Diretor da Roscosmos Fala Sobre Acordo Brasil-Rússia


Olá leitor!

Em 12/11 desse ano o blog postou uma noticia que tinha como origem o blog “Panorama Espacial” do companheiro jornalista André Mileski destacando que a Agência Espacial Russa (Roscomos) teria a partir de 2010 dois representantes permanentes no Brasil (veja a nota Os Russos Estão Chegando no Brasil). Em 17/07 (sua primeira edição) a Radio France Internationale - RFI postava em seu site um artigo muito interessante sobre esse e outros assuntos relacionados com o acordo espacial entre os dois países. Abaixo segue na íntegra o artigo em questão

Duda Falcão

Cooperação Espacial

Escritório da Agência Espacial Russa no Brasil
Deve Ser Anunciado este Ano

Reportagem publicada em 17/07/2009
Última atualização 28/07/2009 14:07 TU


O Brasil vai ser o segundo país a ter um escritório permanente da Roscosmos, a agência espacial russa.

Os detalhes para a implantação de uma representação oficial estão em fase final e o anúncio de uma data de inauguração poderá ser feito ainda este ano, segundo Vladimir Putkov, o vice-diretor do departamento de relações internacionais da Roscosmos.

A Roscosmos vai abrir seu segundo escritório internacional
em Brasília, uma demonstração da importância da cooperação
bilateral com o Brasil no setor espacial.
Foto: Elcio Ramalho/RFI

"A abertura do escritório vai permitir ativar mais a nossa cooperação em todas as áreas e um contato mais direto com os dirigentes da Agência Espacial Brasileira e do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial", diz o diretor. A Roscosmos só tem um escritório, em Pequim.

Os laços históricos entre Brasil e Rússia no setor espacial já completaram 20 anos, mas a parceria estratégica foi oficializada em 21 de novembro de 1997 com a assinatura de um acordo de cooperação a nível governamental no campo da cooperação e utilização do espaço cósmico.

Segundo Putkov, a primeira vez que a parceria foi efetivamente testada aconteceu após a tragédia com o Veículo Lançador de Satélite, o VLS 1. Em agosto de 2003 o governo brasileiro recorreu às autoridades russas para investigar as causas do acidente que aconteceu na base de lançamento de Alcântara, no Maranhão.

"Os peritos russos entregaram às autoridades brasileiras as versões prováveis das causas do acidente e também recomendações para modernização do sistema VLS", lembra o diretor.

Segurança

O aumento e segurança do veículo lançador brasileiro é um dos principais objetivos fixados pelo "Acordo de Cooperação de Proteção Mútua de Tecnologias Associadas à Cooperação no Uso do Espaço Exterior para Fins Pacíficos", nome oficial do acordo firmado entre os dois países.

O programa de cooperação depende ainda da aprovação, pelo congresso brasileiro, do "Acordo Bilateral de Salvaguardas Tecnológicas" que está sendo analisado desde 2006.

Para Vladimir Putkov, futuro da cooperação espacial
entre Brasil e Rússia é "brilhante".
Foto: Elcio Ramalho/RFI

"O acordo precisa ser ratificado pelo Congresso para que o Brasil tenha acesso aos últimos estágios, que são os de tecnologia mais sensíveis. Aí sim, estaríamos prontos e teríamos toda a tecnologia nesta área de veículos lançadores de satélites", afirma Luiz Fernando Machado, responsável pelo departamento de cooperação científica e tecnológica da Embaixada do Brasil na Rússia.

Entre os projetos que também devem avançar a partir da ratificação do acordo estão à modernização do estágio de lançamento de um foguete brasileiro com motor de combustível líquido. Há também a criação da infraestrutura terrestre para a base de Alcântara e a elaboração de um satélite brasileiro de telecomunicações.

Concorrente do GPS

Em novembro de 2008, foi assinado novo acordo do programa de cooperação para utilização do programa de navegação por satélite Glonass, o concorrente do americano GPS.

Um grupo técnico já foi criado para a formação de especialistas brasileiros para atuar com o sistema que já funciona na Rússia e na Suécia. A partir do ano que vem ele será disponibilizado comercialmente para outros países.

"Com o lançamento de outros satélites vamos finalizar o sistema no ano que vem e estará pronto para ser comercializado", prevê Putkov.

Segundo Luiz Fernando Machado, assim que o Congresso
aprovar o acordo de salvaguardas, Brasil terá acesso total
à tecnologia russa para o Veículo Lançador de Satélites.
Foto: Elcio Ramalho/RFI

"A idéia do Brasil é ter acesso a vários sistemas de navegação e não escolher entre um e outro", afirma o diplomata brasileiro Luiz Fernando Machado.

Recursos

O Brasil tem muito a ganhar com a parceria a experiência da Rússia, mas os russos também vêem muitas vantagens em ter um parceiro como o Brasil.

Segundo o vice-presidente de relações internacionais da Roscosmos,Vladimir Putkov, um dos maiores interesses do país em se associar ao Brasil é atrair recursos para programas espaciais e também se beneficiar do kown- how brasileiro na área científica.

"O Brasil tem tudo para cooperar com a Rússia: recursos humanos e financeiros. É sabido que este setor precisa de muitos investimentos e o Brasil tem recursos. E nós vamos transferir tecnologia. O futuro da nossa cooperação é brilhante", afirma.


ÁUDIO

Ouça a matéria do Elcio Ramalho, enviado especial à Rússia pelo link abaixo:

Link: http://www.microsoft.com/windows/windowsmedia/fr/player/download/download.aspx


Fonte: Site da Radio France Internationale - RFI

Comentário: Em primeiro lugar antes de fazer meu comentário gostaria de lembrar ao leitor que a aprovação pelo congresso brasileiro do acordo bilateral de salvaguardas tecnológicas já aconteceu e o mesmo já se encontra ratificado. Bom leitor, esse artigo é esclarecedor em muitos pontos sobre o acordo espacial entre o Brasil e a Rússia e demonstra o quanto o mesmo é amplo e pode trazer grandes benefícios ao PEB. Infelizmente existem rumores (não confirmados) de que o acordo esta gerando insatisfações em ambas as partes e que uma das razões da criação desse escritório em Brasília seria administrar essas insatisfações. É sabido que os russos não ficaram nada satisfeitos (e nem eu) com a escolha do projeto do Cyclone-4 ucraniano em detrimento da proposta apresentada por eles (veja aqui a nota A OrionSpace Internacional, Opção Descartada), que era boa e poderia ser melhorada através de discussões intergovernamentais, já que havia a época um bom clima para essas negociações. No entanto, se houver um maior empenho do governo brasileiro em priorizar esse acordo com os russos (o que eu sinceramente não acredito), teremos brevemente não só o VLS-1 como também o seu sucessor VLS-1B, capaz de colocar os satélites baseados na plataforma PMM em órbita, e quem sabe até 2022, um lançador GEO, além de outras tecnologias essenciais, caso o Brasil queira se tornar no futuro um importante player na exploração do espaço.

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