2023 com outra solução
criativa: um buraco negro simulado em laboratório, usando ondas sonoras e
glicerina, testado com um feixe de laser.
Por mais
fantásticas que essas buscas pelo transporte interestelar possam parecer —
mesmo matematicamente coerentes — elas esbarram em um desafio terrestre
urgente: a dificuldade da ciência em lidar com metas de ultralongo prazo.
Grande parte do progresso atual provém de pesquisadores independentes sem
financiamento direto ou de descobertas por acaso, como a do Gianni Martire.
A dinâmica
reflete o que a física e youtuber Sabine Hossenfelder, pesquisadora do
Instituto de Estudos Avançados de Frankfurt, considera uma estagnação de
décadas. Mesmo reconhecendo a propulsão de dobra está a milênios de qualquer
aplicação prática, ela reconhece que a escassez de recursos para ideias
arriscadas é um problema que atravessa toda a física fundamental.
Contudo, esse
horizonte distante não abala os cientistas envolvidos. Dr. White compara o
esforço atual à construção da Catedral de Estrasburgo, cujos pedreiros que
ergueram a fundação jamais viram a torre final, 424 anos depois. "Não
tenho bola de cristal" — afirmou à Popular Mechanics, "mas sei
exatamente o que preciso fazer agora".
Seu artigo, publicado na revista The European Physical Journal C, foi o
ponto de partida para um debate que continua agitando a física teórica mundial.
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