Novo Estudo de Radar de Vênus Revela Vasta Caverna de Lava Subterrânea

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Credito: Space Daily
Ilustrativo.
 
No dia de hoje (10/02), o portal Space Daily noticiou que um Novo Estudo de Radar de Vênus publicado na Revista Nature Communications revela vasta caverna de lava subterrânea neste planeta.
 
De acordo com a nota do portal, a atividade vulcânica é uma força fundamental na formação das superfícies de planetas rochosos, e um novo estudo da Itália indica que Vênus abriga um gigantesco tubo de lava vazio sob sua superfície. Utilizando imagens de radar da missão Magellan, da NASA, uma equipe da Universidade de Trento identificou uma feição do tipo “claraboia” na região de Nyx Mons que revela uma grande cavidade subterrânea, interpretada como um conduto de lava.
 
O estudo, publicado na revista Nature Communications, baseia-se em dados de Radar de Abertura Sintética coletados entre 1990 e 1992 pela espaçonave Magellan. Como Vênus é envolto por nuvens espessas que bloqueiam a observação óptica, o uso de radar é essencial para investigar sua geologia e os processos que ocorrem abaixo da superfície. A pesquisa concentra-se em colapsos localizados da superfície que podem indicar a presença de vazios subterrâneos.
 
Tubos de lava geralmente se formam quando a lava em escoamento desenvolve uma crosta sólida isolante enquanto o material fundido continua a fluir pelo interior do canal. Quando a lava se escoa completamente, pode permanecer um túnel vazio, com colapsos ocasionais do teto formando claraboias visíveis na superfície. Estruturas semelhantes já foram encontradas ou propostas na Lua e em Marte, mas demonstrar sua existência em Vênus tem sido mais difícil.
 
O autor principal, Lorenzo Bruzzone, professor titular de Telecomunicações e diretor do Laboratório de Sensoriamento Remoto da Universidade de Trento, coordenou a análise. A equipe desenvolveu e aplicou uma técnica de imageamento projetada para detectar e caracterizar condutos subterrâneos próximos a claraboias em dados de radar. Ao examinar imagens de Magellan de Nyx Mons, eles encontraram sinais claros de uma grande cavidade subterrânea associada a uma depressão na superfície.
 
Segundo o estudo, o conduto inferido tem um diâmetro estimado de cerca de um quilômetro, um teto com pelo menos 150 metros de espessura e um vazio que se estende a profundidades não inferiores a 375 metros. Essas dimensões colocam o tubo de lava de Vênus no limite superior do que os cientistas já sugeriram ou observaram para estruturas semelhantes na Lua e acima dos tamanhos típicos esperados na Terra ou em Marte. Os pesquisadores observam que isso é consistente com a presença, em Vênus, de canais de lava maiores e mais longos do que os de outros planetas.
 
Bruzzone destaca que a identificação de uma cavidade vulcânica em Vênus é importante porque valida teorias antigas de que tais feições deveriam existir sob a superfície do planeta. Ele explica que nosso conhecimento sobre Vênus ainda é limitado e que, até agora, não havia evidência observacional direta de tubos de lava subterrâneos no chamado “gêmeo” da Terra. A descoberta, segundo ele, aprofunda a compreensão de como processos vulcânicos e internos influenciaram a evolução venusiana.
 
As condições físicas e atmosféricas de Vênus parecem favorecer a formação de extensos tubos de lava. Em comparação com a Terra, Vênus possui menor gravidade superficial e uma atmosfera muito mais densa, fatores que podem permitir o rápido desenvolvimento de uma crosta isolante espessa à medida que a lava flui para longe de uma abertura. Esse ambiente pode promover a criação de grandes e estáveis canais subterrâneos capazes de se estender por grandes distâncias.
 
Os dados disponíveis da missão Magellan permitem à equipe confirmar e medir apenas a seção da cavidade próxima à claraboia identificada. No entanto, ao analisar a morfologia e a elevação do terreno ao redor, e ao observar a presença de outras depressões semelhantes à feição principal, os pesquisadores sugerem que os condutos subterrâneos na região de Nyx Mons podem se estender por pelo menos 45 quilômetros. Se isso for confirmado, o sistema estaria entre as redes de tubos de lava mais extensas conhecidas no Sistema Solar.
 
Para verificar essa hipótese e procurar outros tubos de lava em Vênus, os cientistas precisarão de novas observações com maior resolução espacial e melhores capacidades de detecção do subsolo. O estudo destaca a importância de futuras missões, como a Envision, da Agência Espacial Europeia, e a Veritas, da NASA. Ambas as espaçonaves estão planejadas para transportar instrumentos avançados de radar capazes de capturar imagens mais nítidas da superfície e detectar pequenas depressões que possam marcar novas claraboias.
 
A missão Envision também contará com um radar orbital de penetração no solo, o Subsurface Radar Sounder, projetado para sondar várias centenas de metros abaixo da superfície venusiana. Esse instrumento poderá revelar condutos subterrâneos mesmo onde nenhuma claraboia ou depressão de colapso seja visível a partir da superfície. A equipe da Universidade de Trento argumenta que o tubo de lava recém-identificado provavelmente é apenas o início de um esforço mais amplo para mapear e compreender a arquitetura vulcânica oculta de Vênus.
 
 
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