Nanotecnologia Amplia Horizontes no Mar e no Espaço


Olá leitor!

Segue abaixo uma notícia publicada ontem (02/12) no jornal “Valor Econômico” destacando o desenvolvimento de tecnologias por empresas brasileiras que terá aplicações no mar, no espaço e em outras áreas.

Duda Falcão

Nanotecnologia Amplia Horizontes no Mar e no Espaço

Por Virgínia Silveira
02/12/2009


Detentora de uma patente inédita na aplicação de nanopartículas de diamante sintético, utilizadas em brocas odontológicas, a empresa Clorovale, de São José dos Campos, está aplicando a mesma tecnologia em brocas de perfuração de poços de água e de petróleo.

Segundo o diretor-presidente da companhia, Vladimir Airoldi, que também lidera um grupo de pesquisa na área de diamantes no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Clorovale desenvolveu dois protótipos da nova broca que serão testados pela Petrobras na prospecção de poços de petróleo na região do pré-sal. "Além de ter um custo 50% menor que as brocas normais, que usam pó de diamante, as brocas de diamante sintético duram três vezes mais", explica o pesquisador.

O diamante sintético é produzido pelo método de deposição química na fase vapor (CVD), obtido a partir de uma mistura de gases metano e hidrogênio, a baixa pressão. O produto final, segundo Airoldi, é um pouco diferente do diamante encontrado na natureza, mas possui as mesmas propriedades das pedras naturais: é dura, quimicamente inerte, autolubrificante e anticorrosiva, além de ser biologicamente compatível com aplicações médico-hospitalares.

As brocas odontológicas com ponta de diamante CVD, de acordo com o diretor da Clorovale, já são utilizadas por cerca de quatro mil dentistas no Brasil, que substituíram os equipamentos de alta rotação tradicionais pela nova tecnologia.

Nesse sistema, as brocas vibram a partir de ondas de ultrassom e por isso têm a vantagem de ser mais silenciosas, além de dispensar, em 80% dos casos, o uso da anestesia. "Outro grande apelo da nova tecnologia para o dentista é o nível de precisão do corte e a durabilidade, que chega a ser 50 vezes maior", afirma Airoldi.

As pontas de diamante CVD, de acordo com o executivo, também não cortam tecidos moles, como gengiva e vasos sanguíneos, o que reduz bastante a ocorrência de sangramentos. Além das pontas de diamante, a Clorovale também fornece o aparelho de ultrassom, desenvolvido pela companhia.

A nova técnica motivou a Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP), em Bauru, a implantar em sua grade curricular a disciplina odontologia ultrassônica, diz o executivo.

Para a Petrobras, a Clorovale forneceu o tarugo de diamante que mede de cinco a 20 milímetros de comprimento, com diâmetro de dois milímetros. "Hoje a Petrobras gasta cerca de cem brocas por ano em poços de prospecção "offshore"", comenta Airoldi. A fabricação da broca completa é feita por uma companhia que já presta serviços para a Petrobras.

Outra técnica inédita de aplicação de diamante sintético, desenvolvida pelo Inpe e transformada em produto pela Clorovale, está sendo aproveitada no programa espacial brasileiro.

O processo conhecido como "diamond like carbon" (DLC) foi utilizado pela companhia Fibraforte como lubrificante sólido em componentes dos mecanismos de abertura do painel solar da plataforma multi-missão (PMM) desenvolvida pelo Inpe. A PMM é uma plataforma genérica para satélites na classe de 500 quilos.

"A aderência do DLC é extremamente alta, deixando materiais como o aço com uma superfície dura e um nível de corrosão baixíssimo", explica o diretor da Clorovale.

A aplicação dos filmes de DLC nos componentes da PMM foi feita em substituição ao bissulfeto de molibdênio (MoS2), material tradicionalmente empregado como lubrificante sólido em equipamentos espaciais.

Os pesquisadores do Inpe e a Clorovale estudam um filme de DLC com propriedades bactericidas. "A idéia é impregnar esse filme em instrumentos cirúrgicos e em facas", diz Airoldi.

A companhia avalia, agora, a melhor maneira de colocar esse produto no mercado e conta com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que investiu R$ 1,5 milhão na empreitada. "O banco entrou como sócio da companhia numa operação de "venture capital", por meio do Programa Fundos de Investimento para Pequenas Empresas (Criatec)."

