Matéria do ESTADÃO Reconhece o "BS" Como o 'Agente Revelador' do Imbróglio da Empresa AKAER no Projeto do VLPP

Caros amantes das atividades espaciais!
 
Pois bem, no dia de hoje (06/02), o portal do ESTADÃO publicou uma matéria sobre o cancelamento, por parte da FINEP, do contrato de desenvolvimento do Veículo Lançador de Pequeno Porte (VLPP), reconhecendo o Blog Brazilian Space (BS) como o agente responsável por revelar esse lamentável imbróglio envolvendo a empresa AKAER.
 
Nesse momento, o BS aproveita para agradecer publicamente a esse importante veículo jornalístico nacional pelo reconhecimento do nosso trabalho de investigação, bem como por se juntar ao nosso esforço hercúleo de trazer à Sociedade Brasileira a verdade sobre os bastidores do Programa Espacial Brasileiro governamental — um programa que, há décadas, vem sendo irresponsavelmente “dourado” por gestores mal-intencionados, com o apoio de uma mídia que, na maioria das vezes, demonstra completo desconhecimento do tema ou se mostra conivente com esse tipo de prática, por razões que não cabe aqui aprofundar neste momento.
 
Desde 2009, no Blog Brazilian Space e em nosso canal no YouTube, temos buscado apresentar à sociedade a realidade por trás das falácias e narrativas propagadas por diversos órgãos governamentais que atuam na governança desse importante setor estratégico. Da mesma forma, temos trabalhado para esclarecer a população sobre a importância crucial das atividades espaciais para qualquer nação soberana, especialmente para um país de dimensões continentais como o Brasil.
 
Entretanto, essa luta está longe de ser fácil. Além da ampla desinformação da própria sociedade acerca da relevância da tecnologia espacial, enfrentamos poderosos “Agentes do Caos”, travestidos de defensores do interesse nacional, mas que pouco ou nada representam dos verdadeiros valores brasileiros. Soma-se a isso a nossa ainda limitada visibilidade nas redes sociais, o que torna o desafio ainda maior.
 
Diante desse cenário, entusiastas do espaço, quando um veículo jornalístico de grande expressão como o ESTADÃO vem a público reconhecer o nosso trabalho, isso representa um reforço significativo na nossa contínua e hercúlea luta contra a máquina de desinformação construída por esses oportunistas “Agentes do Caos”.
 
Obrigado, ESTADÃO.
 
Leia abaixo a matéria do ESTADÃO.
 
Empresa Some Com R$ 24 milhões em Prestação de Conta e Governo Cancela Projeto de Foguete Brasileiro
 
Agência federal cobra devolução do dinheiro após problema em prestação de contas; companhia diz agir dentro do contrato e seguir princípios de responsabilidade e ética
 
Por Caio Possati
06/02/2026 | 05h29
Atualização: 06/02/2026 | 07h38

A Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), agência  do governo federal, cancelou  um programa que  previa, ao  custo de *R$ 180 milhões, a construção de um ** veículo lançador de satélites de pequeno porte (VLPP)* por empresas brasileiras. O motivo foram *irregularidades na prestação de contas de R$ 24,5 milhões* de verba pública repassados para a *Akaer*, empresa do setor aeroespacial contratada para desenvolver o foguete, considerado um antigo objetivo do programa espacial brasileiro.
 
Procurada pela reportagem, a Akaer afirmou que não pode dar detalhes sobre o projeto por ele se inserir em um contexto de *segurança nacional, mas afirma que suas ações foram conduzidas dentro dos termos do contrato e com princípios de **responsabilidade e ética. ** A empresa, no entanto, não explicou, as inconsistências* apontadas na prestação de contas.
 
Foto: Felipe Rau/Estadão
Base de Alcântara, no Maranhão, é tida como um dos melhores lugares do planeta para lançamentos de foguetes.
 
O programa teve início em *dezembro de 2023, com conclusão prevista para o final de **2026. Em **agosto de 2025*, a FINEP suspendeu o projeto após identificar problemas na prestação de contas.
 
Logo após a assinatura do contrato, a FINEP repassou à Akaer *R$ 41,3 milhões em parcela única*. O restante dos recursos, até atingir o total de R$ 180 milhões, seria liberado conforme o avanço do projeto.
 
Documentos obtidos pela reportagem via *Lei de Acesso à Informação (LAI)* mostram que, na prestação de contas apresentada, a Akaer comprovou o uso de apenas *R$ 16,7 milhões*. O destino do valor restante não foi detalhado.
 
A FINEP cobrava esclarecimentos sobre os valores desde *maio de 2025, alertando para o risco de rescisão contratual. Diante da ausência de explicações consideradas satisfatórias, a agência decidiu **rescindir o contrato* e exigir a devolução integral dos recursos já repassados, ou seja, *R$ 41,3 milhões*, tanto da Akaer quanto das empresas parceiras do consórcio.
 
O cancelamento do *Programa do Veículo Lançador de Pequeno Porte (VLPP)* foi inicialmente revelado pelo *Brazilian Space, blog especializado em temas aeroespaciais. Os detalhes das irregularidades foram posteriormente obtidos pelo *Estadão.
 
