INB Inicia Testes de Varetas de Combustível e Avança no Desenvolvimento de Microrreatores Nucleares no Brasil

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Credito: Agência Cenário Energia

Curiosamente, no dia 09/02, o portal da Agência Cenário Energia publicou uma matéria sobre mais uma iniciativa brasileira (reveja a primeira aqui) na área de micro-reatores nucleares. De acordo com a reportagem, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB) iniciou os testes com varetas de combustível, avançando no desenvolvimento de micro-reatores nucleares no país. A etapa foi realizada em Resende (RJ) e representa um passo decisivo rumo à produção nacional de combustível, além de consolidar um projeto estratégico voltado ao fornecimento de energia limpa e segura para regiões remotas.
 
Pois então, segundo a matéria, a INB deu início, em janeiro, em sua unidade de Resende (RJ), aos testes de fabricação das varetas de combustível que serão utilizadas no Projeto de Microrreator Nuclear Nacional. A iniciativa representa um avanço técnico relevante na consolidação da cadeia produtiva necessária ao desenvolvimento dessa nova tecnologia no país e sinaliza a capacidade futura da estatal de produzir, em escala industrial, os componentes essenciais para esse tipo de reator.
 
As varetas são elementos centrais do combustível nuclear, pois abrigam o urânio responsável por gerar o calor que, nos reatores, é convertido em energia elétrica. A fase atual do projeto permite avaliar parâmetros de fabricação, controle de qualidade e desempenho dos materiais, antecipando desafios técnicos antes do início da produção efetiva. A última etapa dos testes está prevista para fevereiro.
 
Produção Nacional de Combustível e Cronograma até 2027
 
A expectativa é que os testes em curso sirvam de base para a produção do combustível que irá abastecer o protótipo do microrreator, onde serão conduzidos os experimentos da tecnologia. O cronograma do projeto prevê que a produção em escala comece a partir de 2027.
 
O engenheiro metalúrgico da INB Franklin Palheiros explica que a fase atual é determinante para a maturidade do processo industrial. “Esses testes permitem antecipar ajustes antes do início da produção, programada para 2027”, afirma. Segundo ele, a participação da INB amplia o papel da estatal no setor nuclear e abre caminho para um novo mercado tecnológico no Brasil. “A participação da INB no projeto amplia seu papel no setor nuclear brasileiro e contribui para a abertura de um novo mercado voltado ao desenvolvimento de microrreatores nucleares”, reforça.
 
Microrreatores Como Alternativa Estratégica Para a Matriz Energética
 
Os microrreatores nucleares são projetados para operar de forma semelhante a uma usina nuclear convencional, porém em escala reduzida. Compactos, transportáveis e de baixa potência, esses sistemas são vistos como uma alternativa estratégica para o fornecimento de energia limpa, segura e contínua em regiões de difícil acesso, como áreas isoladas da Amazônia, comunidades ribeirinhas, bases militares ou pequenas cidades afastadas dos grandes centros urbanos.
 
Além de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e de sistemas de geração a diesel, os microrreatores podem contribuir para a segurança energética em locais onde a expansão das redes de transmissão é tecnicamente complexa ou economicamente inviável.
 
Qualificação Industrial e Licenciamento Nuclear
 
Após a conclusão dos testes, a INB iniciará a etapa de qualificação dos processos produtivos, procedimento padrão da empresa para validar e documentar todos os métodos de fabricação. Na sequência, serão solicitadas as autorizações junto à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), requisito indispensável para o início da produção do combustível nuclear.
 
O processo de licenciamento é considerado um dos pontos críticos do cronograma, já que envolve não apenas a fabricação do combustível, mas também requisitos rigorosos de segurança radiológica, controle de materiais nucleares e rastreabilidade dos processos industriais.
 
Parcerias Estratégicas e Validação Técnica
 
As etapas de produção e controle de qualidade das varetas foram acompanhadas por representantes das empresas Diamante Energia e Terminus Energia, que integram o consórcio responsável pela execução do projeto. A presença das empresas privadas reforça o caráter colaborativo da iniciativa, que reúne atores públicos e privados em torno do desenvolvimento tecnológico.
 
O representante da Terminus Energia, Adolfo Braid, destaca que a participação da INB é um fator estruturante para o projeto. “A INB é a única fabricante de combustível nuclear no Brasil com tecnologia licenciada, e sua participação é fundamental para o sucesso do programa. Sem essa parceria, o projeto simplesmente não existiria”, afirma.
 
Na avaliação da própria estatal, a interação com os parceiros também contribui para o aperfeiçoamento dos processos. O gerente de produção da INB, Marcos Mattos, explica que as visitas técnicas têm impacto direto na eficiência industrial. “Com a vinda deles é possível a validação in loco dos processos, o alinhamento técnico e operacional e identificações rápidas de possíveis oportunidades de melhoria”, afirma.
 
Projeto de R$ 50 Milhões e Articulação Institucional
 
O projeto brasileiro de microrreatores nucleares teve início em julho de 2025 e possui duração prevista de três anos. O investimento total é de R$ 50 milhões, sendo R$ 30 milhões oriundos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), e R$ 20 milhões aportados pela Diamante Energia.
 
Em dezembro de 2025, foi iniciado o processo de licenciamento do local onde será implantado o protótipo do primeiro microrreator nuclear do país, no Instituto de Engenharia Nuclear da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), no Rio de Janeiro.
 
O empreendimento reúne um total de 13 parceiros, incluindo empresas públicas e privadas, órgãos de fomento, instituições de pesquisa e universidades. A articulação institucional reflete a estratégia do governo brasileiro de fortalecer competências nacionais em tecnologia nuclear e posicionar o país em um segmento que vem ganhando espaço no debate internacional sobre transição energética, segurança energética e descarbonização.
 
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