O apoio do BNDES, segundo Airoldi, será importante para a companhia ampliar seu mercado de atuação, inclusive no exterior, com ações planejadas de marketing e vendas. Atualmente, 90% do faturamento da Clorovale vem da venda de brocas de diamante para o segmento odontológico. Os projetos da companhia contam também com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que destinou R$ 3 milhões por meio do Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe). A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) destinou R$ 1,2 milhão para o desenvolvimento tecnológico na Clorovale.

Pesquisas no Segmento Dão Impulso a Negócios em Pólo no Interior de SP

A nanotecnologia, caracterizada pela manipulação da matéria numa dimensão cem mil vezes menor que a espessura de um fio de cabelo, tem ajudado pequenas e médias empresas do pólo aeroespacial de São José dos Campos a criar materiais inovadores, capazes de impulsionar seus negócios. Simulador de baixo custo para testes de células solares, filme de "diamond like carbon" (DLC) em mecanismos de satélites e diamantes artificiais com aplicações no espaço, na saúde e na exploração de petróleo e de outros minérios são alguns dos produtos que já vêm sendo utilizados, sobretudo pelo programa espacial brasileiro.

As aplicações da nanotecnologia em ambientes extremos e seu impacto no futuro do país foi tema do 4º Workshop Nanoaeroespacial, que terminou ontem em São José dos Campos (SP) e reuniu empresas, universidades e institutos de pesquisa. Segundo Milton Sérgio Fernandes de Lima, coordenador do evento, o mercado de nanotecnologia movimenta no mundo em torno de US$ 12 bilhões, mas a expectativa é de que esse número alcance a marca de US$ 3 trilhões em 2015.

A Embraer não está fora dessa tendência e, em parceria com universidades e institutos de pesquisa, vem direcionando seus esforços em projetos que possam trazer resultados e melhorias para as aeronaves que fabrica, como a redução do consumo de combustível, ruído, custos operacionais e de manutenção, além do aumento do conforto do passageiro.

Segundo Henrique Abrahão Alves, engenheiro de inteligência de mercado para aviação comercial da Embraer, nos próximos 15 anos a área de recobrimento, que inclui materiais que repelem água e dão maior resistência à estrutura da aeronave, aparece como primeiro segmento potencial de aplicação de nanotecnologia. Material composto, células combustíveis e solares, eletrônica de bordo e sensores também podem trazer inovações importantes aos produtos aeronáuticos.

"A maior parte das pesquisas em nanotecnologia ainda estão na fase de laboratório e são desenvolvidas por pequenas e médias empresas", disse Abrahão Alves, durante o workshop nanoaeroespacial. "Esse processo não deve dominar a aviação no próximo ciclo do produto aeronáutico, mas oferece inúmeras oportunidades para melhorarmos nossos aviões, em questões relacionadas a custos, riscos e desempenho." (VS)


Fonte: Jornal “Valor Econômico” - 02/12/2009

Comentário: Essas tecnologias são o exemplo de resultados alcançados por profissionais competentes, comprometidos com seus objetivos, bem diferentes dos atuais gestores dos órgãos que compõem o PEB. Infelizmente apesar do Programa Espacial Brasileiro interagir com essa empresas altamente eficientes em seus projetos e programas, não os seguem como exemplo, buscando uma melhor eficiência de gestão, pois os mesmo são geridos por políticos e gestores que em muito casos não tem a mínima idéia do que seja um programa espacial e nem querem saber, pois poderiam pelo menos se esforçarem em cumprir bem a sua gestão, coisa que normalmente não acontece com políticos, pelo menos nesse país. Parabéns as empresas brasileiras da área aeroespacial pela sua eficiência, grande exemplo a ser seguido. E o novo PNAE do Ganem vem ai, que Deus nos ajude.

Comentários

  1. Estas brocas de diamantes são exemplos do spin-off do programa espacial brasileiro, que serve para outras empresas que não seja a industria espacial, para implementar tecnologia NACIONAL no país. Parabens para todos os engenheiros e tecnicos que tornaram isto possível. Mas é claro, o proprio PEB está carente de recursos e se tivessemos mais investimentos na área, ele poderia crescer e ajudar a desenvolver mais spin-offs para outras áreas de desenvolvimento nacional. Mas acho que ele está sendo gerenciado e politicado por "Cegos".

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  2. Concordo contigo em gênero, número e grau Ricardo. Realmente essas tecnologias irão beneficiar várias áreas de interesse da sociedade e da indústria brasileira. Infelizmente a falta de visão e o comportamento político administrativo incompetente dos gestores do PEB, tem atrapalhado muito o Programa Espacial Brasileiro e se isso não mudar pagaremos um preço enorme nos próximo 10 anos e além.

    Abs

    Duda Falcão

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