NASA e Universidade de Edimburgo Estudam Uso de Bactérias Para Minerar Rochas Espaciais

Caros amantes das atividades espaciais!
 
No dia de hoje (20/02), o portal Inovação Tecnológica noticiou que, desde 2019, uma equipe da NASA e da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, trabalha no uso de bactérias para extrair minerais de rochas espaciais.
 
[Imagem: Rosa Santomartino et al. - 10.1038/s41526-026-00567-3]
Biorreator de mineração microbiana sendo testado na Estação Espacial Internacional.
 
Mineração Espacial Sem Máquinas Pesadas
 
De acordo com a matéria do site, se você já teve oportunidade de visitar uma mina, sabe que as proporções dos equipamentos usados na mineração são impressionantes: Caminhões do tamanho de casas, escavadeiras do tamanho de aviões e plantas de processamento maiores que shopping centers.
 
Assim, embora a ideia da mineração espacial seja tentadora, tem havido poucas propostas que vençam um obstáculo crucial: O custo. Afinal de contas, como fabricar e levar equipamentos nessas magnitudes para o espaço, se mal conseguimos levar alguns laboratórios do tamanho de kitnets?
 
Desde 2019, uma equipe da NASA e da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, tem trabalhado em uma rota alternativa: Usar bactérias para minerar as substâncias das rochas espaciais.
 
As bactérias e outros microrganismos são geneticamente modificados para coletar os elementos que se pretende explorar, e então liberá-las em uma concentração mais elevada, diminuindo os custos da mineração espacial, que poderia usar equipamentos menores ou simplesmente trazer os minérios enriquecidos para processamento no solo.
 
Os últimos testes, realizados a bordo da Estação Espacial Internacional, envolveram microrganismos capazes de extrair elementos do grupo da platina (irídio, ósmio, paládio, platina, ródio e rutênio), alguns dos mais raros e caros que existem, mas que são essenciais em aplicações que vão da química à eletrônica.
 
[Imagem: Rosa Santomartino et al. - 10.1038/s41526-026-00567-3]
Os experimentos foram realizados em terra e no espaço, para permitir comparações.
 
Biomineração
 
Nos experimentos, a bactéria Sphingomonas desiccabilis e o fungo Penicillium simplicissimum foram utilizados para identificar quais elementos químicos poderiam ser extraídos de um asteroide do tipo condrito.
 
Os resultados mostraram que os fungos biomineradores são particularmente eficazes na extração do paládio, enquanto a remoção desses fungos teve um efeito negativo na lixiviação não-biológica em microgravidade.
 
Mas a importância dos resultados é maior, uma vez que compreender como os microrganismos interagem com as rochas em microgravidade é essencial para qualquer projeto de mineração espacial.
 
"Este é provavelmente o primeiro experimento desse tipo na Estação Espacial Internacional com meteorito," disse Rosa Santomartino, responsável pelos experimentos. "Queríamos manter a abordagem específica, mas também, de forma geral, aumentar seu impacto. São duas espécies completamente diferentes, e elas extraem substâncias diferentes. Então, queríamos entender como e o quê, mas manter os resultados relevantes para uma perspectiva mais ampla, porque pouco se sabe sobre os mecanismos que influenciam o comportamento microbiano no espaço."
 
[Imagem: Rosa Santomartino et al. - 10.1038/s41526-026-00567-3]
Os fungos foram particularmente eficientes na biomineração espacial.
 
Melhor em Terra ou Melhor no Espaço?
 
Enquanto os experimentos eram feitos pelos astronautas na ISS, os pesquisadores realizaram sua própria versão de controle em laboratório, para comparar os resultados sob a gravidade terrestre com aqueles obtidos sob a microgravidade do espaço. Todos envolveram 44 elementos químicos diferentes, dos quais 18 foram extraídos biologicamente.
 
A análise revelou mudanças distintas no metabolismo microbiano no espaço, particularmente para o fungo, que aumentou a produção de muitas moléculas como o ácido carboxílico (moléculas de carbono que podem se ligar a minerais por meio de complexação e estimular sua liberação) e intensificou a liberação de paládio, bem como de platina e outros elementos.
 
Para muitos elementos, a lixiviação não biológica - na qual uma solução sem micróbios é usada para extrair os elementos - foi menos eficaz em microgravidade do que na Terra. Enquanto isso, os micróbios apresentaram resultados consistentes em ambos os ambientes.
 
"Nesses casos, o microrganismo não melhora a extração em si, mas a mantém em um nível constante, independentemente da gravidade," disse Santomartino. "E isso não se aplica apenas ao paládio, mas a diferentes tipos de metais, embora não a todos. Aliás, outro resultado complexo, mas muito interessante, é o fato de a taxa de extração variar bastante dependendo do metal em questão, bem como do microrganismo e da gravidade."
 
Além de auxiliar na exploração espacial, esse conhecimento pode ter benefícios terrestres, como a biomineração em ambientes com recursos limitados ou em rejeitos de mineração, ou ainda a criação de biotecnologias sustentáveis para uma economia circular. Mas Santomartino é cautelosa: "Embora a comunidade biotecnológica esteja ansiosa para aprender o impacto exato que o espaço tem sobre as espécies microbianas para esse fim, uma explicação concisa pode não surgir em breve. Há simplesmente muitas variáveis."
 
Saiba mais:
 
Autores: Rosa Santomartino, Giovanny Rodriguez Blanco, Alfred Gudgeon, Jason H. Hafner, Alessandro Stirpe, Martin Waterfall, Nicola Cayzer, Laetitia Pichevin, Gus Calder, Kyra R. Birkenfeld, Annemiek C. Waajen, Scott McLaughlin, Alessandro Mariani, Michele Balsamo, Gianluca Neri, Lorna J. Eades, Charles S. Cockell
Revista: npj Microgravity
DOI: 10.1038/s41526-026-00567-3
 
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