sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O Brasil Fora do Ar

Olá leitor!

Trago agora para vocês um artigo/opinião escrito pelo Senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) e publicado dia (23/12) no site do Jornal O GLOBO.

Duda Falcão

OPINIÃO

O Brasil Fora do Ar

Por ALOYSIO NUNES FERREIRA
23/12/2015 - 0:00

Para o Brasil, desenvolver satélites e colocá-los em órbita não é questão de prestígio, mas de sobrevivência. Defesa, segurança, meteorologia e infraestrutura de telecomunicações dependem do setor aeroespacial. O governo Dilma, como em outras áreas, patina e não foi capaz de apresentar uma pauta mínima para o setor aeroespacial. A crise passará e não justifica a negligência. Outros países dão sinais de vitalidade. Argentina e México atingiram objetivos que o Brasil inexplicavelmente ainda não alcançou. A Argentina lançou um satélite geoestacionário fabricado por empresa que faz também radares e reatores nucleares. Nossas Forças Armadas, acertadamente, favorecem o maior grau de autonomia. Mas, para participar de uma corrida espacial, o Brasil não pode caminhar sozinho.

Situado da linha do Equador, o Centro de Lançamento de Alcântara permite colocar satélites em órbita a custo competitivo. Isso poderia ser um bom negócio. Os franceses, na Guiana, têm há 40 anos uma base de lançamentos que alavancou a localização próxima ao Equador de tal maneira a favor da França que a Agência Europeia a adotou para suas atividades científicas. A localização de Alcântara não é tudo, mas pode ser elemento comercial facilitador. Lançar satélites é tarefa desafiadora: a tecnologia é controlada por um grupo reduzido de países e sujeita a salvaguardas.

Na indústria aeroespacial, as compras governamentais têm papel-chave. Atrasos nos contratos públicos podem pôr tudo a perder: as empresas quebram ou mudam de ramo. O presidente Fernando Henrique negociou com o presidente Clinton o aproveitamento comercial da nossa base, o que incluía a celebração de acordo de salvaguardas tecnológicas. O governo Lula enxergou no acordo de salvaguardas uma capitulação à soberania.

Nesse mundo do irreal, o Brasil teria condições de construir e lançar seus próprios satélites sem precisar de ninguém. Entretanto, a maior parte dos satélites comerciais lançados no mundo é de empresas americanas, e, gostemos ou não, a ausência de acordo com os EUA inviabiliza parcerias com quem quer que seja. Todos os países que participam do mercado mantêm acordos que incluem salvaguardas tecnológicas.

O governo Lula tentou driblar essas realidades selando parceria com a Ucrânia. Ingenuamente, assinou acordo com aquele país, mais palatável para o governo do PT porque não envolvia os EUA. Palatável, mas inútil. O contribuinte pagou por um projeto que não saiu do papel. Motivo: para lançar satélites comercialmente, independentemente da Ucrânia — ou de qualquer outra parceria —, nenhum projeto de lançamento comercial de satélites pode avançar sem um acordo de salvaguardas com os EUA.

Sonhar é de graça. Chegar a resultados é outra coisa. Países como a Coreia do Sul já nos ultrapassaram. A Índia chegou a Marte. Nos anos 60, estávamos no mesmo patamar. A aprovação do acordo com os EUA que tramita na Câmara daria novo alento ao programa espacial brasileiro.

Aloysio Nunes Ferreira é senador (PSDB-SP)


Fonte: Site do jornal “O Globo” - 23/12/2015

Comentário: Bom leitor o Senador Aloysio Nunes (creio eu presidente da CRE - Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal) escreveu este artigo tendo como intenção enaltecer o Desgoverno de Fernando Henrique Cardoso e denegrir a imagem do Desgoverno do humorista LULA, utilizando como pano de fundo o PEB. Na verdade dois Desgovernos de Merda que juntos com o Desgoverno desta debiloide não contribuíram em nada para o Programa Espacial Brasileiro, muito pelo contrário. Inclusive considero o FHC como o grande responsável pelo acidente com o VLS em 2003, sendo que o humorista LULA também teve sua parcela de culpa, pois poderia ter evitado o ocorrido caso tivesse interesse. Vale dizer que o acordo assinado com os EUA pelo Desgoverno FHC era leonino e estupidamente mal elaborado, e o acordo assinado pelo Desgoverno LULA com a Ucrânia tinha cunho político e era um completo desastre pré-anunciado. Isto no entanto não invalida o que disse o Senador Aloysio Nunes quanto à necessidade do Brasil de assinar um acordo de Salvaguardas com os EUA, caso o nosso território tupiniquim queira realmente atuar neste mercado internacional altamente competitivo de serviço de lançamentos de satélites comerciais. No entanto há décadas esses vermes estão colocando a carroça na frente dos cavalos e eu creio hoje de forma proposital. Afinal, antes de pensarmos em atuarmos neste mercado, o Desgoverno Brasileiro precisa parar de contar estórias e consolidar de vez o nosso lançador de satélites, e assim primeiramente atender as nossas necessidades internas, para então tendo o lançador industrializado e consolidado, participar deste mercado. Não se faz lançadores de satélites somente por questões comerciais leitor, a razão principal é estratégica e de soberania tecnológica e de defesa. A questão comercial é importante, sem dúvida nenhuma, mas não tanto quanto a estratégica.

4 comentários:

  1. Duda está na hora de cobrar o resultado do tal grupo de estudo de uma nova governança para o PEB, instituído pelo MCTI.

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    1. Caro Sr. Heisenberg!

      Segundo o Art. 5º da portaria interministerial que criou este “GTI - Setor Espacial”, o mesmo deverá concluir suas atividades até 31 de dezembro de 2015. Portanto ainda está dentro do prazo.

      Entretanto o Art. 4º desta portaria diz que cada um dos ministérios (MCTI e MD) deveriam expedir a sua portaria própria designando os seus representantes no “GTI - Setor Espacial” em até dez dias após a publicação desta Portaria Interministerial.

      Entretanto, segundo matéria da edição de dezembro do Jornal do SindCT (veja aqui - http://brazilianspace.blogspot.com.br/2015/12/debate-reve-erros-do-peb-e-sugere-nova.html) os trabalhos do GTI-Setor Espacial vêm sendo conduzidos pelas direções do INPE e DCTA de maneira nada transparente, uma vez que nem mesmo a Portaria que criou este colegiado tem sido respeitada. Segundo o jornal até o fechamento desta edição de dezembro e passados dois meses da publicação da Portaria, os nomes para compor o grupo sequer foram oficializados. Enfim...

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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  2. Duda fiquei sabendo que o DCTA já enviou um parecer sobre o assunto. Feito por um grupo que, na minha opinião, não representa os interesses do PEB. Usando suas palavras, de maneira nada transparente, muito menos representativo...

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    1. Caro Heisenberg!

      Na realidade eu nunca considerei esta iniciativa realmente seria e não poderia ser diferente. Afinal a raiz é podre e conseguentemente esta árvore só pode gerar frutos podres.

      Abs

      Duda Falcão
      (Blog Brazilian Space)

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