O foguete, batizado de *Montenegro MKI, foi projetado para ter **10 metros de altura, **três estágios, **0,5 metro de diâmetro* e cerca de *2,5 toneladas de massa total*.
 
Em nota enviada à reportagem, a FINEP justificou a rescisão pela “*dificuldade da empresa na gestão administrativo-financeira dos recursos desembolsados”. Como não houve devolução integral dos valores solicitados, a agência informou que iniciou o processo de **Tomada de Contas Especial, a ser encaminhado a órgãos de controle como o **Tribunal de Contas da União (TCU)* e a *Controladoria-Geral da União (CGU)*.

Empresas Parceiras Reclamam de Líder do Consórcio
 
Pelo edital da FINEP, dois consórcios foram contratados para desenvolver foguetes VLPP. O grupo liderado pela Akaer tinha como coexecutoras as startups *Acrux Aerospace, **Breng Engenharia e Tecnologia* e *Essado de Morais*. Por ser a empresa de maior porte e com experiência em projetos de subvenção, coube à Akaer receber e administrar os recursos em uma conta bancária criada exclusivamente para o programa.
 
Foto: Divulgação/Akaer via Facebook
Ilustração de foguete lançador que seria desenvolvido pela Akaer e por outras startups parceiras. 

*Oswaldo Loureda, fundador da Acrux, afirmou que a relação com a líder do consórcio foi problemática desde o início. Segundo ele, a Akaer não comunicou as empresas parceiras sobre o depósito dos **R$ 41,3 milhões, e as startups só tomaram conhecimento da transferência por conversas informais. O repasse dos recursos teria levado **seis meses* para ocorrer.
 
No final de 2024, quando o projeto começou a avançar tecnicamente, houve novos atrasos nos repasses. “*Sem o dinheiro, os salários dos funcionários e os pagamentos a fornecedores começaram a atrasar*”, relatou Loureda.
 
Diante da situação, as startups levaram o caso à FINEP, que realizou uma auditoria e determinou o *bloqueio das contas da Akaer em março de 2025*.
 
Em comunicado enviado à FINEP, as coexecutoras afirmaram que não tiveram qualquer participação na gestão dos recursos não disponibilizados ao projeto e que o bloqueio dos repasses impediu a continuidade das atividades previstas.
 
A empresa *Essado de Morais* informou apenas que aguarda a conclusão do processo administrativo conduzido pela FINEP. A *Breng* não respondeu aos questionamentos da reportagem.
 
A Akaer reiterou, em nota, que conduz a situação em conformidade com os termos contratuais e que colabora com os órgãos competentes para o andamento dos trâmites técnicos e administrativos.
 
Setor em Crise
 
Para as startups do setor aeroespacial, o cancelamento do projeto representa não apenas a frustração pela perda da oportunidade de desenvolver um lançador orbital, mas também *impactos econômicos severos*.
 
Segundo as empresas, *mais de 40 funcionários e bolsistas pesquisadores*, treinados especificamente para o projeto, precisaram ser dispensados. As startups tentam convencer a FINEP a concentrar a cobrança da devolução dos recursos exclusivamente na Akaer, para evitar que os prejuízos se estendam às coexecutoras.
 
As startups tentam, junto à FINEP, fazer com que a cobrança dos R$ 41,3 milhões recaia apenas sobre Akaer e que os prejuízos não sejam repassados para as coexecutoras.
 
Elas argumentam que utilizaram os recursos conforme o previsto, com entrega de relatórios técnicos e prestação de contas regulares, e que a responsabilidade pela gestão financeira cabia à líder do consórcio
 
Reveses em Série 
 
O fracasso do VLPP representa mais um episódio na longa tentativa do Brasil de dominar a tecnologia de lançadores de satélites. Embora o País tenha desenvolvido foguetes suborbitais, ainda não conseguiu colocar um satélite em órbita com um veículo próprio.
 
Nações como *Israel, Coreia do Sul e Irã, com orçamentos espaciais semelhantes ao do Brasil, já alcançaram essa capacidade. Um dos principais trunfos brasileiros é o **Centro de Lançamento de Alcântara*, no Maranhão, considerado um dos melhores locais do mundo para lançamentos orbitais devido à proximidade com a Linha do Equador, que reduz o consumo de combustível e aumenta a capacidade de carga útil. 

Uma das iniciativas mais ambiciosas foi o *Veículo Lançador de Satélites (VLS), conduzido pela Força Aérea Brasileira entre os anos 1980 e início dos anos 2000. O programa foi interrompido após o acidente de 2003 em Alcântara, que resultou na morte de **21 profissionais*.
 
Após anos de estagnação, em *2022, o Programa Espacial Brasileiro retomou a aposta em lançadores, desta vez com foco na iniciativa privada, seguindo a tendência internacional do **New Space*, que privilegia o protagonismo de empresas privadas no setor.
 
Apesar do colapso do projeto Montenegro, ainda há *dois programas de lançadores em andamento* no País:

* o *MLBR, desenvolvido pela empresa privada **Cenic*, aprovado no mesmo edital da Akaer;
* o *VLM-AT, conduzido pela **Força Aérea Brasileira (FAB)*.

Segundo a FINEP, ambos os projetos encontram-se *adimplentes*.
 
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