terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Saiba Mais Sobre o Debate Sobre o PEB Promovido Pelo SindCT

Olá leitor!

Segue abaixo a notícia publicada ontem (07/12) no site do SindCT tendo como destaque o Debate recente sobre o PEB promovido dia 26/11 pelo SindCT. Esta pequena matéria de autoria da jornalista Shirley Marciano do Jornal do SindCT vem acompanhada do vídeo do evento e das três apresentações feitas pelos convidados. Vale a pena dar uma conferida.

Duda Falcão

Notícias do SindCT

Debate: Análise e Alternativas
Para o Programa Espacial Brasileiro

Shirley Marciano
Site do SindCT
07 de Dezembro de 2015


Dia 26 de novembro foi uma data marcante. Foi realizado o debate: "Análise e alternativas para o PEB", para troca de ideias e experiências sobre o futuro do programa espacial para o país. O Auditório do LIT recebeu cerca de 120 servidores do INPE, DCTA e CEMANDEN para uma conversa bem franca, porque o objetivo é que todos os passos a serem dados aconteçam considerando o ponto de vista daqueles que fazem ciência, tecnologia e inovação em seu dia-a-dia. 

Após a abertura e composição da mesa pelo secretário de comunicação do SindCT, Gino Genaro, foi a vez do presidente da entidade dar suas boas-vindas a todos ali presentes e dispostos à discutir o tema proposto.  Na sequência, o Cel Augusto Luiz de Castro Otero, diretor interino do Instituto de Aeronáutica e Espaço - IAE, que compôs a mesa para representar o DCTA, agradeceu a oportunidade, elogiou a iniciativa do sindicato e se colocou a disposição para canalizar sugestões. 

Assim, foi dado início aos trabalhos. O primeiro expositor foi o servidor, agora aposentado, José Nivaldo Hinckel. Ele é matemático e sempre atuou na área de Propulsão no INPE.  Hinckel fez duras críticas quanto ao que existe hoje em termos de PEB. "Um programa espacial que se baseia em sensoriamento não se justifica. Isso não pode ser considerado programa espacial".

Amauri Montes, formado em engenharia pelo ITA, coordenador da Engenharia e Tecnologia Espacial do INPE - ETE, disse que mesmo diante de tantas dificuldades financeiras e falta de pessoal há grandes realizações "Lutamos muito para vencer a falta de credibilidade e temos feito muita coisa e de grande qualidade em termos de engenharia e tecnologia espacial". 

Não faltou bom humor num cenário de certo descontentamento. Foi assim que o engenheiro mecânico, José Bezerra Pessoa Filho, do IAE, conduziu sua explanação. Para ele, falta de fato investimento e vontade, além da solução de uma série de questões. "Hoje, o maior volume de dinheiro não vai para a pesquisa e desenvolvimento e sim para o serviços que são subprodutos dos programas. É preciso investir muito mais", disse.

A etapa seguinte foi a abertura da palavra para a plateia. Cada um colocou sua visão. Mas houve momentos de certa divergência entre áreas como as de serviços de Observação da Terra e também  de pós-graduação do INPE. Inclusive, questionaram a forma como foi organizado o seminário - só por engenheiros -,  no sentido de que foi dada importância à questões ligadas à engenharia e fora deixado de lado outras atividades. Porém, Bezerra amenizou e  ilustrou com o exemplo da vida de uma árvore: "O ensino são as raízes; os foguetes e os satélites são o caule e os galhos; as imagens processadas para o meio ambiente e outras finalidades são os frutos. Ou seja, somos interdependentes e todos igualmente importantes".

Por fim, Genaro e Ivanil finalizaram o evento, agradecendo a presença de todos.

O seminário foi realizado pelo SindCT a pedido da Comunidade, em decorrência da Portaria Interministerial 2.151, de 2 de outubro de 2015, a qual define a nomeação de representantes para compor um grupo de trabalho interministerial - GTI, com o objetivo de estudar e apresentar uma proposta que irá mexer praticamente com tudo o que existe hoje de atividade espacial no país. O Cel Otero e o Bezerra Filho fazem parte deste grupo, que ainda não está oficializado.

A direção do INPE não enviou representante para o seminário.

Acesse aqui o vídeo.

Veja os arquivos das apresentações:





Fonte: Site do SindCT – 07/12/2015

Comentário: Não resta dúvida da importância da realização deste evento por parte do SindCT, principalmente por informar melhor a sociedade sobre a verdadeira situação do PEB, bem como também pela participação no evento do diretor interino do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), o Cel. Augusto Luiz de Castro Otero, algo que considero muito positivo. Entretanto, é preciso dizer e lembrar aos sindicalistas de que eles continuam ingênuos acreditando que com ações desta natureza conseguirão mudar alguma coisa, ou então não querem realmente resolver o problema. A situação atual do Programa Espacial Brasileiro é gravíssima e situações extremas exigem ações extremas. Imagine você se servidores da NASA, por exemplo, estivessem na mesma situação, ou seja, se reunindo para discutir os problemas de um programa que não passa de uma grande fantasia desde a implementação (no longínquo inicio dos anos 90) dos desgovernos civis deste país. A diferença é que lá (EUA) Programa Espacial é uma questão de ESTADO, e por conta disso as discussões que são apoiadas por uma classe política comprometida, giram sempre em torno de encontrar novas soluções em todos os níveis que permitam o continuo desenvolvimento espacial americano, ou seja, há  compromisso e vontade política de se fazer a diferença. No Brasil não existe isto, e continuará não existindo caso a sociedade e a sua comunidade científica continuem passivamente adotando esta postura de pedinte, invés de ir à luta pelo que dizem defenderem. O Brasil precisa entender de que enquanto o PEB não se tornar um Programa de ESTADO, jamais alcançará os objetivos listados nos diversos documentos fantasiosos que orientam as atividades espaciais do país. A Sociedade Brasileira precisa entender que o Programa Espacial Brasileiro (PEB) é um programa governamental que tem a sua direção sob a responsabilidade do Estado Brasileiro representado pelo Poder Executivo liderado pela Presidência da República. O que acontece é que este governo central não está nem ai para o país, quanto mais para um programa caro e que não trás nenhum benefício político na luta pelo poder (não gera voto), já que (diferentemente do que ocorre nos EUA) até mesmo a maior parte da sociedade brasileira mais esclarecida não tem a mínima ideia da importância de um Programa Espacial para um país como o nosso, e a parte menos esclarecida, bem, esta continua acreditando que a LUA é a morada de São Jorge. Resumindo, ou a sociedade esclarecida e os profissionais da Comunidade Espacial do país se unem e vão a Brasília cobrar (e não pedir) como brasileiros que deveriam ser, ou continuarão sendo enganados por essas raposas profissionais da ilusão travestidas de autoridades, independentemente da pseuda legenda política que estiver no poder.

2 comentários:

  1. Duda, obrigada pelas publicações das nossas matérias e pelas citações. Parabéns pelo blog! Abraços,

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    Respostas
    1. Olá Shirley!

      Não há de que e parabéns pelo trabalho que você vem realizado junto ao Jornal do SindCT.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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