Falta de Projetos Ameaça Companhias Brasileiras do Setor Espacial

Olá leitor!

Segue abaixo uma matéria publicada ontem (14/10) no site do Jornal Valor Econômico e postada dia (15/01) no site da Força Aérea Brasileira (FAB), destacando que falta de projetos (demanda) ameaça a empresas brasileiras que atuam no Setor Espacial.

Duda Falcão

EMPRESAS

Falta de Projetos Ameaça Companhias

Por Virgínia Silveira
Jornal Valor Econômico
14/11/2014

As empresas brasileiras do setor espacial estão demitindo profissionais altamente qualificados por falta de encomendas. A Optoeletrônica, de São Carlos (SP), única empresa nacional capacitada a produzir sistemas ópticos e eletrônicos para defesa e espaço, demitiu 30 pessoas, quase metade dos funcionários dedicados a essas duas áreas.

A empresa desenvolveu uma câmera que ajuda no controle de recursos hídricos e florestais para o satélite sino-brasileiro CBERS-3. O equipamento se tornou um marco de capacitação para o programa espacial brasileiro, por ser considerado o instrumento espacial mais sofisticado já feito no país.

"Não temos nenhum contrato em vista na área espacial e por isso tivemos de cortar 30 postos de trabalho, todos especializados em tecnologia de desenho óptico, mão de obra que não existe no país", disse o presidente da empresa, Jarbas Castro.

Segundo a Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), o país conta hoje com 12 empresas voltadas para o segmento espacial, das quais seis dependem exclusivamente de programas nessa área. Essas empresas empregam cerca de 400 pessoas. O faturamento médio anual das empresas fica entre US$ 50 milhões a US$ 60 milhões, mas esses valores vêm sofrendo queda progressiva, devido à falta de contratos.

Todas as empresas do setor no Brasil, de acordo com o presidente da Optoeletrônica, estão reduzindo o quadro de funcionários para conseguir se adaptar à situação e tentar sobreviver. "Em 2014 a área de defesa e espaço, que representava 60% da nossa receita, cairá para 40%. Estamos tentando retomar a área de produtos civis, voltada ao segmento médico para compensar a queda de receita."

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi, disse que a indústria nacional está preparada para um novo desafio e que o desenvolvimento de um novo satélite semelhante ao CBERS, mas 100% nacional, seria viável no curto prazo.

Perondi defende o modelo de política de desenvolvimento industrial adotado pela Suécia, que decidiu produzir o Gripen no país. "Para cada bilhão de dólar investido no Gripen houve retorno de US$ 3 bilhões para a economia sueca." Esse modelo, segundo Perondi, é o adotado pelo INPE em relação aos satélites. Mas neste momento faltam programas para dar continuidade a política realizada com o CBERS 3 e 4, que contratou mais de R$ 300 milhões da indústria nacional.

A Orbital, outro exemplo de empresa estratégica para o programa espacial, foi a responsável pelo sistema de suprimento de energia do CBERS 3. A empresa demitiu 10 pessoas e reduziu o quadro para 15 pessoas. O presidente da Orbital, Célio Vaz, disse que a situação das empresas é tão crítica que não sobrevivem mais um semestre sem medidas urgentes. "No caso da Orbital, o que tem mantido a empresa em funcionamento é um contrato de exportação de serviços de engenharia espacial para o Canadá."

O plano para a área espacial e definido no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), segundo Vaz, não está sendo cumprido. Especialistas consultados pelo Valor afirmam que a maior parte dos recursos do programa espacial foi desviada para o programa do foguete ucraniano Cyclone 4, parceria binacional feita com o Brasil que deu origem a Alcântara Cyclone Space (ACS).

Segundo o Valor apurou, parte dos recursos aprovados para o programa de foguetes conduzido pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) também está sendo destinada a outros projetos, como o do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC), que será fornecido pelas empresas europeias Thales e Arianespace.

A MECTRON, do grupo Odebrecht Defesa e Tecnologia, não quis dar entrevista. A empresa decidiu minimizar suas atividades no setor espacial e já teria demitido 40 funcionários em São José dos Campos.

O presidente da AEB, José Raimundo Braga Coelho, disse que assinou oito contratos com as empresas espaciais no âmbito do satélite CBERS-4, que será lançado em dezembro. Segundo ele, uma nova agenda está sendo discutida com os chineses para viabilizar novos programas em parceria, entre eles, o de um satélite geoestacionário. "Os novos projetos e contratos só deverão ser viabilizados a partir de 2015."


Fonte: Jornal Valor Econômico via Site da Força Aérea Brasileira (FAB) - http://www.fab.mil.br

Comentário: Pois é leitor, tá ai a verdadeira cara do Programa Espacial Brasileiro (PEB), algo que já era muito ruim antes do primeiro governo da Ogra e agora chega a uma situação insustentável. Para completar o escudeiro da Ogra na AEB continua vendendo fantasias. O PEB infelizmente caminha para o seu fim e com ele um sonho idealizado por visionários no início da década de 60 e que esses energúmenos estão destruindo sem que se possa fazer nada. Triste.

Comentários

  1. Apenas 12 empresas voltadas para o segmento espacial? Sinceramente o que aconteceu/está acontecendo com os agenciadores, os profissionais, os empresários e todas as pessoas ligadas com a área? Há áreas muito mais "invisíveis" ao público brasileiro como a área de arquivos com muito mais empresas trabalhando e algumas com contratos multimilionários ainda em vigência. O que houve com o empreendedorismo na área e com o setor privado neste segmento? O que houve com aqueles que não ficaram viciados nas "tetas do governo" e não ficaram reféns da "politicagem"? Aguardo respostas!

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    1. Cara Taiguara Villela!

