Artigo: Não é Sobre GPS. É Sobre Sobrevivência: A Visão do KRONOS PNT

Caros amantes das atividades espaciais!
 
No dia 25 de janeiro, o BS publicou uma notícia sobre um projeto conjunto das startups brasileiras Shamal Space e Navollo Aerospace, que prevê o desenvolvimento de uma constelação de satélites de PNT (Posicionamento, Navegação e Tempo), denominada KRONOS, baseada no uso de pequenos satélites (smallsats). Lembram-se? (reveja aqui).
 
A apresentação do projeto, no entanto, suscitou dúvidas em razão da escassez de informações divulgadas pelas empresas à época. Esse cenário motivou questionamentos levantados pelo Professor Rui Botelho durante a Edição nº 205 da coluna Espaço Semanal, exibida em 29 de janeiro, conforme pode ser observado no trecho destacado dessa edição, reproduzido logo abaixo.
 
 
Até ontem (1º/02), porém, não tínhamos conhecimento de que o CEO e fundador da Navollo Aerospace, Alexander Melo, havia publicado, no dia 28 de janeiro — um dia antes da referida coluna —, um breve artigo em sua página no LinkedIn, no qual apresenta informações adicionais sobre o projeto.
 
Diante disso, trazemos a seguir o artigo na íntegra e informamos que o tema será abordado na Edição nº 206 da coluna Espaço Semanal, que irá ao ar na próxima quinta-feira, 5 de fevereiro. Fiquem atentos!
 
Não é Sobre GPS. É Sobre Sobrevivência: A Visão do KRONOS PNT
 
Imagem meramente ilustrativa e conceitual gerada por IA.
 
Por Alexander Melo
Navollo Aerospace
28 de janeiro de 2026
 
O mundo mudou. O GPS tradicional (GNSS), concebido na Guerra Fria e operando a 20.000 km de altitude, é uma obra-prima da engenharia, mas inadequada para o mundo moderno de máquinas autônomas, agricultura de precisão e segurança logística: o sinal chega ao solo fraco, é vulnerável, impreciso em ambientes complexos, e sobretudo, não é soberano.
 
Na Navollo, decidimos atacar esse problema com a filosofia do New Space: física de primeiros princípios e engenharia agressiva.
 
Assim nasce o KRONOS PNT.
 
1. A Física: Por que LEO (Baixa Órbita) e não GEO?
 
Soberania tecnológica não se constrói replicando o passado. Não lançaremos satélites de 2 toneladas para a órbita geoestacionária.
 
Ao operar em LEO (Low Earth Orbit), a cerca de 800 km de altitude, ganhamos uma vantagem física brutal: a Lei do Quadrado Inverso. Ao reduzir a distância do transmissor em 25 vezes (de 20.000 km para 800 km), o sinal chega ao solo com uma potência centenas de vezes superior, consumindo menos energia a bordo.
 
O resultado?
 
* Anti-Jamming Nativo: O sinal do KRONOS "fura" a interferência dos jammers usados em roubo de cargas.
 
* Penetração: Sinal utilizável sob copas de árvores densas e em cânions urbanos, onde o GPS falha.
 
* Precisão: Geometria de rápida mudança permite convergência de posicionamento (PPP) em segundos, não minutos.
 
2. O Hardware: Estado da Arte em 20kg
 
Esqueça os "ônibus espaciais" gigantes. Nossa arquitetura baseia-se em plataformas de classe 12U/16U (20kg a 25kg).
 
Estamos integrando o que há de mais moderno em Rádio Definido por Software (SDR), amplificadores de potência baseados em Nitreto de Gálio (GaN), que oferecem eficiência energética superior para transmissão em Banda S e Ku, e criptografia AES-256-GCM com implementação de NMA (Navigation Message Authentication).
 
Cada satélite é um nó inteligente, equipado com propulsão elétrica para manutenção de órbita e relógios de alta estabilidade, desenhado para ser fabricado em série, não artesanalmente.
 
3. Integração Vertical: O Diferencial Econômico
 
O maior custo de uma constelação é o acesso ao espaço. A Navollo não é apenas uma empresa de satélites.
 
Estamos desenvolvendo veículos lançadores reutilizáveis próprios, projetados para implantar múltiplos satélites por voo em planos orbitais específicos. Ao controlar o "caminhão" e a "carga", reduzimos o custo por bit transmitido a níveis que tornam o sistema viável comercialmente para seguradoras e produtores rurais, não apenas para governos.
 
4. Por que o Brasil?
 
Somos o celeiro do mundo e possuímos uma das maiores frotas de caminhões e tratores do planeta. Depender exclusivamente de sistemas estrangeiros (GPS, Glonass, Galileo) é um risco estratégico inaceitável para nossa economia.
 
O KRONOS não visa substituir o GPS, mas oferecer uma camada de Resiliência e Alta Performance. É a infraestrutura que permitirá ao Brasil liderar a autonomia no campo e a segurança logística na América do Sul.
 
Estamos construindo o futuro. E ele passa a 800 km acima das nossas cabeças.
 
Aos engenheiros que querem construir o impossível e aos investidores estratégicos que enxergam além do horizonte: as portas da Navollo-Shamal estão abertas.
 
Alexander CEO & Founder, Navollo Aerospace
 
Brazilian Space
 
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