Missão Tampanamak e o Espelho Incômodo do Atraso Espacial Brasileiro
Caros amantes das atividades espaciais!
Pois então, enquanto alguns países ainda insistem em simular protagonismo no setor espacial global por meio de discursos, promessas e narrativas vazias, outros avançam silenciosamente com iniciativas concretas. Um desses casos é o da Missão Tampanamak, projeto de robô lunar voltado à mineração, em desenvolvimento no México — e que expõe, de forma incômoda e sutíl, as fragilidades do Programa Espacial Brasileiro (PEB) governamental.
O Tampanamak é um conceito de rover lunar dedicado exclusivamente à escavação e ao transporte de regolito, o material que cobre a superfície da Lua. O projeto é conduzido pela Meditech Industries Space Systems, empresa mexicana especializada em sistemas espaciais de pequeno porte, como PocketQubes e CubeSats, com forte atuação na formação técnica de estudantes do ensino médio e superior.
Até pouco mais de dez anos atrás, o México praticamente não figurava no debate público como um ator relevante no setor espacial. Hoje, no entanto, abriga uma empresa capaz de desenvolver um projeto de mineração lunar funcional, ainda que modesto, mas real. E isso, por si só, deveria provocar uma reflexão profunda no Brasil.
Segundo nota publicada em 3 de janeiro pelo diretor-geral da empresa, Israel Téllez González, o Tampanamak está em desenvolvimento desde 2022. Não se trata de um render conceitual, nem de um protótipo de vitrine, tampouco de um projeto acadêmico abstrato. É, nas palavras do próprio diretor, um exercício genuíno de engenharia aplicada, construído com orçamento limitado, erros reais e decisões técnicas reais, envolvendo diretamente estudantes técnicos das áreas de telecomunicações e eletromecânica industrial.
“O desenvolvimento é lento, sim. Mas é exatamente aí que reside seu valor”, afirma González, ao destacar que capacidade tecnológica não surge de forma instantânea, mas é construída iteração após iteração. Essa visão pragmática contrasta fortemente com a lógica predominante em programas governamentais marcados por anúncios grandiosos e resultados escassos.
É impossível observar esse cenário sem questionar: Onde erramos com o Programa Espacial Brasileiro governamental? A resposta, embora desconfortável, parece evidente. Erramos ao permitir que o setor fosse capturado por má gestão, decisões políticas equivocadas, interesses alheios ao desenvolvimento tecnológico e pela ausência de compromisso real com uma estratégia de longo prazo.
O Brasil teve, sim, um início promissor. Os pioneiros do Programa Espacial Brasileiro (PEB), criado no início da década de 1960, estavam genuinamente motivados a transformar o país em um ator relevante no setor espacial. No entanto, ao longo de mais de seis décadas, essa motivação foi se perdendo, corroída por descontinuidade administrativa, corrupção, incompetência técnica e uma cultura institucional mais preocupada com acordos protocolares e narrativas ideológicas do que com resultados concretos.
Hoje, o PEB caminha sem um rumo claro, sustentado por promessas recorrentes, memorandos de entendimento de nenhum impacto prático e uma estrutura burocrática pouco eficiente. A distância entre discurso e realidade tornou-se tão grande que o programa já perdeu não apenas relevância internacional, mas também, e há mais de duas décadas, credibilidade interna.
A experiência mexicana mostra que não é necessário ser uma grande potência nem dispor de orçamentos bilionários para avançar. O que faz diferença é visão estratégica, continuidade, formação técnica e compromisso com a engenharia real — aquela que falha, corrige e evolui.
Pois é amantes das atividades espaciais, se nada mudar, não é exagero afirmar que, dentro de alguns anos, o Programa Espacial Brasileiro governamental poderá sobreviver apenas como referência histórica, citado em notas de rodapé, enquanto outros países da região consolidam competências e ocupam espaços na emergente economia espacial. As narrativas seguirão existindo, é verdade. Afinal, sempre haverá quem consuma discursos vazios. Mas o mundo real continuará avançando — com ou sem o Brasil.
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