      No setor espacial as coisas não funcionam bem assim. Em qualquer lugar do mundo o governo do país em questão é o gerenciador e responsável nacionalmente e internacionalmente pelas atividades do setor e evidentemente o seu principal cliente. Qualquer mercado vive de demanda (compras) e no Brasil o governo não está fazendo a sua parte desde Fernando Collor de Mello, além de ter tomado decisões estapafúrdias e estúpidas como a criação da ACS. Não existe no Brasil um clima favorável para criação e sustentação do que você chamou de empreendedorismo neste setor, como por exemplo, existe nos EUA, país que tem gerado empresas como a SpaceX entre outras. Mas lá o apoio governamental é feito de forma séria, responsável e tendo como motivação o desenvolvimento da Sociedade Americana. Estamos ainda muito longe disso, nossos governos são corruptos e só lutam pelos seus próprios interesses. O Brasil não é uma nação séria e está a anos luz de distênica disto acontecer. Somos um território de tribos cada um lutando pelo seus próprios interesses e nunca em prol do bem comum. Para completar esse quadro ainda temos um povo ignorante e extremamente manipulável em todas as classes que compõem a Sociedade Brasileira. Dê a eles, futebol, carnaval e cachaça e tudo acaba em festa. Sem a compreenção por parte do povo do que seja Cidadania, jamais seremos uma nação de verdade e continuaremos produzindo gente como COLLORS, ITAMAS, CARDOSOS, LULAS e DILMAS da vida. Esta é a realidade brasileira e assim sendo com o PEB não poderia ser diferente.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  2. Ola.Meu nome ė Felipe,tenho 14 anos e sempre gostei de coisas relacionadas a área espacial.Qual a previsao de lançamento do satėlite Amazônia 1?

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    Respostas
    1. Olá Felipe!

      A ultima vez que houvi falar sobre isto a previsão era para 2015, mas hoje só Deus sabe.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  3. Bom, mais uma vez vem à tona um assunto recorrente.

    Os programas espaciais em todo o Mundo dependem de iniciativas governamentais.

    A única iniciativa que tenho conhecimento ser independente do governo é a da Copenhagen Suborbitals, que elém de independente, é um projeto "open source",, que tem um objetivo primário muito específico e a meu ver até um tanto surrealista, mas de qualquer forma, em termos de motores a combustível líquido já estão à nossa frente.

    Eu sempre gosto de citar esse exemplo, para mostrar que apesar de não ser o lugar comum, é possível sim, conduzir projetos espaciais relevantes independente de iniciativas governamentais.

    Mas enfim, o mais chocante dessa situação, torno a insistir, é que o pessoal de dentro do PEB, não se articula, não reage, não faz nada. Estão vendo todo o esforço de décadas de trabalho ir para o ralo e não levantam a voz, ficam apreciando e aceitando tacitamente essas decisões absurdas de vários "governos" no mínimo relapsos, se não forem mal intencionados. Vejam bem, não estou falando desse ou daquele partido, dessa ou daquela pessoa, pois isso vem de longa data, e só está piorando de forma natural.

    Será que os assim chamados "funcionários públicos" ligados ao PEB, sejam eles civis ou militares, não conseguem ver, que do jeito que as coisas estão caminhando, em breve nem eles vão sobreviver ao caos que se instalou e prospera rapidamente?

    O que mais é necessário para que essas pessoas acordem e se deem conta que se eles não fizerem nada para mudar essa situação, ninguém mais o fará?

    Estaremos fadados a ver o nosso "programa espacial", que já mal pode ser chamada como tal, ser transformado numa completa e irremediável sucata ?

    Ao que tudo indica sim...

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    1. Marcos, eu acho que não podemos dizer que o pessoal de dentro do PEB não se articula ou não reage contra a política que o governo está levando, pelo contrário, há pessoas que estão "brigando" para se ter algo na prática, mas como eles estão nessa "briga" a bastante tempo e não veem nenhum resultado de mudança por parte do governo, eles preferiram entrar em um estado de "stand by" por serem pessoas próximas de se aposentarem.

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  4. Marcos

    Basta observar a atitude do sindicato da categoria SindCT. Sempre foram militantes do atual status quo governamental. Reinvidicam cada vez mais direitos e aumentos salariais e nunca criticam a total falta de resultados. Reinvidicam mais funcionários públicos argumentando a falta desses como a principal causa da inoperância. Qualquer tentativa de mudança na condução do PEB é criticada.

    O PEB tem que ser completamente reformulado, a começar pela definição de responsabilidades da AEB e seu status no governo. Sua relação com o IAE e INPE não pode ser de mero expectador. Além, é claro, de recursos para os programas. Outra coisa é sobre os pesquisadores. Hoje cada um cuida de si e não dos interesses institucionais. O atual diretor do INPE usa a expressão de 'albergados' do instituto. Isso tem que acabar e a solução é cortar na própria carne - o que ninguém quer...

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    1. Pois é meu caro, mas se nem mesmo os "cientistas de foguete" conseguem enxergar que a acomodação que eles exercitam hoje vai lavar ao completo falecimento do PEB, quem poderá nos salvar? O Chapolin Escarlate?

      Eu já considero tudo que é publicado por esse SindCT como suspeito, pois como já afirmei antes, ele não é um sindicato dos trabalhadores em Ciência e Tecnologia como a sigla pode dar a entender.

      O nome completo do dito sindicato, é "Sindicato Nacional dos Servidores. Públicos Federais da Área de Ciência e. Tecnologia", portanto ele atende a uma casta da casta.

      Fica cada vez mais claro que com a maior parte dessas pessoas, não se pode contar. As exceções no caso, só comprovam a regra.

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